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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ascendencia patrilinear de uma familia "Paes de Barros " com Manoel Correa Penteado e Beatriz de Barros - sobrenome não indica um unica "linhagem" familiar

Manoel Correa Penteado e Beatriz de Barros  foram primos maternos, descendentes de Isabel do Prado e Paschoal Leite - Historia colonial

Todas as famílias hoje e entâo descendem necessariamente de outras, sendo que o início de cada uma se tem de fazer no momento em que se autonomizam com um nome e uma identidade "simbólica" própria.
Uma "familia" tem muitissimos (!!) antepassados e muitissimas familias que contam a origem de nós,

A genealogia biologica conta e foca no "INDIVIDUO"e na PESSOA no seu contexto historico no seu proprio tempo e NAO no SOBRENOME ou na genealogia simbolica que é somente politica de hoje .

Uma unica origem, e uma narrativa simbolica que conta de um unico casal de patriarcas que inclui todos os "Paes de Barros" de hoje no Brasil não existe !


A minha familia  "Paes de Barros"  tem ascendencia em muitas outras familias como os Penteados, os Leme, Leite, Prado, Barros, Mesquita .etc etc  colocados assim em certas "linhagens" por Pedro Taques e Gonzaga Silva Leme nas respetivas obras de genealogia . 

Para entender quem foram os meus verdadeiros antepassado biologicos, necessitei além de entender as varias politicas de historiografia brasileira (!), tambem entender o sistema dos sobrenomes em Brasil que na epcoa era bem diverso do que hoje.
Nâo existiram regras pelos sobrenomes no Brasil.  (Leia mais sobre sobrenomes clique aqui sobrenome e confusão )


Nota:
O primeiro de sobrenome "Paes de Barros"  na linha patrilinear no meu ramo Paes de Barros e de Aguiar se pode encontrar com o capitão Fernão Paes de Barros nascido ca. 1700 e falecido em 1755. Era filho de Manoel Correa Penteado e de Beatriz de Barros.
Ele era casado com sua prima: Angela Ribeiro Leite (de Cerqueira).
Efeitivamente encontrei nos descendentes de Manoel e Beatriz  o maior numéro de pessoas que tem o sobrenome Paes de Barros (sempre segundo as obras de Taques e Silva Leme).
Ele porém por pai não descendeva de uma familia "Barros", ele descendia em linha patrilinear dos "Penteado"

Fernâo "Paes de Barros"  era filho de Manoel Correa Penteado e de Beatriz de Barros, meus heptavós. Note o sobrenome ! Mas sabe que até o seu casamento em 1731 ele use o sobrenome "Paes Penteado", nao Paes de Barros. Somente apos o nascimento da sua primeira filha em 1732 ele adotou o sobrenome "Paes de Barros". 
Muito provavelmente Fernao Paes Penteado adotou o sobrenome famoso, vivendo em Sao Roque onde sua mâe Beatriz teve seus tio-bisavós famosos que foram Pedro Vaz Guassu e Fernao Paes de Barros.  

Os dois primeiros "Paes de Barros" que encontrei com o sobrenome Paes de Barros foram Fernão e Sebastiao Paes de Barros  (clique o nome para saber mais sobre ele)
que foram os tio-bisavós maternos dele, parentes dos antepassados de sua mãe e filhos do  governador Pedro Vaz de Barros e Luzia Leme (tambem appelidada Luzia Fernandes) e de fama e prestige na epoca. Como se pode ver o sobrenome nao era Vaz de Barros, mas Paes de Barros. Este na minha opiniao para "recordar" a descendencia dos Leme ou Paes Leme, familia importante em Sao Vicente.
Entende o conceito dos sobrenomes. 
Em epoca colonial em Brasil era bem diferente do que hoje.
Nâo existiam regras de sobrenome no mundo luso e espanhol como na Europa do Norte. 
Muitas vezes os filhos não usaram o sobrenome do pai ou dos avós paternos, mas usaram o próprio patronímico, outras vezes tomam o mesmo patronímico dos avós maternos  ou paternos, ou mesmo dos bisavós (maternos ou paternos que tiveram todos sobrenomes diferentes). Outras vezes de um padrinho e mesmo de um primo ou um tio dos proprios antepassados como em caso de Fernao casado com Angela mais adiante.
Era para ligar se à "fama" dos familiares o que significou espor o proprio "Status social" herdado.

Tambem é importante saber que na epoca, no seculo 17 a vida era organizada em maneira PATRIARCAL.. A posse, a religião foram fundamento da vida, nao o sobrenome, ou o clã come se quer ver hoje.  Nao existitu uma "nobreza" como no Portugal, mas sim os donos de imensas sesmarias e terras. Foi um mundo feudal com hierarquias bem definidas.

"A familia"  era uma unidade de produção e política que era tambem a religião.. 
O patriarca exercia domínio absoluto sobre a esposa, filhos, agregados e escravizados. O prestígio vinha da rede de dependência que ele sustentava. O catolicismo não era apenas fé, mas a base jurídica e moral. O batismo e o casamento religioso eram o que conferiam legitimidade social e garantiam o direito à herança, muito mais do que um sobrenome pomposo.


Aqui no grafico pode-se ver a reconstruçâo da ascendencia patrilinear e as origens em Araçariguama SP colonial do meu ramo dos "Paes de Barros" , famoso depois na era imperial em Sao Paulo, vindo de Itu e Sorocaba.

 


Linha Patrilinear, porque ?

Indicar a linha patrilinear é, em grande parte, uma forma de documentar e explicar como o poder e a autoridade eram estruturados historicamente através do patriarcado.
Embora a patrilinearidade e o patriarcado (o sistema de poder) sejam conceitos diferentes, eles estão profundamente interligados na genealogia porque um funciona como a ferramenta prática e o outro como a ideologia de poder.
Enquanto o patriarcado estabelece que o homem deve deter a autoridade, a patrilinearidade fornece as regras para que essa autoridade seja transmitida e mantida ao longo das gerações.
A patrilinearidade - tambem para as mulheres- é o caminho que liga o seu pai aos antepassados masculinos porque o poder e a hierarquia era patriarcal.O pertencimento à família no Brasil colonial (1500-1822) era o pilar fundamental da estrutura social, definindo não apenas a identidade individual, mas também o acesso à terra, poder, herança e status jurídico e social ! A organização familiar era caracterizada por um patriarcalismo forte, onde o chefe de família (pai ou proprietário) exercia autoridade total sobre a esposa, filhos, agregados e escravizados

Nao inclui o sobrenome !! O sobrenome funcionava como uma "marca" que indicava a posse de terras, cargos na administração colonial ou pureza de sangue.Um filho poderia adotar o sobrenome da mãe ou da avó materna etc (como jà menzionado antes) se a família dela fosse mais influente ou rica que a do pai.

Essa foi precisamente a minha motivação para elaborar o gráfico supra. Porque os antepassados viveram em um mundo patriarcal. O grafico evidencie a patrilinearidade e ao mesmo tempo indica a diversidade de sobre nomes.

Explicaçao do grafico.



1) FRANCISCO RODRIGUES PENTEADO (falecido em 1673)
Ele era o mais antigo do lado paterno na minha familia "Paes de Barros".
Atençao ao sobrenome !

Francisco Rodrigues Penteado era natural de Pernambuco onde seu pai - Manoel Correa - havia vindo da Lisboa.
Este seu pai devia ter havido um certo apreço pela instrução dos filhos, já que ele fez estudar seu filho Francisco Rodrigues Penteado as chamadas "artes liberais" à ou que provavelmente significava que havendo educaçao tambem em artes liberais - o que era um luxo na epoca e significa que era pessoa de presitigio e rica.
Francisco foi enviado à Lisboa não apenas para passear, mas para exercer uma função jurídica e econômica: receber uma herança. Mas Francisco em vez de tratar dos negócios da herança, ele só quis saber de gastar todo o capital que o pai lhe tinha dado ou que ele tinha acabado de receber. A "honra" do filho estava ligada à sua capacidade de obedecer ao pai e gerir o patrimônio da família. Como ele falhou e "estragou o cabedal", ele perdeu o direito de voltar para casa com dignidade. Por isso, ele fuge para o Rio de Janeiro em vez de voltar para Pernambuco. Como ele não tinha mais dinheiro, ele usou seus talentos sociais para sobreviver. Ele se tornou um agregado de luxo de Salvador Corrêa de Sá (um dos homens mais poderosos do Império Português). Ele trocou seu conhecimento musical pela proteção e pelo sustento, ensinando os filhos do general que era homem muito importante e foi proprio ele que o recomenda para poder casar com Clara de Miranda.
Assim Francisco, homem bom e istruido , mas sem dinheiro entra em uma familia poderosa onde a instrução era importante.
Francisco Rodrigues Penteado (I) casou em Sao Paulo com Clara de Miranda, nascida em 1621 e falecida em 1682..

