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quinta-feira, 12 de julho de 2018

PEDRO VAZ DE BARROS (1), TEORIAS E POLEMICAS NA HISTORIA - ATE HOJE

ATUALIZADO ABRIL 2026 por Tiffany
O texto trata da pesquisa histórica e genealógica sobre Pedro Vaz de Barros e suas possíveis origens, especialmente a questão de sua ascendência judaica, as polemicas e a instrumentalizaçao por fins da cidadania portuguesa.

Espero que os brasileiros me desculpem pela franqueza e pelas expressões fortes, que estão de acordo com os costumes europeus.

A autora defende uma abordagem imparcial, crítica e respeitosa das pesquisas genealógicas e históricas sobre Pedro Vaz de Barros. Ela alerta contra o uso dessas pesquisas para fins políticos ou religiosos e lembra que todos os seres humanos estão ligados por uma história comum — muito além de qualquer origem ou crença específica. 

Recebi muitas e-mails com perguntas ou informações e comentarios sobre as origens judaicas de Pedro Vaz de Barros. Agradeço e respondo assim :

Sigo de muitos anos as varias pesquisas e narrativas sobre Pedro Vaz de Barros.
Existem algumas narrativas sobre a sua ascendencia ainda discutida : de ser cristao-novo.. Infelizemente com isso é nomeado por muitos como "judeu sephardito".

é preciso pontuar que, em uma árvore genealógica, Pedro Vaz de Barros matématicamente 
( significa em téoria, nao considerando "a perda dos ancestrais") é apenas um entre meus 2.048 decavós.!
Focar exclusivamente em um único antepassado desconsidera todos os outros ramos que compõem uma história.

Entre um pai suíço, uma avó austríaca e uma bisavó húngara, minha ascendência é um mosaico europeu documentado.

Reduzir toda essa construção à uma narrativa de uma única origem sefardita para obter cidadania portuguesa para mim é um erro técnico e historico imenso que apaga a diversidade real deste meu ramo de ancestrais.

Aqui a minha reflexão :

Tem uma distinçao que muitos de estas pessoas não sabem : 
Ser de "origem sephardita" é bem diferente de ser "judeu sephardita".
Que ele é ou seria de origem sephardita realmente não é surpreendente nem uma sensação quando se pensa na história da Península Ibérica. Desde tempos imemoriais, os povos se misturaram ao longo da história.
Jà conta historia de conversâo e antepassados de quem nâo se sabe ainda nada.


1 ) Sobre a Identidade Religiosa  e o conceito de "Judeu"


No mundo judaico, existe uma longa e complexa controvérsia sobre o termo "judeu", dividindo-o entre a 
a ) prática religiosa e 
b) a ascendência étnica (etnoreligiosa).

Tem a diferencia de "ser Judeu" e de "ser de fé judaica". 
Em outras palavras : 
Um judeu nao deixa de ser considerado judeu se não praticar a fé judaica ou adotar outra religiao (tambem forçada como na historia). Isso é ser judeu por genealogia patrilinear. Mesmo que a pessoa se converta a outra religião (como ocorreu com os "Cristãos-Novos" na Inquisição), a lei judaica tradicional ainda a vê como parte do povo, embora ela perca privilégios na comunidade religiosa.A Genealogia Patrilinear è historicamente, a linhagem pelo pai determinava a tribo (como ser um Cohen ou Levi), mas não a identidade judaica em si. Hoje, apenas o movimento Reformista aceita a patrilinearidade, desde que a criança seja criada na religião.
Em vez.a fé vem trasferida somente da mãe ! Quem nasce da mãe judaica é tambem de fé judaica. (HALACHA). 
A regra tradicional é que tanto a etnia quanto a fé são transmitidas pela mãe. Se a mãe é judia, o filho é considerado judeu e "de fé judaica" perante a lei, independentemente do pai.

Portanto, para a lei tradicional, a mãe é a "chave" que transmite o pertencimento automático ao povo e à religião.

