“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sobrenome no Brasil - Confusão e difficuldades! QUAL DOS de BARROS E VOCE?



Segundo algums descendentes nenhum Pais de Barros grafa o sobrenome dessa forma, mas sim Paes de Barros, que é uma grafia arcaica. Me escreveu um historiador que no Brasil, as normas ortográficas não são muito respeitadas e os sobrenomes muitas vezes são escritos de forma antiquada, como acontece por exemplo em inglês.  

Efeitivamente segundo o Formulario Ortogràfaico : 
"A grafia original do nome de biografados, , deve ser atualizada conforme a onomástica estabelecida a partir do Formulário Ortográfico de 1943, por seguir as mesmas regras dos substantivos comuns (Academia Brasileira de Letras – Formulário Ortográfico de 1943). Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa (Acordo Ortográfico de 1945 e Acordo Ortográfico de 1990). A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).

Quando eu comencei a estudar os arvores genealogicas dos vários de Barros, teria uma mata de nomes Barros, de Barros, Barroso etc. etc. A coisa mais confusional foi o que no Brasil e no Portugal os filhos e as filhas nao teriam sempre o sobrenome de familia paterna como na Europa.

Aqui não são permitidos os sobrenomes duplos.

Mesmo o meu avõ se chamava sõ "de Barros"em Viena e tambem na Suiça. Nos seuss documentos de nascimento os pais foram nomeados com todos os seus sobrenomes (Bento Paes de Barros, filho de..etc. etc.) Segundo os usos brasileiros ele se poderia chamar Victor Xavier Körmendy Salmutter Paes de Barros de Aguiar tambem como Victor Xavier Paes de Barros de Aguiar Körmendy Barth, etc. etc.

Muito complicado e confusional pelos Austriacos e Suiços.!!!

Na Europa se pode usar só o sobrenome do pai e quando uma moça va casar-se, prende o sobrenome de familia do marido e assim os seus filhos.

Assim a minha avõ Lucia Benesch diventou Luzia de Barros.

Assim a minha mãe (e eu tambem) perdou o sobrenome de Barros. Em alguns casos foi permitido ais mulheres de escriver tambem o nome da moça, mas sõ depois o nome do marido e com um hifen.

Assim fez a minha avõ: Luzia Karolina Felicia de Barros-Benesch, e minha mãe e eu.

Hoje tem mais possibilidade pelas mulheres, mas sempre só com dois sobrenomes.

Acredita-se que na Europa só depois  o século XIX, a maior parte das pessoas de qualquer nível social tinha um sobrenome, ou sobrenomes, hereditários, fixos só em alguns casos. Fora da cultura portuguesa, este sobrenome tendia a ser patrilinear, único, e identificava a família como primado de identidade masculina, provendo assim uma ligação com o passado, e preservando sua identidade no futuro. Por esse fato no mundo fora da cultura portuguesa não é surpresa o fato de que antigamente a prioridade das famílias mais importantes fosse ter filhos homens para manter o nome, afinal, os filhos homens eram quem passavam o sobrenome para as novas gerações, e por essa razão era preocupante para uma família não ter nenhum descendente masculino.

Por isso,em primeiro, eu mesmo tinha que entender como funciona o sistema de sobrenomes em Brasil. Isso é a causa porque eu chamo meu Blog "os Paes de Barros de São Paolo, Itu e Sorocaba...." Para diferenciar e encontrar possivelmente membros desse ramo dos de Barros. Vamos ver a

HISTORIA DOS SOBRENOMES
Desde a Idade Média e até ao século XVIII, em algumas zonas rurais portuguesas as pessoas eram conhecidas apenas pelo nome próprio, ao qual era acrescentado o patronímico (nome do pai), para os rapazes, e o matronímico, (nome da mãe), para as moças. Em casos mais raros podia o rapaz ser conhecido pelo matronímico, por exemplo, se não tivesse pai, ou a moça pelo patronímico, no caso, por exemplo, de o pai ser de uma família mais distinta do que a da mãe. A partir do fim da Idade Média, numa lenta transição das urbes (cidades) para o campo, e do litoral para o interior, os patronímicos tendem a fixar-se, transmitindo-se sempre o mesmo, já como sobrenome de uma determinada família que o usa em comum.
Nos documentos oficiais em Portugal por exemplo, na Chancelaria Régia portuguesa, os registros mencionam sempre o nome da pessoa, seguido do nome do pai dela, de forma a impedir confusões entre homônimos.