Clara era bisneta de Joao do Prado,um Juiz Ordinario de Sao Vicente e socio do Engenho de Sao Jorge. Era neta materna de Isabel do Prado, membro da "elite" e de Paschoal Leite, açoriano e rico proprietario.,Era filha de Antonio Rodrigues de Miranda, avaliador da vila de São Paulo  Como Avaliador da Vila, ele ocupava um cargo burocrático de altíssima confiança. Para ser avaliador, era obrigatório ser um "Homem Bom", ter propriedades e conhecer profundamente o valor das terras e escravos da região. Suponho que tiveram tambem terras e foram abastados. Esta ascendencia ligava Clara na posiçao da "elite", o que significa que Francisco e Clara foram do mesmo status social, o que era muito importante na epoca. Nao casaram por amor, mas por interesses.
Depois de casado estabeleceu-se com fazenda de cultura em Santana de Parnaiba.

Em 1653 Francisco Rodrigues Penteado fundou a capela da Nossa Senhora da Piedade em Araçariguama e foi considerado na epoca o fundador de Araçariguama onde havia grande posse e foi uma pessoa que se definia "homem bom" ou "de qualidade".
A capela original situava-se a cerca de dois quilômetros da vila, na estrada de Pirapora, Sua construção é atribuída a Francisco Rodrigues Penteado e ao padre Guilherme Pompeu de Almeida, marcando o início da constituição da freguesia de Araçariguama, que na época pertencia à Vila de Parnaíba.
É importante não confundir esta capela que hoje não existe (!) com a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, que fica no centro da cidade e é a padroeira atual do município).

Interessante é que Francisco Rodrigues Penteado, em 1652-1656 era curador do orfão Pedro Vaz de Barros, em 1652 com 6 anos e filho de Antonio Pedroso de Barros e de Maria Pires de Medeiro. Este Pedro era herdeiro de grande posse do seu falecido pai. Mais tarde Pedro casa com Maria Leite de Mesquita, uma prima de Clara, esposa de Francisco Rodrigues Penteado (Maria Leite de Mesquita, neta de Maria Leite da Silva, irmã da sogra de Francisco ) . O fato de Francisco ser curador do órfão Pedro Vaz de Barros (um dos futuros gigantes de São Paulo) confirma que ele recuperou totalmente sua honra social. No sistema patriarcal, ninguém entregaria a gestão da fortuna de um órfão a alguém que não fosse considerado um "Homem de Qualidade" e de extrema confiança.

atençao
Embora fosse filho do português Manoel Corrêa, Francisco não adotou o sobrenome paterno ao se estabelecer em São Paulo. A escolha pelo nome Penteado ou Rodrigues Penteado— possivelmente de um ramo materno ou de uma linhagem de maior status em Portugal para ele — serviu talvez para consolidar sua nova identidade como "Homem Bom", dissociando sua imagem do fracasso financeiro juvenil em Lisboa.

Francisco Rodrigues Penteado faleceu em 1673 em Santana de Parnaiba.



2)  MANOEL CORREA PENTEADO e protagonista de este postagem.
filho de Francisco Rodrigues Penteado e Clara de Miranda, nascido em Sao Paulo e falecido em 1745

ele era explor
ador de ouro em Minas Gerais e foi propriedario de grande fazenda em Araçariguama.
Casou em 1689 com Beatriz de Barros. 
Ela era sua prima MATERNA em 4° grau o que é importante.
Os avós em comum foram Isabel do Prado e Paschoal  Leite. - (fonte: documentaçao sobre o parentesco nos livros da igreja catolica, dispensas matrimoniais)
Manoel faleceu em 1745 em Santana de Parnaiba.



3) Seu filho era  FERNAO PAES PENTEADO
Ele somente em 1732 chamou-se FERNAO PAES DE BARROS.

Ele era natural de Araçariguama e nasceu emtorno de 1700.
Casou em 1731 com Angela Ribeiro Leite, sua prima, e quando moradores em Sao Roque chamou-se Fernão "Paes de Barros"
O livro de casamento de igerja catolica de Araçariguama em 1731 o documenta como Fernao Paes Penteado casando com Angela Ribeiro .-
O livro de batismo de sua primeira filha em 1732 depois o documenta como Fernao Paes de Barros o que mostra que mudou o sobrenome !
Angela, sua esposa, era parente de Fernao sendo descendente de Paschoal Leite de Miranda, irmão de Clara de Miranda supra. Como vémos teve endogamia entre a familia MATERNA.
Fernao faleceu em 1755.

Voltando para Manoel e Beatriz :
Eles sendo descendentes dos mesmos antepassados maternos como Isabel do Prado e Paschoal Leite  significava que eles pertenciam ao mesmo status social. Assim a herança não se dispersava. Mesmo que todos os filhos herdaram na era colonial no Brasil, foi um sistema patriarcal. Significa que a "posse" da mulher foi adminstrado pelo marido e depois dos filhos machos.
Nao era o sobrenome a coisa mais importante, mas a posse, status social e como donos de terras tambem a religiao. 
O status social de um dono de terras foi a responsabilidade ao rei, dono das terras e com ele à religiao catolica. Nao teve distinçao entre religiao e politica como hoje. O status social vinha da posse, e não era somente um privilegio. Era tambem obriçaçao verso à coroa. A permanência "no topo" dependia do "chefe" da familia poderosa e ser um provedor, um defensor e um fiel católico com a "limpeza de sangue". Casar com um primo significava garantia.  A igreja na epoca aceitava e justificativa casamentos de primos porque as pequenas vilas de São Paulo foram um "lugar estreito" com poucas famílias de igual status social. . Isso era a motivaçao. A igreja o permitiu tambem para evitar que essas mulheres casassem com homens de classe inferior ou ficassem solteiras (o que era visto como um risco social).

Manoel Correa Penteado faleceu em 1745 e teve com Beatriz 7 filhos.  
e
Note bem : todos os 7 filhos com sobrenomes diferentes: 

  • 1-1 Padre José de Barros Penteado
  • 1-2 Capitão Fernão Paes de Barros  e hexavô de Tiffany
  •      (Attenção: não confunde com outro Fernão Paes de Barros (ver supra) . Nao descende de este. . Ele tirou o mesmo nome e sobrenome do tio-bisavô materno de Sao Roque. Fazendeiro potentado e rico e irmâo de Pedro Vaz de Barros, o moço, avõ de Fernao aqui..)
  • 1-3 Manoel Corrêa de Barros
  • 1-4 Anna Pires
  • 1-5 Maria Leite da Escada
  • 1-6 Maria Dias de Barros
  • 1-7 Luzia Leme Penteado


Manoel Correa e Beatriz de Barros  primos, ambos pelo lado das respetivas mães. Tiveram como antepassados em comum :Izabel do Prado ,(filha de Joao do Prado e Filippa Vicente) e  casada com Paschoal Leite  como se pode entender na dispensação matrimonial dos seus descendentes que segue :

dispensaçãoes matrimoniais:



Transcrição dispensação matrimonial de Manoel Correa Penteado/Beatriz de Barros e irmães/irmãos.

1º registro:
Reverendo Senhor Vigario da Vara

Expoemse acui por parte dos humildes oradores Manoel Correa
Penteado, e Beatris de Barros; Pascoal Leite Penteado e Luzia [Leme];
João Correa Penteado, e Izabel Paes; Joseph Correa Penteado e
Lucrecia Lemme, elles oradores irmãos legítimos e ellas oradoras tambem irmans (irmãs) legitimas e todos naturais e moradores nesta villa de São Paulo q (que) estão contratados p.a (para) se Receberem na forma do sag. conc.Trid. (Sagrado Concílio Tridentino) oq. (o que)
não podem fazer por serem parentes no terceiro p.a o quarto grao (grau) de consanguinidade como se ve da exposição seguinte: De sua ascenden(cia) Potencia Leite e Maria Leite foram irmans legitimas, de Potencia Leite
nasceo (nasceu) Clara de Miranda mae delles dittos oradores [ a traduzir]Maria
Leite foi mae de Maria Dias, da qual foi filha Maria Leite mae
dellas dittas oradoras. A cauza q (que) allegam p.a a dispensa he saberem ser oriundos de neophitis, posto q (que) em grao remotissimo, serem ellas oradoras
das pessoas principais desta villa e destes não se achar facilm.te huns
q (que) não sejam seus parentes, por se achar de prezente e família de [seos] progenitores muito estendida. E na fe de ser facil, e justa petição a dispensa 
há largo tempo q (que) recolheo o pae dellas oradoras aos dittos [oradores em] sua casa, de q (que) poderá resultar algum escandalo, posto q(que) [ilegível] se não tiver effeito esse contrato; demais q (que) elles oradores tem agencia 
e industria p.a sostentarem a ellas oradoras por meios licitos q (que) como elles agora tem mostrado, sem o encargo de irem ao sertão, calidade (qualidade) q.  (que) não achará nos mais [ilegível].

                                                                  Pello q (que)
P. P. Assim seia servido admittir a sua petição
e feitas as diligencias necessarias, remetter ao Illustrissimo
Snõr Bispo p.a q. Seja servido dispensar  com[ ilegível]
dittos oradores no impedim.to acima referido.

Justifique perante [ilegível]
SP. 3 de Outubro de 689 (1689)


O que conta este documento ? 

o Impedimento (3º para 4º grau)
Eles explicam que o parentesco vem de duas irmãs: Potência Leite e Maria Leite (as filhas de Paschoal Leite e Izabel do Prado)
De Potência nasceu Clara de Miranda, mãe dos noivos (os Penteado).
De Maria Leite nasceu Maria Dias, que foi mãe de Maria Leite, que é a mãe das noivas.
Conclusão: Eles são primos em um grau que a Igreja proíbe, por isso precisam da dispensa do Bispo.