Pedro Vaz de Barros nasceu, viveu, casou na Igreja e foi enterrado como católico. Rotulá-lo pessoalmente somente como "judeu sefardita" sem referir esta distinçao no mundo judaico na árvore é um anacronismo e uma falsidade biográfica. 
Não se trata de uma opinião, mas de uma constatação baseada na ausência de provas: todos os registros existentes mostram uma trajetória estritamente católica. Ignorar isso em favor de uma narrativa moderna é sacrificar a verdade histórica.do individuo"

O correto é afirmar que ele possuía uma alegada ascendência de Cristãos-Novos (judeus forçados à conversão), respeitando a sua verdadeira identidade em vida. 
porque na sua epoca (colonial) não existiu a distinçao entre povo e religião como hoje.

Muitos portugueses tem sepharditas e tambem arabes/ moriscos na sua ascendencia e assim pode ser que ele nâo tem somente origens sepharditas, mas tambem arabes e quem sabe quanto mais. 


2 ) Pedro Vaz de Barros Hoje: Duas Visões Opostas


A figura histórica de Pedro Vaz de Barros tornou-se o exemplo perfeito de como uma pessoa real do passado pode ser capturada e distorcida no presente por interesses puramente ideológicos e comerciais.


a)  Para os Historiadores e Genealogistas Científicos
A genealogia se ocupa com a conexâo biologica / Historica entre diferentes individuos e de uma reconstrução da seqüência ordenada de gerações. !

Ela é o hábito de relacionar os ancestrais para torná-los conhecidos e qualificar o indivíduo perante seus pares, nas varias sociedades e civilizações. .Isso funcionou como a base elementar na formação das civilizações, Sumeriana, Egípcia, Hindu, Chinesa, Japonesa, Grega e Romana e, até, nas tribos indígenas do Amazonas.

Numa perspectiva mais abrangente, a genealogia procura reconstituir o perfil e a história social, política, econômica e cultural da família e seus integrantes no proprio tempo,: suas associações com outros grupos e seu papel na sociedade nas varias epocas (!), os quaes necessitam ser observados em maneira objetiva e então, não com o olho e ponto de vista de hoje para certos objetivos politicos ! Então não é importante a religiao, etnia etc porque este fazia parte da epoca do individuo que o formou e que o fazia lutar para varias razôes ! Isso é importante, não a critica da politica do ponto de vista de hoje.

Pedro Vaz de Barros era um indivíduo do seu tempo: É visto como sertanisata e povoador do Brasil colonial que nasceu, viveu, casou e morreu inserido na fé e na sociedade católica. 
A religiao era o catolicismo Romano que era a religao oficial e obrigatoria do REINO PORTUGUES. Todos os colonos e imigrantes eram obrigados a seguir a fé catolica e pagar o dizimo a Igreja. O casamento era sacramento e era a jurisdiçao exclusiva da Igreja. Para ser citadao , ter direito, possuir terreas etc. era obrigatorio ser batizado. Significa segruança patrimonial. A religião funcionava como contato social e juridica. Este o mundo de Pedro Vaz de Barros. Não exisistiu a questão de ser de etnia judaica e da fé judaica.

Uma hipótese em aberto è a sua ligação direta a uma família de Cristãos-Novos de Évora (as irmãs processadas pela Inquisição, ver embaixo) é considerada uma hipótese plausível por semelhança de nomes e datas, mas que carece de prova documental primária (certidão de batismo ou testamento).

Um caso de estudo sobre rigor: 
Serve como exemplo de que a genealogia científica exige a comprovação de cada elo familiar e rejeita atribuir a alguém do passado uma identidade que a própria pessoa não assumiu em vida.   Pedro Vaz de Barros viveu e morreu assumindo uma identidade católica. Rotulá-lo hoje como "judeu" è apagar a forma como o próprio indivíduo escolheu viver a sua vida e impor-lhe uma etiqueta que ele nunca usou.


b)  Para os Advogados, Intermediários e "Genealogistas" de Conveniência

Para eles, um "judeu sefardito" é um mero instrumento jurídico: É tratado como uma chave comercial de acesso. Uma vez que a narrativa da sua origem foi validada pelas comissões certificadoras da 
Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) , ele passou a funcionar como um produto que garantia a aprovação em massa de processos de nacionalidade portuguesa.