A necessidade de adicionar outro nome para distinguir as pessoas de mesmo nome próprio veio a ganhar popularidade. Então elas passaram a adicionar ao nome que declaravam, ou que assinavam, o apelido (sinônimo em português de alcunha ou sobrenome) por que os outros as distinguiam, ou então o nome da sua terra de origem:

Exemplos:

1º) João Anes, filho de um ferreiro, se diria João Anes Ferreiro, podendo passar essa alcunha/apelido aos seus descendentes.

2º) O filho de João Anes, de Guimarães, que passasse a residir em Barcelos, dir-se-ia João Anes de Guimarães.

3º) Este processo é paralelo e análogo aos membros da nobreza, que por serem muito conhecidos se assinam pelo nome das terras cujo senhorio pertence a sua respectiva família, explo: João Anes de Sousa, ou seja, João, filho de João, senhor ou dono das Terras de Sousa.

No século XI, época da Revolução Urbana na Europa, com a explosão da população nas, até então, pequenas cidades (urbes) medievais, pouco mais do que aldeias, o uso de um segundo nome se tornou tão comum nessas cidades subitamente crescidas, e onde as pessoas passaram a ter mais dificuldade em conhecerem-se todas entre sí, que em alguns lugares era mal visto/considerado não se ter um sobrenome.
Atenção: mesmo tendo sido este fenômeno de explosão da população o motivo do começo para todos os sobrenomes que existem hoje, grande parte dos nomes usado nas Idades Média e Moderna não tem a ver com a família, isto é, nenhum era obrigatoriamente hereditário, até à implantação do registro civil com força de lei em Portugal, no ano de 1911.

No século XIV é adotado em Portugal a língua portuguesa para os registros oficiais, abandonando-se o latim bárbaro até então utilizado para os registros. Isto paralelamente a outras nações européias, onde pelos anos de 1370 já se encontra a palavra sobrenome em documentos, nas respectivas línguas locais. 


Mas sobrenome significando ainda, e tão somente, um segundo nome mais distintivo, livremente atribuído ou escolhido e não necessariamente transmissível, ou seja, não era o sobrenome no sentido contemporâneo do termo.

Note-se que, até ao séc. XVII, nem sequer a Família Real dispunha de sobrenome, sendo os seus membros apenas tratados pelos seus nomes próprios e seus respectivos títulos distintivos, lembrem dos reis de França que assinavam apenas o nome, como aparece no contrato de casamento de Maria Antonieta em pleno séc. XVIII.

Até 1911, a adoção dos sobrenomes era liberal, isto é, as pessoas eram apenas batizadas com o nome próprio, e escolhiam livremente mudar esse nome próprio ao entrar na adolescência, época em que recebiam o Sacramento da Crisma, considerado um novo batismo, e que permitia, e permite, mudar o nome próprio, ou acrescentar-lhe outro.


Até 1911, por conselho da família ou vontade própria, o crismado escolhia qual ou quais os sobrenomes de família que passaria a assinar como adulto. Esses registros eram exclusivamente os da Igreja Católica que serviam oficialmente, quando preciso, na vida civil.

Bom? E assim a confusão e perfeito para mim. Não tem escolha senão meticulosamente verificar os nomes dos pais para os indivíduos e os registros das igrejas para pesquisar. 