Eles reforçam que as noivas são das "pessoas principais desta vila" (elite) e que a família é tão grande e estendida que é quase impossível achar alguém do mesmo nível social que não seja parente deles. Ou seja: ou casam entre primos, ou não casam com ninguém à altura.

O documento revela que o pai das moças  já "recolheu os ditos oradores em sua casa" há muito tempo. Isso é um argumento de pressão: eles já vivem sob o mesmo teto. Se o casamento não sair, o "escândalo" (suspeita de que já tiveram relações) destruirá a honra das moças, da familia e com isso da coroa.
O pai das "moças" era Pedro Vaz de Barros, nascido ca. em 1646 e filho de Antonio Pedroso de Barros e de  Maria Pires de Medeiros. Este Pedro Vaz de Barros (neto do governador do mesmo nome e de Luzia Leme) era muito rico, tambem membro da então "elite".  Era dono de um latifundiu gigantesco - Cataúna-   o que se pode entender da descriçao do Taques na genealogia paulistana, com 600 "almas" e teve capela privada o que era  importante na epoca. 
Além disso se entende que os 4 irmãos Penteado viveram no sitio "Cataúna" do Pedro Vaz de Barros, o moço e da parente deles que era Maria Leite de Mesquita, prima da mãe dos irmãos "Penteados". Mesmo Manoel Correa Penteado teve posiçao importante em Araçariguama 
Este Pedro Vaz de Barros o moço era filho de Antonio Pedroso de Barros e de Maria Pires de Medeiros e se haiva unido com o "topo" da hierarquia social da epoca.Havia se unido a riqueza nova dos "barros" com a antiguidade dos primeiros povoadores que lutavam pelo poder politico (Pires, Ines a matrona etc) . Pode-se dizer que teve uma especie de ascesa social  de um lado dos Barros o que era importante na epoca e faz parte da historia mesmo hoje.
Mentre os 
 "famosos" e ricos irmãos Pedro Vaz Guassu e Fernao Paes de Barros em Sao Roque foram ricos, mas tiveram muitos filhos ilegitimos e um nunca foi casado, o irmão deles, Antonio se uniu com os importantes Pires.

O termo "neófitos" na petição faz na minha opiniao mais sentido como estratégia jurídica da epoca. Nao significa cristao-novo em 1686 como as vezes hoje vem interpretado. Eles e a igreja, na epoca,  teriam usado o termo "cristao-novo" nao neofito.
Pode fazer sim riferimento à mestiçagem, mas muito provavelmente na petiçao eles entenderam a "antiguidade" da familia e da fé catolica em Brasil  (como escrito supra) que teve raizes até entre os primeiros povoadores como os dos Leme ou Pires e Izabel do Prado e Pascoal Leite, etc.e assim reforçando um "linhagem" puro, fiel e catolico e assim fiel à coroa. 
Era a esposa de este Pedro Vaz de Barros, Maria Leite de Mesquita, a parente da mãe dos Penteados e como  eles era descendente de Isabel do Prado e Pascoal Leite. Muito provavelemente a riueza do Pedro Vaz de Barros havia vindo da familia dela. 

"Sem ir ao sertão" foi o aspecto economico e moral. 
Os noivos Penteados referem que haviam bastante meios para sustentar as esposas sem ir no sertao. Parece que para a igreja um noivo que não ia ao sertão era um "bom partido" porque o casamento é um sacramento que visa a constituição de uma família cristã. Alguém que "vai ao sertão" nas bandeiras podia ficar ausente por 2, 5 ou até 10 anos, ou simplesmente morrer e nunca mais dar notícias.
Muitas mulheres ficavam em uma situação jurídica e moral complicada, sem saber se eram viúvas ou casadas.
A solução: Se os Penteados ficavam em casa ("sem o encargo de ir ao sertão"), a Igreja tinha a garantia de que o lar seria estável, os filhos seriam criados na fé e o sacramento não seria abandonado.O sertão era visto pela Igreja como um lugar de perdição moral. Longe das vilas e dos padres, os bandeirantes frequentemente viviam em concubinato com indígenas ou cometiam violências.Um noivo que permanecia em Quitaúna ou em una vila era um homem "sob a vigilância" do clero e da família.
Ao casarem esses jovens que "já viviam na mesma casa", a Igreja evitava o pecado do sexo pré-matrimonial e garantia que eles vivessem "em face da Igreja", seguindo os preceitos do Concílio de Trento.
Sicuramente eles pagaram para esta dipensaçao.
Sem ir no sertao significava tambem que foram ricos e "homens bens ou de qualidade", senhores de terras e escravos, de negocio, nao militares.

*Grafico parentesco Beatriz de Barros e Manoel Correa Penteado


Grafico parentesco de Manoel, Joao, Paschoal e José Correa Penteado e
de Beatriz, Izabel Paes de Barros e  Lucrecia e Lucia Leme de Barros


Avós/ tronco comum: 
Izabel do Prado (filha do Joao do Prado e Filippa Vicente), casada com Paschoal Furtado Leite)

1° grau: as filhas que são irmâes: 
1. Potencia Leite, 
2. Maria Leite

1. Potencia Leite c/c com Antonio Rodrigues de Miranda, pais de 
1.1. Clara de Miranda

2. Maria Leite c/c com Pedro Dias Paes Leme, pais de 
2.1.Maria Leite (Dias)

2° grau: Neto/a: (e primas entre si)
1.1.   Clara de Miranda c/c com Francisco Rodrigues Penteado, pais de 1.1.1.
2.1.   Maria Leite (Dias) c/c com Domingos Rodrigues de Mesquita, pais de 2.1.1.

3° grau: bisnetos e bisneta (primos em 2.grau)
1.1.1.    a) Manoel, b) Joao,  c) Joseph (José), d) Paschoal, (filhos de Clara de Miranda)
2.1.1.     Maria Leite de Mesquita, (filha de Maria Leite (Dias)

4° grau: trinetas (primas de 1.1.1. a-d): 

Beatriz, Isabel, Luzia, Lucrecia, (filhas de 2.1.1.)


Sobre parentesco e consanguinidade

1. Parentesco
Parentesco é a relação que une duas ou mais pessoas por vínculos de sangue (descendência /ascendência) ou sociais (sobretudo pelo casamento).

O parentesco estabelecido mediante um ancestral em comum é chamado parentesco consanguíneo, enquanto que o criado pelo casamento e outras relações sociais recebe o nome de parentesco por afinidade. 
Parentesco é tambem o vinculo de sangue existente entre duas ou mais pessoas com um ascendente comum. 
O ascendente comum chama-se TRONCO, e os laços que o ligam a cada um dos seus descendentes chamam-se LINHAS

Chama-se de parentesco em linha reta quando as pessoas descendem umas das outras diretamente (filho, neto, bisneto, trineto, tataraneto, etc), e parentesco colateral quando as pessoas não descendem uma das outras, mas possuem um ancestral em comum (tios, primos, etc)


2. consanguinidade
Consanguinidade - é a afinidade por laços de sangue.

É o grau de parentesco entre indivíduos com ascendência comum. Pode-se medir o quanto um determinado indivíduo é consanguíneo com outro através da medida chamada "grau de consanguinidade".

O Direito Civil e o Direito Canónico não são sempre coincidentes na contagem dos graus de parentesco. Os grau canónicos de parentesco, sâo diferentes. Aqui, conta-se um grau por geração, a partir do tronco comum.

Assim, os irmãos são parentes do 1º grau de consanguinidade,

os primos-direitos do 2º grau,

os primos segundos do 3º grau e assim sucessivamente.

No caso de haver diferença de geração, diz-se que são parentes dentro do grau sénior. Assim, por exemplo, tio e sobrinho são parentes dentro do 1º grau.


Os 7 filhos de Beatriz de Barros e Manoel Correa Penteado 

1. Padre José de Barros Penteado faleceu nas minas de Mato Grosso deixando grande fortuna que repartiu em legados pios deixando 4.000 cruzados a cada um de seus sobrinhos.  

2. Fernão Paes Penteado, depois Paes de Barros (hexavô de Tiffany). 

Nasceu em Araçariguama, Município de S. Roque (SP). Em 03 de Outoubre 1731 casou na Freguesia da Sé, S. Paulo (SP) com Ângela Ribeiro Leite (ou de Cerqueira), filha de Francisco Leite Ribeiro e Maria Cerqueira Paes.
Note : o pai de Francisco Leite Ribeiro era primo de Manoel e tambem de Beatriz, ! O pai de Francisco (mesmo nome e sobrenome) era como Manoel descendente de 1. Potencia Leite c/c com Antonio Rodrigues de Miranda [ver grafico supra], sendo seu avó paterno  Pascoal Leite de Miranda, irmão de Clara de Miranda.e assim primo de ambos os pais de Fernão que foram Manoel e Beatriz ).