Ele diventou um símbolo artificial de identidade. É rotulado e forçado na categoria de "judeu sefardita" única e exclusivamente para preencher os requisitos de uma lei de reparação histórica. Para este grupo, a ausência de documentos diretos do século XVI é ignorada. Fabrica-se uma pertença grupal e um "defeito mecânico" póstumo para justificar a obtenção de um passaporte europeu ou para fins politicos e pertencimento para nao se sabe coisa !
Esta apropriação identitária  passa de uma manobra política e comercial que atropela a biografia real do indivíduo.

Perguntas :
É ético aceitar uma "quase verdade" ou uma "probabilidade" quando há interesses práticos em jogo? Para os advogados e para quem queria o passaporte, e assim tambem pelos muitos "politicantes"  a árvore genealógica tornou-se uma ferramenta comercial. A "verdade" passou a ser aquilo que a CIL aceitava. 

Mas para a ciência e para a moral, a verdade não se negoceia: ou um facto está provado ou não está. Usar a genealogia como um disfarce para obter direitos legais fere a ética da honestidade intelectual.


É moralmente correto usar a dor e a perseguição de antepassados do século XVI para obter um benefício material no século XXI?   
A lei portuguesa nasceu com um propósito talvez nobre de reparação histórica para com as vítimas da Inquisição (que foram torturadas e mortas). Quando descendentes modernos forçam árvores genealógicas sem provas, apenas para conseguir livre trânsito na Europa, ocorre uma mercantilização do sofrimento alheio. 
O trauma dos verdadeiros cristãos-novos transformou-se num produto de consumo. !

É profundamente cansativo ver figuras históricas coloniais serem "rotuladas" com identidades religiosas e étnicas que nunca tiveram em vida, apenas para servir a propósitos do presente. Acredito que a genealogia e a história não devem ser usadas para questões politicas e religiosas de certos historioadores ou "genalogistas" por fim politico. Parece quase uma inquisiçâo ou nazi-raçismo ao contrario com todas estas estrelas de David e menoras os quais se podem encontrar nos varios plataformas e sites de genealogia (!). 
Ao focar apenas no 'sangue' e ignorar que Pedro Vaz de Barros viveu e morreu como católico no mundo colonial, estamos repetindo erros históricos de classificar indivíduos apenas por sua genética, e não por sua história real. 
 Muitas das narrativas e livros que hoje circulam com "certezas inexistentes" sobre Pedro Vaz de Barros foram impulsionados por advogados, politicos, pseudo-genealogistas e intermediários que lucram com os processos de nacionalidade e que usam estas causas para defender agendas ideológicas atuais .


3 ) Origens das pesquisas sobre historia "oculta" e polemicas de hoje


Acho importante saber que a polemica sobre as origens de Pedro Vaz de Barros jà nasceu no inicio do sex XIX  (1920, Paulo Prado, a raça triste etc ) , como se pode entender tambem no artigo embaixo, e sim, é muito interessante. .Sem entrar nas detalhes posso dizer que a  polêmica nasceu da colisão entre o mito da elite fidalga e a realidade do capital mercantil, e hoje "transbordou" para um uso político que muitas vezes ignora o rigor dos fatos. Tenho a impressão que o cenário atual è um amálgama onde disputas acadêmicas do século passado, necessidades políticas de hoje e o desejo de pertencimento individual se misturam, criando uma narrativa muitas vezes confusa que traz à opiniões idenditarias e seletivas.onde se escolhe o que "serve" para a opinião atual e ignora-se o contexto histórico real.