Já em Portugal vigorava tanto entre a nobreza quanto entre o povo, o conceito de CASA, que era constituído pela noção de patrimônio familiar comum partilhado sob o comando do filho mais velho (no geral), na ausência de varões, sucediam as mulheres como senhoras da Casa que, em muitos casos transmitiram, e transmitem ainda, esse sobrenome da Casa à sua descendência. É o chamado sistema misto.

Este costume português explica porque é que, atualmente, são raríssimas, se é que ainda existem, as famílias portuguesas, ou de origem portuguesa, que mantenham a varonia do sobrenome, ou sobrenomes usados na atualidade.

Na cultura portuguesa é costume os filhos receberem um ou mais sobrenomes de ambos os progenitores.
Também assim se procede na cultura hispânica porém note-se que, enquanto na portuguesa os sobrenomes maternos precedem os paternos na disposição final do nome completo, na Espanha e na América hispânica a ordem é a inversa.

Entre 1580-1640 sob a dominação da Espanha vigorou em Portugal a praxe espanhola do sobrenome do pai anteceder ao sobrenome da mãe.
Em Portugal o número máximo de sobrenomes permitidos é 4, o que permite o uso de sobrenome duplo quer materno, quer paterno, enquanto que na Espanha é de 2, mas esses dois podem ser duplos, unidos por hífen, resultando na realidade em quatro sobrenomes como em Portugal.
Já no Brasil e nos restantes países de língua portuguesa não existe essa limitação para o número de sobrenomes.


A partir do final do século XIX, por influência da burguesia francesa, tornou-se comum às mulheres portuguesas acrescentarem o sobrenome (ou duplo sobrenome) do marido aos seus sobrenomes sem, no entanto, perderem os seus próprios sobrenomes de solteira.

Assim, como norma geral, os pais têm filhos com sobrenomes completamente diferentes entre si.

Pelo texto O uso dos apelidos em Portugal de Antonio Machado de Farias aprende-se que a confusão sempre foi muito complexa:


Pois muitas vezes os filhos não derivam o sobrenome do patronímico do pai, mas usam o próprio patronímico do pai, outras vezes tomam o mesmo patronímico do avô paterno, ou avô materno, ou bisavô paterno, ou bisavô sogro do avô paterno.

Por conta dessa prática fica tudo muito confuso na compreensão dos sobrenomes na genealogia.