Fernão e Angela foram pais de: 

2.1. Maria de Cerqueira Paes ; 
2.2. Ana Matilde (religiosa congregada),
2.3. Francisco de Barros Penteado; 
2.4. Custodia Celia de Cerqueira;
2.5. Capitão José de Barros Penteado; ele foi para as minas com seu irmão Antonio.
2.6. Capitão Antônio de Barros Penteado (5° avó de Tiffany), o patriarca dos "Paes de Barros" na cidade de Sao Paulo, na era imperial  bastante importantes, pai do barâo de Itu, barão de Piracicaba, Genebra de Barros Leite para citar os mais famosos dos seus filhos..;  
2.7. Manoela Perpétua de Cerqueira;
2.8. Potência Leite;
2.9. Inácio de Barros Penteado e
2.10. Maria Rosa de Cerqueira Câmara.

note: ninguem dos filhos de Fernao Paes de Barros com o sobrenome "Paes de Barros". Isso somente desde 1860 foi usado com a nova moda de usar sobrenomes.

Fernão Paes de Barros alias Paes Penteado faleceu em 1755 em Santana do Parnaíba (SP).completamente aruinado como refere Silva Leme: 


" E tradição, refere-nos Silva Leme, que o capitão Fernâo Paes de Barros tendo sido fiador de um hespanhol que, tentando desviar o rio Tieté num lugar denominado Rasgão, abaixo de Pirapora, perdeu todo seu trabalho, compromettendo ao mesmo tempo os haveres do fiador, deixando-o em condições precarias de fortuna. Entretanto, seus filhos se dirigiram as minas e adquiriram novo cabedal em ouro.
O Rasgão é uma prova do grande esforço dos parnahybanos em busca do ouro. Queriam desviar o curso do Tieté, numa grande volta que elle faz, para exploração da areia em secco. Não conseguiram finalizar a obra gigantesca por difficuldades em rochas durissimas. Estas eram arrebentadas pelo processo primitivo: aqueciam-nas com o calor de enormes fogueiras, que as envolviam em todas as dimensões e, com repetidos jactos de agua, ellas se partiam. Depois, com alavancas ou picaretas, extrahiam os pedaços. As pedras mais compactas não cederam à exhaustiva operação e o trabalho ficou parado tambem por difficuldades financeiras.
O Rasgão fica a sete kilometros de Pirapora e, segundo a tradição, é todo aurifero. Attribuem a direcção do primeiro córte, uns aos moradores de Araçariguama, naquelle tempo do termo de Parnahyba, e outros a Fernão Paes de Barros, cujas finanças se arruinaram por completo, pela fiança a um emprestimo de seu amigo hespanhol.
(fonte: http://www.rootsweb.ancestry.com/~brawgw/parnaiba/sph44.html )




3. Manoel Corrêa de Barros,nascido em 1695  casou-se em 1742 em Itu com sua prima Maria de Campos f.ª de Manoel Ferraz de Campos e de Anna Ribeiro. 
Manoel Corrêa de Barros faleceu em 1779 em Parnaíba com 82 anos de idade.

Manoel e Maria tiveram entre outros Francisco Xavier Paes de Barros que casou com Anna Joaquina de Morais.
Estes ultimo eram os pais do primeiro barão de Campinas, Bento Manoel de Barros, nascido em 1791 em Araçariguama Ele està sepultado na Capela-mor da Igreja de Nossa Senhora de Boa Morte em Limeira.





4 Anna Pires casou-se com Antonio Dias da Silva  "o papudo" f.º do capitão João Dias da Silva e de Izabel da Silva.. Antonio "o papudo" 
ocupou  "os honrosos cargos, para a Vila Boa de Goiás, onde foi o 1.º juiz ordinário depois de aclamada vila" 



5 Maria Leite da Escada casou-se com o capitão André de S. Paio Botelho, de quem foi a 1.ª mulher. Faleceu Maria da Escada em 1727 em Parnaíba (lesa do juízo o que significa
que era  fora de seu juízo", ou seja, em estado de alienação mental, demência ou loucura.).



6 Maria Dias de Barros casou-se com o português o capitão Francisco Gonçalves de Oliveira, natural de Viana do Minho, Portugal. Era 
Capitão de Ordenanças de Parnaiba.

 

7 Luzia Leme Penteado,  tirou dispensa em 1719 para casar-se com seu tio materno Manoel Pedroso de Barros filho de Pedro Vaz de Barros e de Maria Leite de Mesquita e irmão de BEATRIZ DE BARROS a mae de Luzia... Não sabemos se chegou a efetuar o casamento, ou se teve geração.  
"Manuel, nascido por 1690. Em 1719 (e não em 1712 como está na GP do Silva Leme) entrou com pedido de dispensa para casar com sua sobrinha Luzia Leme, alegando que
por desgraça deflorou o orador a oradora” e “pelo brio de seus irmãos e mais parentes” corriam ambos risco de vida, só sanável pelo casamento. "

QUE TEMPOS.....! O "brio" significava que:

Se Manoel não casasse com Luzia, os irmãos Barros e parentes Penteado (entre eles tive primos que foram clerigos jesuitas) poderiam matá-lo legalmente para "lavar a honra" da família "com sangue".
Teve pressão social: O escândalo de um tio com uma sobrinha era incestuoso perante a Igreja e degradante perante a Vila. A dispensa era a única forma de transformar um crime/pecado num "contrato de família".
A Igreja proibia casamentos até o 4.º grau de consanguinidade (primos segundos).

Efeitivamente relutou a igreja a dar a dispensa por ser o parentesco muito próximo, resultando em um longo processo, ouvidas que foram inúmeras testemunhas. (ACMSP, Dispensas Matrimoniais, 1718-1720, cod. 8-4-2)"


nâo sei se casaram e tiveram filhos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

o violâo do Sebastião Paes (de Barros)

attualizado 09.05.2019 por Tiffany


Sabe-se através dos inventários bandeiristas que, na região de Piratininga, tocava-se guitarra (inventário de Catharina d'Horta, 1626), sistra (inventário de Francisco Leão, 1632) e violas e harpas, uma das quais pertencera ao bandeirante Sebastião Paes (de Barros), inventário de 24.12. 1688, e outra, que figura no testamento de Affonso Dias de Macedo, em 1703, explicitada como viola de pinho do reino).
Há poucas referências documentais à música praticada, nesse período, na região de São Paulo, e os únicos documentos musicais conhecidos, datados da primeira metade do século XVIII.
Ainda sobre o assunto, Paulo Castagna (2000) reitera a questão citando vários documentos históricos referentes a processos de inventários registrados no Brasil entre os anos de 1604 e 1700,54 arrolando entre os bens, inclusive violas, resumindo sua importância e presença em ambos contextos:

  • -"Viola, de propriedade de Mécia Roiz, São Paulo entre 01/08/1605 e 04/02/1606.................160 reis
  • - Viola/guitarra, de propriedade de Paula Fernandes, São Paulo - 19/09/1614..........................640 réis.
  • - Viola, de propriedade de João do Prado, São Paulo.23/09/1615........................................1,280 réis.
  • - Viola, de propriedade de Balthazar Nunes, SãoPaulo - 06/1623.........................................1,280 réis.
  • - Viola, de propriedade de Leonardo do Couto,Parnaíba - 03/08/1650...................................320 réis.
  • - Viola, de propriedade de Sebastião Paes de Barros, Parnaíba - 24/12/1688................2,000 réis.
  • - Viola, de propriedade de Afonso Dias de Macedo Itú - 20/03/1700.............sem informação de preço".
fonte: Lista no ensaio de "gestao de iniciativas sociais", pag. 35 

O capitão Sebastião Paes de Barros (I) ,  falecido em 1674,  (pai do Sebastaio Paes (ou Pedroso de este postagem) , foi filho de Pedro Vaz de Barros e Luzia Leme e irmão de Antonio Pedroso de Barros (9° avô de Tiffany) de Fernão e de Lucrecia (veia mais sobre eles adiante) e mais outros.
Sebastiao Paes de Barros  era ou que até hoje se chama "um sertanista e bandeirante" que Silva Leme estuda no volume III de sua «Genealogia Paulistana», pg. 502. e que principalmente era em busca de ouro e minerais  !

Também muito notável pelos serviços prestados à coroa; esteve a partir de 1670 na qualidade de cabo em Tocantins e no Maranhão com o governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho. Datada de 24 de abril de 1674, há uma Carta do Príncipe Regente D. Pedro, futuro D. Pedro II, a ele dirigida como Cabo da Tropa do Sertão do Maranhão:

"Cabo da tropa da gente de São Paulo vos achais nas cabeceiras do rio de Tocantins, e Grão Pará», isto é, sertões do rio São Francisco e do atual Estado do Piauí até as margens do Tocantins, no Maranhão. Exortando-o a remeter a Portugal amostras dos minerais descobertos. "
Mas Sebastião morreu pouco depois no sertão, ainda em 1674, levando consigo o segredo das descobertas. Quando ali chegou o clérigo Antônio Raposo, paulista que vinha de Lisboa para se lhe reunir, não mais o encontrou.

Sebastião Paes de Barros (I) foi casado com Catarina Tavares, filha de Francisco de Miranda Tavares e de Isabel Pais Borges de Cerqueira, por esta, neta de Simão Borges de Cerqueira e de Lucrécia Leme, parente dos Vaz de Barros. Faleceu Catharina Tavares em 1671 e seu marido em 1674. Eles tivem os seguintes filhos: 

  • 1-2 Antonio Pedroso † solteiro § 2º
  • 1-3 Lucrecia Pedroso § 3.º
  • 1-4 Izabel Pedroso § 4.º
  • 1-5 Luzia Leme § 5.º
  • 1-6 Leonor Leme § 6.º
  • 1-7 Sebastião Pedroso § 7.º  chamado depois Sebastiao Paes 
POREM, 
nos Subsídios à Genealogia Paulistana por Regina Junqueira, projeto compartilhar, se refere o seguinte : 
Declarou o Capitão Sebastião Paes de Barros ter tido de seu casamento dois filhos e cinco filhas que segundo seu inventário foram:
  • 1. A mulher de João Coelho da Fonseca, não nomeada no inventário, mas seu marido é chamado às partilhas. Provavelmente a mais velha das filhas, seria já casada na abertura do inventário.
  • 2. Lucrecia Pedroso, nascida por 1658, em 28-5-1679 já casada com Miguel Soares Ferreira
  • 3. Joana de Barros, nascida por1660 (substituída por Izabel de Pedroso na GP, numéro 1-4 supra)
  • 4. Luzia Leme, nascida por 1661, legatária da terça do pai juntamente com a irmã Leonor 
  • 5. Leonor Leme, nascida por 1667
  • 6. Sebastião Paes (1-7 Sebastião Pedroso na GP supra), nasceu por 1663 e faleceu em 1688O violão vendido foi de sua propriedade.
  • 7. Antonio Pedroso, provavelmente o primogênito, faleceu nos sertões do Maranhão juntamente com o pai
No inventario de Sebastião Paes lémos:
O Capitão Sebastião Sutil de Oliveira por ordem do Capitão Thomé de Lara de Almeida e por eles foram apresentados os bens que o defunto Sebastião Paes possuia os quais são os que adiante se seguem e neles se quer pagar o dito Capitão Thomé de Lara de 108$000 rs que é a dever o dito defunto o que tudo consta ao Capitão Fernão Paes de Barros *) o qual é consentidor á satisfação do pagamento do muito ou pouco que os ditos bens renderem ou derem sendo vendidos em praça como é licito dentro no tempo do licito o que dispõe a lei serão entregues ao dito Thomé de Lara para deles dispor como seus e pagar-se neles no valor em que forem avaliados e o dito juiz houve por desobrigado ao dito Capitão Fernão Paes de Barros e a Manuel de Abreu a Domingos Paes obrigações do dito Capitão Fernão Paes (...).
Avaliações: soma a fazenda lançada 53$140 rs.
Arrematações.
*) nota por Tiffany: 
este capitão Fernão Paes de Barros, que herdou/comprou o violão, era tio de Sebastião Paes (II), sendo irmão  do sertanisata Sebastiao Paes de Barros (I), pai do guitarrista de este postagem. Este Fernão faleceu em 1709 e foi o fundador da capela de Santo Antonio no seu sitio em Araçariguama (São Roque). Como refere Pedro Taques: "recebeu honrosíssima carta firmada pelo punho do rei Dom Pedro em 1678 -Quando se estabeleceu a paz de Holanda em cinco milhões, e o casamento da infanta de Portugal d. Catharina em dois milhões pediu el-rei dom Pedro aos seus vassalos um donativo para o pagamento dos sete milhões, e Fernão Paes de Barros se distinguiu entre os mais paulistas, dando para o dito chapim em moeda corrente 600$. Vindo a S. Paulo o fidalgo dom Manoel Lobo em 1679, pelo qual o mesmo príncipe dom Pedro escreveu à Fernão Paes a carta de que acima fizemos menção, "  Sobre este sitio de Santo Antonio tem ampla informaçâo e faz tambem parte da historia da igreja e o desenvolvimento social.
Fernão foi pai de Inacia Paes de Barros,  filha  ilegitima com uma crioula e herdeira de muitos de seus bens. Dizem que dela e do seu segunod marido, Joao Martins Claro, descendam os irmãos Arthur e Fernando Paes de Barros, os fundadores de Mato Grosso. Leia mais aqui: Artur e Fernando Paes de Barros

Thomé de Lara, em vez era genro de Antonio de Almeida Pimentel e de  Lucrecia Pedroso de Barros,  Lucrecia era tia do violeiro Sebastiao Paes .Refere a genealogia paulistana  que Antonio de Almeida Pimentel foi de conhecida nobreza pela qual teve em S. Paulo e na Bahia grandes estimações.  Teve com Lucrecia Pedroso um unica filha que era Maria de Almeida Pintel, a qual casou com o dito capitãoThomé de Lara. Este ultimo era capitâo em Sorocaba
Resumindo: Ficou todo "na familia" e parece ter sido um objeto de muito valor e prestigio.

Nada mais em vez encontrei sobre o Sebastiao Paes, o violeiro ou guitarista. Além de um violão ele tambem possuí uma harpa com chave. A harpa era utilizada frequentemente desde o sec. XVII, principalmente nas igrejas, sendo depois substituida pelo orgão para missas cantadas.

Seja que Sebastiao Paes, filho mais novo de um "sertanista" era um musico, um mestre de capela  com um grau elevado de instrução que ajudou a formar os jovens para as festas religiosas e missas cantadas nas irmandades e igrejas ? 
Nas festas religiosas participavam toda comunidade local ou seja indios, mulatos e brancos, cada grupo etnico com sua cultura espécifica. A musica nesse processo era elemento social, podendo criar a consciençia e integraçâo social que na epoca  era no poder da igreja.
Seja no lado da familia de Beatriz de Barros e na do lado de Manoel Correa Penteado tem clérigos ou padres na familia que fazem parte em esta evoluçao social na historia de Sâo Paulo e do Brasil.

Historia

O primeiro instrumento de cordas que se tem notícias que chegou ao Brasil foi a viola de dez cordas ou cinco cordas duplas, muito popular entre os portugueses e precursora do violão, trazida pelos jesuítas portugueses que aqui chegaram para catequisar os índios e a usavam durante a catequese.
A coroa Portuguesa objetivava levar as suas colônias o trinômio de sua colonisaçâo que significa, o rey, a lei a a fé. A fé ficou a cargo dos Jesuitas com Manoel da Nobrega.Necessitou de mais braços para a atividade de evangilzação do Brasil a assim chegou no 1553 Padre José de Anchieta.

Todo o processo de catquese é na verdade intervençao intencional em valores culturais. Para catequisar os jesuitas criaram uma lingua artificial de nome nhengaatu.

Para conceitos e objetos estranhos à língua emprestaram-se inúmeros vocábulos do português e espanhol. A essa mistura deu-se o nome ie’engatu, que significa "língua boa". Não se falava o portugues até o final do sec. XVIII, mas o nhengaatu. sendo usada não apenas por índios e jesuítas, mas também como língua corrente de muitos colonos de sangue português.
Segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, até fim século XVIII, em São Paulo, falava-se a língua geral, o "nhangatu", uma derivação do tupi. Foi uma língua imposta pelos missionários, até hoje ouvida em alguns locais da Amazônia.
Padre Anchieta percebeu que os povos indigenos mantinham uma relaçao com o mundo sagrado tendo sempre a musica como strumento de intermediação. Anchieta assim realizava dramatzações com os indigenas, nas quais associava as coisas de natureza (terra, animais, plantas) estranhas ao mundo europeo. Tratou de aprender danças e melodias indigenas nas quais inseriou textos liturgicos em tupi.

Essas danças sâo ainda hoje presentes na musica dos caipiras: cururu e cateretè.

Em 1584, José de Anchieta em sua "Informação do Brasil e suas Capitanias", referindo-se a uma das aldeias de índios do colégio da Bahia, relata:
"(...) les enseñam a cantar y tienem su capilla decanto y frautas para sus fiestas, y hazen sus dançasa la portuguesa com tamboriles y vihuelas com muchagracia, como si fueron muchachos portugueses".
Presente em diversos segmentos sociais da população, especialmente nos ambientes populares, o cultivo da viola também se deu nos meios aristocráticos representando para estes não um meio de vida, mas sim um recurso a mais em seu grau de instrução, voltado para a prática diletante do fazer musica como elemento de distinção social (!). Assim é que Pedro Taques de Almeida Paes Leme, em sua "Nobiliarchia Paulistana", publicado em São Paulo no ano de 1926, relata sobre a decisão de Salvador Correia de Sá em contratar os serviços de Francisco Rodrigues Penteado como professor de viola de seus três filhos, no ano de 1648:

A nobre família dos Penteados teve origem em São Paulo em Francisco Rodrigues Penteado, natural de Pernambuco, para onde veio ser morador seu pae Manoel Correa com casa, saindo de Lisboa; e em Pernambuco se estabeleceu com negocio grande.
Tendo este filho Francisco Rodrigues Penteado ( 8° avô de Tiffany*) já bem instruído em artes liberais, sendo excelente e com muito mimo na de tanger viola, e destro na arte da música, seu pai o mandou a Lisboa sobre dependência de uma herança que ali tinha; o filho, porém, vendo-se em uma corte das mais nobres da Europa e com prendas para conciliar estimação, cuidou só no estrago que fez do cabedal que recebeu, consumindo em bom tratamento e amizades:Refletindo depois que não estava nos termos de dar satisfação da comissão com que passara de Pernambuco a Lisboa, embarcou na frota do Rio de Janeiro com Salvador Correa de Sá e Benevides em 1648, o qual tendo de passar a Angola, como passou, para a restaurar dos holandeses, o deixou na cidade do Rio muito recomendado pelo interesse de instruir nos instrumentos músicos a suas filhas e ao filho mais velho Martim Correa com quem estava unido pela igualdade dos annos. Do Rio de Janeiro, pela demora em Angola do dito Salvador Correa de Sá, que ficou feito general daquele reino, passou para a vila de Santos Francisco Rodrigues Penteado;e já desta vila subia para São Paulo contratado para casar com uma sobrinha de Fernando Dias Paes,[Clara de Miranda, nota por Tiffany] que foi quem o ajustou para este casamento".
*) nota por TiffanyFrancisco Rodrigues Penteado (o velho) era dono das terras onde foi costruida em 1653 a capela da nossa Senhora da Penha em Pirapora. Seu filho, Manoel Correa Penteado,  casou-se em ca 1689 com Beatriz de Barros, (sâo os 7°s avós de Tiffany). Manoel era  proprietaio de grande fazenda e cultura em Araçariguama onde teve as redeas de governo e foi pessoa de autoridade e venearação. e aqui a "distinção social". [efeitivamente foram 4 irmãos Correa Penteado que casaram com 4 irmâs de Barros] 

Sua esposa Beatriz de Barros, era uma prima de Sebastiao Paes  Ela era a neta paterna de Antonio Pedroso de Barros, rico e potente dono de 600 indios na sua fazenda denominada Apoterebu. Este Antonio Pedroso de Barros era primo paterno de Sebastiao Paes, sendo Antonio Pedroso de Barros tambem irmâo de Fernão Paes de Barros, de Lucrecia e de Sebastião Paes de Barros (supra citados).
Leia mais aqui sobre Beatriz de Barros

Musica e os bandeirantes:
Os "Inventários e Testamentos" revelam um amor do paulista pela música, apesar do período tumultuário que atravessa no século XVII.

Efeitivamente é curioso pensar ao bandeirante tocar o violâo. Não acho que foi vida romantica como referido nas pinturas. Sobre a vida dos bandeirantes se sabe bem pouco e as descriçoes sobre eles risultam do sec. XIX ou "Romantismo" quando foi "costurido" ou formulado o "mito" sobre os bandeirantes paulistas.

A pesquisa histórica revela uma realidade bastante diferente: a maioria dos bandeirantes andava descalça e com roupas muito simples. Na verdade, todas as imagens que vemos dos bandeirantes foram feitas muito tempo depois da época em que eles viveram. Não existem retratos de bandeirantes realizados no momento em que esses homens viveram. Por isso, nada sabemos sobre suas fisionomias e pouco sobre como andavam vestidos pelos sertões.

Expedições que geralmente partiam de São Paulo e eram organizadas com o fim de capturar índios e  sobretudo encontrar ouro e pedras preciosas, as bandeiras existiram do século 16 ao 18.

A captura de indígenas para serem vendidos como escravos foi a base da economia paulista até o século 17. Naquela época, essa prática era tão lucrativa que era chamada de "negócio do sertão". No período que vai de 1630 a 1680, algumas fazendas tinham mais de cem escravos índios.

Seja em busca de ouro e outras pedras preciosas, seja em busca de índios para aprisionar e vender, os bandeirantes enfrentavam uma série de perigos e desconfortos: ataques de onças; picadas de cobras, aranhas e insetos; doenças; sem falar na própria resistência oferecida pelos indígenas...
E foi provavelmente no istante que o bandeirante regressando das selvas onde ele havia passado meses, embora da casa e gente, tocou o violão. Talvez o tocou e cantou nas festas religiosas nas vilas onde os homems e as mulheres se reuniram para os ritos religiosos, dançando a caterete dos povos indigenas.As mulheres e crianças que para muito tempo permanecevam nas fazendas com os escravos para coltivar as terras, talvez cantavam no trabalho. Muitos deles tambem jà com raizes indigenas, filhos de mâes indigenas e assim com cultura de musica indigena e branca, tocando o violão e a guarapeva, chocalhando maracás, etc.E como acima descrito de seguro foi tambem importante saber tocar o violão para razões de "prestige" e um certo "ser nobre".

(texto: " historias e lendas de Santos, Novomilenio)
Certo é que a partir do século XVI os portugueses levaram a viola a todas as regiões coloniais, incorporando-a nas culturas locais, entre outras, das ilhas da Madeira, Cabo Verde, Açores e também do Brasil. A esse respeito documentos existentes atestam inúmeras atividades artísticas desenvolvidas a bordo das naus portuguesas, inclusive vindas para o Brasil, desde o século XVI, resumindo especialmente teatro, diálogos e comédias, e dança, sempre acompanhadas por música.

Historia do violão
Tudo começou em Portugal. Inspirados em alguns instrumentos árabes esquisitos, como o alaúde (foto ao lado), os portugueses tiveram a excelente ideia de criar um instrumento de 10 cordas. As violas portuguesas/espanholas chegaram ao Brasil trazidas por colonos portugueses de diversas regiões do país A origem do Violão não é muito clara, pois existem, segundo musicólogos, várias hipóteses para o seu aparecimento. A primeira hipótese é de que o Violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.
A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha. Isso se pode comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão (1221-1284), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos que coexistiram nessa época na Espanha.

No século XIV, Guillaume de Machault cita em suas obras a guitarra mourisca e a guitarra latina no século XVI na Espanha, a guitarra mourisca, com quatro coros de cordas, era usada para acompanhar cantos e danças populares, enquanto que a guitarra latina – a vihuela, pertencia ao músico culto da corte.
A Vihuela tinha três denominações distintas: vihuela de mano (em nada diferente do violão atual), vihuela de arco e vihuela de plectro.
A Vihuela de mano constava de cinco cordas duplas mais a primeira que era simples. Os vihuelistas além de precursores dos guitarristas do século XVII, foram também criadores de métodos e formas musicais que serviriam de base para toda a música instrumental que viria depois. A vihuela é um instrumento que alcança seu máximo esplendor na península Ibérica durante o século XVI, em torno de um ambiente cortesão e sobre as capelas musicais de reis e nobres. 
Mas seria um erro pensar que seu âmbito ficou reduzido a península, tendo em conta as contínuas viagens de Carlos V e Felipe II por toda a Europa. Assim mesmo, se repassarmos os inventários de instrumentos musicais nas cortes espanholas, observaremos uma evidente presença de alaúdes, que na Espanha era conhecido como vihuela de Flandres, o qual nos faz pensar em uma convivência de ambos os instrumentos. 
Quando chegou ao Brasil no início da colonização, a viola gozava de imensa popularidade em Portugal. Parte expressiva da produção musical renascentista portuguesa foi produzida para viola. No seio do povo era também um instrumento popular. Gil Vicente refere-se à viola como instrumento de escudeiros.
Assim no Brasil os instrumentos indigenas e portugueses/espanholas se fundiram na criaçao de musica na conolização do Brasil. Invéntarios apontam a presença de violas em Sâo Paulo a partir de 1613.

Havia, também, música para acompanhar as funções religiosas, entoadas por vozes, rabecas, baixão e, na falta de órgão ou outro instrumento de tecla, harpa ou viola.

"Pouco sabemos da prática da viola no Brasil no século XVI. O musicólogo José Ramos Tinhorão (1990) afirma que "a mais antiga referência expressa a versos cantados pelo personagem de uma comédia encenada em 1580 ou 1581 na matriz de Olinda, por ocasião da festa do Santíssimo Sacramento, aparece nas "Denunciações de Pernambuco", de 1593, confirmando desde logo a ligação da viola com a canção citadina". No Sudeste, ela está presente em inventários a partir do início do século XVII. Em 1613, violas foram catalogadas em espólios deixados na cidade de São Paulo.

O padre José de Anchieta, o mais importante nome no processo de catequese dos indígenas no início da colonização do Brasil pelos portugueses, sustentou todo o seu projeto pelo uso da música e das práticas teatrais. Ele percebeu que os indígenas, com os quais travou contato, utilizavam a música como veículo de intermediação com o mundo sagrado. O general Couto de Magalhães (1940), sertanista brasileiro que viveu no século XIX, afirmou, em seu clássico "O selvagem", que o padre Anchieta se utilizou do cururu e do cateretê, duas danças de origem tupi, para catequizá-los. Para isso inseria textos litúrgicos nas melodias e danças desses índios. Anchieta tratou de aprender o tupi-guarani e o trouxe para um molde de estruturação gramatical latino inserindo termos em espanhol e português aos vocábulos faltantes na língua. Essa língua recebeu o nome de nheeng'atu. Seria plausível imaginarmos que a viola, instrumento harmônico, pode ter sido utilizada nos acompanhamentos dessas danças, pois até hoje a utilizamos para acompanhar o cururu ou o sapateado e palmeado do cateretê. Junto das violas, os portugueses tocavam também flautas, pifes, tambores e gaitas, e aliaram a isso as maracas, buzinas e flautas indígenas.