SOBRENOMES NO BRASIL:
Exemplo ilustrativo de um nosso antepassado, tirado do Título: Penteado, Volume III, pg. 368 a 404, da Genealogia Paulistana de Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919), inspirada em Pedro Taques de Almeida Paes Leme (1714-1777):
Segundo escreveu Pedro Taques: A Nobre família de Penteado teve origem em S. Paulo em Francisco Rodrigues Penteado, natural de Pernambuco, para onde veio ser morador seu pai Manoel Corrêa com casa, saindo de Lisboa; e em Pernambuco se estabeleceu com negocio grande. Tendo este filho Francisco Rodrigues Penteado já bem instruído em artes liberais, sendo excelente e com muito mimo na de tanger viola, e destro na arte da música, seu pai o mandou a Lisboa sobre dependência de uma herança que ali tinha, o filho, porém, vendo-se em uma corte das mais nobres da Europa e com prendas para conciliar estimação, cuidou só no estrago que fez do cabedal que recebeu, consumindo em bom tratamento e amizades: Refletindo depois que não estava nos termos de dar satisfação da comissão com que passara de Pernambuco a Lisboa, embarcou na frota do Rio de Janeiro com Salvador Corrêa de Sá e Benevides em 1648, o qual tendo de passar a Angola, como passou, para a restaurar dos holandeses, o deixou (Francisco Rodrigues Penteado) na cidade do Rio muito recomendado pelo interesse de instruir nos instrumentos musicais a suas filhas e ao filho mais velho Martim Corrêa com quem estava unido pela igualdade dos anos. Do Rio de Janeiro, pela demora em Angola do dito Salvador Corrêa de Sá, que ficou feito general daquele reino, passou para a vila de Santos Francisco Rodrigues Penteado; e já desta vila subia para S. Paulo contratado para casar com uma sobrinha de Fernando Dias Paes, que foi quem o ajustou para este contrato.
Pg. 368: Casou-se Francisco Rodrigues Penteado em S. Paulo com Clara de Miranda f.ª de Antonio Rodrigues de Miranda, natural de Lamego, e de Potencia Leite, à pág. 135. Faleceu Francisco Rodrigues Penteado em 1673 com seu testamento em Parnaíba e sua mulher Clara de Miranda em 1682. Teve (C. O. de S. Paulo) os 7 seguintes filhos com 4 tipos diferentes de sobrenome:
  • Cap. 1.º Francisco Rodrigues Penteado
  • Cap. 2.º Antonio Rodrigues Penteado (segue abaixo=cap. 2º)
  • Cap. 3.º Andreza Leite
  • Cap. 4.º Manoel Corrêa Penteado (segue abaixo=cap. 4º) que foi casado com a neta do Pedro Vaz de Barros, um nosso patriarca.
  • Cap. 5.º Paschoal Leite Penteado
  • Cap. 6.º João Corrêa Penteado
  • Cap. 7.º José Corrêa Penteado
Pg. 373: Cap. 2º) Antonio Rodrigues Penteado, foi morador em Sorocaba onde teve as rédeas do governo e casou-se com Maria de Almeida Lara f.ª do capitão-mor de Sorocaba Thomé de Lara de Almeida e da 1ª mulher Maria de Almeida Pimentel. Tit. Taques Pompeus. Faleceu em 1728. Teve os 11 f.ºs. seguintes com 7 tipos diferentes de sobrenome: (C. O. de Sorocaba).
  • 1-1 Francisco Rodrigues Penteado § 1.º
  • 1-2 Thomé de Lara Penteado § 2.º
  • 1-3 Amaro Rodrigues Penteado § 3.º
  • 1-4 José Rodrigues Penteado § 4.º
  • 1-5 Clara de Miranda § 5.º
  • 1-6 Maria de Almeida Pimentel § 6.º
  • 1-7 Ignacia de Almeida § 7.º
  • 1-8 Andreza Leite de Almeida § 8.º
  • 1-9 Potencia Leite de Almeida § 9.º
  • 1-10 Antonia de Almeida § 10.º
  • 1-11 Anna de Almeida Lara § 11.º
Pg. 375: Cap. 4º) Manoel Corrêa Penteado, (ele é irmão do anterior Antonio Rodrigues Penteado) natural de S. Paulo, que foi morador em Araçariguama, adquiriu riqueza com a exploração de minas de ouro nas Minas Gerais, e foi proprietário de grande fazenda de cultura em Araçariguama termo de Parnaíba onde teve as rédeas do governo e foi pessoa de autoridade e veneração. Foi casado com Beatriz de Barros f.ª do capitão Pedro Vaz de Barros e de Maria Leite de Mesquita. Tit. Pedrosos Barros.

Faleceu em 1745 e teve os 7 f.ºs todos os 7 filhos com sobrenomes diferentes: (C. O. de S. Paulo)

  • 1-1 Padre José de Barros Penteado § 1.º
  • 1-2 Capitão Fernão Paes de Barros § 2.º do qual parte a minha arvore genealogica
  • 1-3 Manoel Corrêa de Barros § 3.º
  • 1-4 Anna Pires § 4.º
  • 1-5 Maria Leite da Escada § 5.º
  • 1-6 Maria Dias de Barros § 6.º
  • 1-7 Luzia Leme Penteado § 7.º


Assim sendo eu concluo, mais uma vez que:

Por conta dessa prática aleatória de dar os sobrenomes fica tudo muito confuso na compreensão dos sobrenomes na genealogia no Brasil.


texto em parte de Anibal de Almeida Fernandes em historia genealogia

fontes: Wikipedia sobrenomes portugueses / uso de sobrenomes na Europa (em alemão) / nomes es sobrenomes Genealogia Freire