A viola, desde então, fez parte do cotidiano do povo que aqui foi se criando. Aos poucos foi se espalhando nas empreitas dos bandeirantes e tropeiros, e, em emergentes cidades como Recife, Salvador e Rio de Janeiro, sua prática tornou-se habitual. "

texto por Ivan Vilela, 2010 


Fontes e textos citados: 
  • Projeto compartilhar
  • Gestao de Iniciativas sociais
  • Genealogia Paulistana,
  • musica de Sao Paolo - Ivan Vilela (pdf)
  • a musica na cidade de Sao Paulo - Claudia Aparecida Polastre 2008
  • historia do violão
  • historias e lendas de Santos
  • caipira e viola brasileira
  • Wikipedia

terça-feira, 20 de setembro de 2011

do qual " DE BARROS" você descende ?- O sobrenome no Brasil não indica um conceito da "casa"

Sobrenome no Brasil - Confusão e difficuldades! 


attualizado 10.04.2019 por Tiffany 

Segundo algums descendentes nenhum Pais de Barros grafa o sobrenome dessa forma, mas sim Paes de Barros, que é uma grafia arcaica. Me escreveu um historiador que no Brasil, as normas ortográficas não são muito respeitadas e os sobrenomes muitas vezes são escritos de forma antiquada, como acontece por exemplo em inglês.  



Efeitivamente segundo o Formulario Ortogràfaico : 


"A grafia original do nome de biografados, , deve ser atualizada conforme a onomástica estabelecida a partir do Formulário Ortográfico de 1943, por seguir as mesmas regras dos substantivos comuns (Academia Brasileira de Letras – Formulário Ortográfico de 1943). Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa (Acordo Ortográfico de 1945 e Acordo Ortográfico de 1990). A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).

isso significa que nos estudos historicos o nome deve ser escrito PAIS de Barros e no foro privado na forma arcaica PAES de Barros...

Quando eu comencei a estudar as arvores genealogicas dos vários de Barros, teria muitos diferentes sobrenomes como : Barros, de Barros, Barroso, mesmo Bayros ou Bairros etc. etc. A coisa mais confusional foi o que no Brasil e no Portugal os filhos e as filhas nao teriam sempre o sobrenome de familia paterna como nos pais da Norte Europa. Depois na Europa não são permitidos os sobrenomes duplos.

Acredita-se que no Portugal só depois o século XIX, a maior parte das pessoas de qualquer nível social tinha um sobrenome, ou sobrenomes, hereditários, fixos só em alguns casos. Fora da cultura portuguesa, este sobrenome tendia a ser patrilinear, único, e identificava a família como primado de identidade masculina, provendo assim uma ligação com o passado, e preservando sua identidade no futuro. Por esse fato no mundo fora da cultura portuguesa não é surpresa o fato de que antigamente a prioridade das famílias mais importantes fosse ter filhos homens para manter o nome, afinal, os filhos homens eram quem passavam o sobrenome para as novas gerações, e por essa razão era preocupante para uma família não ter nenhum descendente masculino. 

Por isso,em primeiro, eu mesmo tinha que entender como funciona o sistema de sobrenomes em Brasil. Isso é a causa porque eu chamo meu Blog "os Paes de Barros de São Paolo, Itu e Sorocaba...." isso para diferenciar e encontrar possivelmente membros desse meu ramo dos Paes de Barros e possivelmente fazer mais luz sobre outros ramos e seus descendentes que usam "Paes de Barros".

HISTORIA DOS SOBRENOMES

Desde a Idade Média e até ao século XVIII, em algumas zonas rurais portuguesas as pessoas eram conhecidas apenas pelo nome próprio, ao qual era acrescentado o patronímico (nome do pai), para os rapazes, e o matronímico, (nome da mãe), para as moças. Em casos mais raros podia o rapaz ser conhecido pelo matronímico, por exemplo, se não tivesse pai, ou a moça pelo patronímico, no caso, por exemplo, de o pai ser de uma família mais distinta do que a da mãe. A partir do fim da Idade Média, numa lenta transição das urbes (cidades) para o campo, e do litoral para o interior, os patronímicos tendem a fixar-se, transmitindo-se sempre o mesmo, já como sobrenome de uma determinada família que o usa em comum.

Nos documentos oficiais em Portugal por exemplo, na Chancelaria Régia portuguesa, os registros mencionam sempre o nome da pessoa, seguido do nome do pai dela, de forma a impedir confusões entre homônimos.

A necessidade de adicionar outro nome para distinguir as pessoas de mesmo nome próprio veio a ganhar popularidade. Então elas passaram a adicionar ao nome que declaravam, ou que assinavam, o apelido (sinônimo em português de alcunha ou sobrenome) por que os outros as distinguiam, ou então o nome da sua terra de origem:

Exemplos:

1º) João Anes, filho de um ferreiro, se diria João Anes Ferreiro, podendo passar essa alcunha/apelido aos seus descendentes.

2º) O filho de João Anes, de Guimarães, que passasse a residir em Barcelos, dir-se-ia João Anes de Guimarães.

3º) Este processo é paralelo e análogo aos membros da nobreza, que por serem muito conhecidos se assinam pelo nome das terras cujo senhorio pertence a sua respectiva família, explo: João Anes de Sousa, ou seja, João, filho de João, senhor ou dono das Terras de Sousa.

No século XI, época da Revolução Urbana na Europa, com a explosão da população nas, até então, pequenas cidades (urbes) medievais, pouco mais do que aldeias, o uso de um segundo nome se tornou tão comum nessas cidades subitamente crescidas, e onde as pessoas passaram a ter mais dificuldade em conhecerem-se todas entre sí, que em alguns lugares era mal visto/considerado não se ter um sobrenome.

Atenção: mesmo tendo sido este fenômeno de explosão da população o motivo do começo para todos os sobrenomes que existem hoje, grande parte dos nomes usado nas Idades Média e Moderna.....
não tem a ver com a família, isto é, nenhum era obrigatoriamente hereditário, até à implantação do registro civil.

No século XIV é adotado em Portugal a língua portuguesa para os registros oficiais, abandonando-se o latim até então utilizado para os registros. Isto paralelamente a outras nações européias, onde pelos anos de 1370 já se encontra a palavra sobrenome em documentos, nas respectivas línguas locais.

Mas sobrenome significando ainda, e tão somente, um segundo nome mais distintivo, livremente atribuído ou escolhido e não necessariamente transmissível, ou seja, não era o sobrenome no sentido contemporâneo do termo.

Note-se que, até ao séc. XVII, nem sequer a Família Real dispunha de sobrenome, sendo os seus membros apenas tratados pelos seus nomes próprios e seus respectivos títulos distintivos.

Até 1911, a adoção dos sobrenomes era liberal, isto é, as pessoas eram apenas batizadas com o nome próprio, e escolhiam livremente mudar esse nome próprio ao entrar na adolescência, época em que recebiam o Sacramento da Crisma, considerado um novo batismo, e que permitia, e permite, mudar o nome próprio, ou acrescentar-lhe outro.
Até 1911, por conselho da família ou vontade própria, o crismado escolhia qual ou quais os sobrenomes de família que passaria a assinar como adulto. Esses registros eram exclusivamente os da Igreja Católica que serviam oficialmente, quando preciso, na vida civil.

E assim : 

Não tem escolha senão verificar meticulosamente os nomes e sobrenomes dos pais para os indivíduos e os registros das igrejas para pesquisar !

Já em Portugal vigorava tanto entre a nobreza quanto entre o povo, o conceito de CASA, que era constituído pela noção de patrimônio familiar comum partilhado sob o comando do filho mais velho (no geral), na ausência de varões, sucediam as mulheres como senhoras da Casa que, em muitos casos transmitiram, e transmitem ainda, esse sobrenome da Casa à sua descendência. É o chamado sistema misto.

Na cultura portuguesa é costume os filhos receberem um ou mais sobrenomes de ambos os progenitores.
Também assim se procede na cultura hispânica porém note-se que, enquanto na portuguesa os sobrenomes maternos precedem os paternos na disposição final do nome completo, na Espanha e na América hispânica a ordem é a inversa.

Entre 1580-1640 sob a dominação da Espanha vigorou em Portugal a praxe espanhola do sobrenome do pai anteceder ao sobrenome da mãe.
(isso tanto para complicar a pesquisa sobre os meus varios antepassados direitos. não se sabe se a variante dos sobrenomes era a hispaniola ou portuguesa. 

Em Portugal o número máximo de sobrenomes permitidos é 4, o que permite o uso de sobrenome duplo quer materno, quer paterno, enquanto que na Espanha é de 2, mas esses dois podem ser duplos, unidos por hífen, resultando na realidade em quatro sobrenomes como em Portugal.
Já no Brasil e nos restantes países de língua portuguesa não existe essa limitação para o número de sobrenomes.

A partir do final do século XIX, por influência da burguesia francesa, tornou-se comum às mulheres portuguesas acrescentarem o sobrenome (ou duplo sobrenome) do marido aos seus sobrenomes sem, no entanto, perderem os seus próprios sobrenomes de solteira.
Assim, como norma geral, os pais têm filhos com sobrenomes completamente diferentes entre si.

Pelo texto o uso dos apelidos em Portugal de Antonio Machado de Farias aprende-se que a confusão sempre foi muito complexa:
Pois muitas vezes os filhos não derivam o sobrenome do patronímico do pai, mas usam o próprio patronímico do pai, outras vezes tomam o mesmo patronímico do avô paterno, ou avô materno, ou bisavô paterno, ou bisavô sogro do avô paterno, mesmo dos padrinhos.
Por conta dessa prática fica tudo muito confuso na compreensão dos sobrenomes na genealogia.

SOBRENOMES NO BRASIL:

Exemplo ilustrativo de um meu antepassado, tirado do Título: Penteado, Volume III, pg. 368 a 404, da Genealogia Paulistana de Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919), inspirada em Pedro Taques de Almeida Paes Leme (1714-1777):

Segundo escreveu Pedro Taques: >>A Nobre família de Penteado teve origem em S. Paulo em Francisco Rodrigues Penteado, natural de Pernambuco, para onde veio ser morador seu pai Manoel Corrêa  (heptavô de Tiffany) com casa, saindo de Lisboa; e em Pernambuco se estabeleceu com negocio grande. Tendo este filho Francisco Rodrigues Penteado (octavô de Tiffany), já bem instruído em artes liberais, sendo excelente e com muito mimo na de tanger viola, e destro na arte da música, seu pai o mandou a Lisboa sobre dependência de uma herança que ali tinha, o filho, porém, vendo-se em uma corte das mais nobres da Europa e com prendas para conciliar estimação, cuidou só no estrago que fez do cabedal que recebeu, consumindo em bom tratamento e amizades: Refletindo depois que não estava nos termos de dar satisfação da comissão com que passara de Pernambuco a Lisboa, embarcou na frota do Rio de Janeiro com Salvador Corrêa de Sá e Benevides em 1648, o qual tendo de passar a Angola, como passou, para a restaurar dos holandeses, o deixou (Francisco Rodrigues Penteado) na cidade do Rio muito recomendado pelo interesse de instruir nos instrumentos musicais a suas filhas e ao filho mais velho Martim Corrêa com quem estava unido pela igualdade dos anos. Do Rio de Janeiro, pela demora em Angola do dito Salvador Corrêa de Sá, que ficou feito general daquele reino, passou para a vila de Santos Francisco Rodrigues Penteado; e já desta vila subia para S. Paulo contratado para casar com uma sobrinha de Fernando Dias Paes, que foi quem o ajustou para este contrato.<<

Pg. 368: Casou-se Francisco Rodrigues Penteado em S. Paulo com Clara de Miranda f.ª de Antonio Rodrigues de Miranda, natural de Lamego, e de Potencia Leite, à pág. 135. Faleceu Francisco Rodrigues Penteado em 1673 com seu testamento em Parnaíba e sua mulher Clara de Miranda em 1682. Teve (C. O. de S. Paulo) os 7 seguintes filhos com 4 tipos diferentes de sobrenome:

Cap. 1.º Francisco Rodrigues Penteado

Cap. 2.º Antonio Rodrigues Penteado 

Cap. 3.º Andreza Leite (*)

Cap. 4.º Manoel Corrêa Penteado (segue abaixo=cap. 4º) ,heptavô de Tiffany. que foi casado com Beatriz de Barros, uma trisneta do Pedro Vaz de Barros e Luzia Leme.  o "Correa" vem do avó Manoel Corrêa, vindo do Portugal em Pernambuco e do qual não se sabe com quem era casado...

Cap. 5.º Paschoal Leite Penteado  (*)

Cap. 6.º João Corrêa Penteado

Cap. 7.º José Corrêa Penteado

 (* o "Leite" vem da avó, Potencia Leite. Niguém tem o "Miranda" da mãe no sobrenome)



Pg. 375: Cap. 4º) Manoel Corrêa Penteado, natural de S. Paulo, que foi morador em Araçariguama, adquiriu riqueza com a exploração de minas de ouro nas Minas Gerais, e foi proprietário de grande fazenda de cultura em Araçariguama termo de Parnaíba onde teve as rédeas do governo e foi pessoa de autoridade e veneração. 
Foi casado com Beatriz de Barros f.ª do capitão Pedro Vaz de Barros e de Maria Leite de Mesquita. Tit. Pedrosos Barros. Faleceu em 1745 e teve os 7 f.ºs 

Note bem : Todos os 7 filhos com sobrenomes diferentes : 
  • 1-1 Padre José de Barros Penteado

  • 1-2 Capitão Fernão Paes de Barros  6° avô de Tiffany, que tem o mesmo nome e sobrenome do seu "famoso" tio-avó materno , (tio de sua mãe Beatriz com grande fazenda em Sao Roque)   que recebeu  " honrosíssima carta firmada pelo punho do rei Dom Pedro em 1678" .

    Dele prende o nome e sobrenome este capitao Fernao Paes de Barros apõs o seu casamento em 1731. Jä que quando se casa com sua prima Angela Ribeiro em Sao Paulo, em casa particular, ele ainda é FERNANDO PAES PENTEADO. (fonte: livro de casamentos, Araçariguama 1731)

  • 1-3 Manoel Corrêa de Barros 

  • 1-4 Anna Pires 

  • 1-5 Maria Leite da Escada 

  • 1-6 Maria Dias de Barros 

  • 1-7 Luzia Leme Penteado 
Todos com sobrenomes DIFERENTES !

1-2 Fernâo Paes de Barros (supraassumiu apenas o sobrenome de seu famoso tio-avô materno, da familia de sua mãe Beatriz de Barros e nenhum  dos Correa, Rodrigues ou  Penteado, a sua família paterna ! Efeitivamente no sentido de hoje ele é um "Penteado", nao Paes de Barros.

Ele era casado com sua prima Angela Ribeiro ou de Cerqueira em 2 de outobre 1731.
Deles descendem Antonio de Barros Penteado, meu pentavô,   e seus filhos que sâo os meus tetra- avós : 
o capitão Francisco Xavier Paes de Barros e seu irmão Bento Paes de Barros (o barâo de Itu).

Sâo o meu tronco dos varios ramos "Paes de Barros" ou "de Aguiar Barros" do seculo 19, quando mudou a moda francesa de usar os sobrenomes.
Ligaram- se assim ao "famoso" Fernão Paes de Barros em Sao Roque , um irmão do proprio tetra-avô deles que era Antonio Pedroso de Barros casado com Maria Pires de Medeiro. Ele tambem com grande fazenda em Itauna perto de Sao Paulo.
.

Assim sendo, eu concluo:
Por conta dessa prática aleatória de dar os sobrenomes fica tudo muito confuso na compreensão dos sobrenomes na minha pesquisa de genealogia no Brasil.

Leia mais curiosidades sobre os antepassados do meu ramo de Antonio de Barros Penteado :Beatriz de Barros e Manoel Correa Penteado

Se for com as regras de sobrenomes de hoje ou com as regras da Europa do Norte na epoca 1500-1800,  o sobrenome de estes "Barros" seria Penteado e não Paes de Barros, seguindo o sistema patriarcal da epoca. O conceito "da casa" no sentido de "nobre" como na Europa  nao existiu no Brasil colonial.
Foi costruido por Pedro Taques na "nobiliarchia paulistana" e depois por Silva Leme na genealogia paulistana muito tempo apos.
 Fazia parte da "histografia costruida",  onde os paulistas foram descritas como uma aristocracia nativa, legitimada pelo sangue e pelas armas, respondendo às tensões políticas entre São Paulo e a Coroa Portuguesa no século XVIII e mostrando as lutas dos primeiros povoadores no povoamento e a guerra contro os indios, fazendo-os "nobres"
A obra foi concebida para diferenciar as "elites paulistas", baseadas em bandeirantes e conquistadores, da imagem de mestiçagem e desobediência que os paulistas tinham no contexto colonial. 

A descendência dentro do território paulista e as ligações entre as famílias locais são, em sua vasta maioria, corretas e documentadas. Taques tinha acesso a inventários, testamentos e registros de ordens religiosas que confirmam os casamentos e as linhagens em solo colonial.Onde a obra flerta com o imaginário é justamente no "salto" para a Europa. Para conferir prestígio, ele frequentemente ligava o primeiro povoador (o "tronco") a casas nobres europeias sem a documentação necessária, muitas vezes baseando-se apenas na semelhança de sobrenomes ou em relatos orais de grandeza.
Ao agrupar descendentes sob o rótulo de "Casa Penteado" ou "Casa Mesquita", Taques criou a ilusão de linhagens patrilineares ininterruptas e homogêneas. 

Na realidade, eram redes de parentesco complexas onde o sobrenome era usado de forma estratégica para manter o status de "Homem Bom" (quem podia votar e ser votado nas Câmaras).

Mesmo em Portugal, a fidalguia era mais focada no reconhecimento régio do que em sobrenomes imutáveis. Taques tentou dar à elite paulista uma roupagem de "nobreza de sangue" europeia para camuflar o fato de que eles eram, essencialmente, um grupo de pessoas de serviço com certo status social (homens bons)  e de fato baseada na posse de terras e índios, na defesa das terras e com a obrigaçao do povoamento do Brasil que era parte do reino do Portugal.

Fontes:

- Wikipedia sobrenomes portugueses / uso de sobrenomes na Europa 

- nomes es sobrenomes Genealogia Freire

-SESSENTA POSSIBILIDADES DE ADOÇÃO DE SOBRENOME OU APELIDO, pag 76

- nobiliarchia paulistana, Pedro Taques

- genealogia paulistana, Silva Leme