a) texto por Manoel Valente Barbas, Revista ASBRAP nr. 7 :
" Informações históricas e genealógicas desse naipe mais causam polêmica, dúvidas, do que esclarecem ou acrescentam algo ao que já se sabe sobre a família "

1) MOURA, AMÉRICO DE.  “Os povoadores do campo de Piratininga (traços biográficos e genealógicos, Separata da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓ-RICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO. Vol. XLVII, págs. 146 e 147. Este autor parece que possuía muitas informações interessantes e originais, quando escreveu o artigo. Não se sabe se conseguidas através de pesquisas, leitura ou tradição oral familiar ou social. Porém, foi displicente, não pensando na contribuição histórica que poderia realmente dar para o futuro; simplesmente desleixou nas referências/fontes de onde, supõe-se, extraiu suas informações. Algumas destas fontes, simplesmente não menciona; outras, cita de passagem, sem precisar onde foram encontradas ou se achavam arquivadas na ocasião, impedindo uma consulta posterior sobre a matéria. Ele cita o nome dos pais do primeiro Pedro Vaz de Barros: diz serem Jerônimo Poderoso (sic) e Joana Vaz de Barros. Esse Poderoso poderia ser, inclusive, uma má leitura paleológica de Pedroso; mas ele reforça a afirmação ao dar o nome do primeiro filho do casal como Antônio Poderoso (e acrescenta...”depois Antônio Pedroso de Barros”), aquele que conhecemos por Pedro Taques e Silva Leme também como Antônio Pedroso de Barros. Se essa informação fosse acompanhada pela fonte onde a colhera, seria de grande interesse histórico e genealógico. Mas cai no vácuo de profunda dúvida. Outra notícia que dá sobre esse par ancestral é que eram “ambos meio cristãos novos”. Mas também não declara de onde tirou essa informação. Como o artigo é de 1952, antecedeu na assertiva a José Gonçalves Salvador (ver Nota , abaixo), o que faz supor que este se louvou no primeiro para passar adiante a notícia, infelizmente não baseada em fonte resgatável. Outra informação que dá é que Antônio Pedroso de Barros declarou ao visitador do Santo Ofício, em 1591, na Bahia, ser “tratante”(contratado) para o Peru; aí declarou também os nomes e condição dos pais (descendentes de judeus). Essa notícia seria de grande valor para os descendentes, se fosse fundamentada, mas até o dia de hoje não se sabe onde está esse documento, quem o viu, quem primeiro transmitiu o fato. José Gonçalves Salvador também confirma o caso com as mesmas palavras, talvez se louvando em Antônio Moura, sem apurar se fundamentada ou não. Sobre Pedro Vaz de Barros ( Iº), Moura acrescenta de novidade que era mor-domo da Confraria do Rosário, mas também sem citar datas ou origem da notícia. Diz ainda que recebera uma Sesmaria, em 1501, em Cabo Frio, atualmente, Rio de Janeiro, registrando a seguir : “ ”Sesm.”, I, 201”
2) JOSÉ GONÇALVES SALVADOR, “Os Cristãos-Novos e o Comércio no Atlântico Meridional”, págs. 65, 82, 95, 102, 104, 113, 130, 231,359, 369; “Cris-tãos-Novos, Jesuitas e Inquisição”, págs. 17, 46, 47, 52, 169, 172, 173, 185); “Cristãos-Novos – Povoamento e Conquista do Solo Brasileiro”, Editora Pionei-ra/MEC, págs. 7, 8, 13, 14, 32, 34, 62). A idade dos irmãos Pedrosos de Barros, além de outros cálculos, pode-se confrontar com que este autor diz, na p. 65, do primeiro livro aqui citado: “Um dos tais, rapaz de 21 a 22 anos (estava-se em 1591), chegara do Peru ainda há pouco, aonde fora na qualidade de “tratante”. Seu nome? Antônio Pedroso de Barros, que viria a ser figura de projeção na capitania vicentina”. Dá como referência “Documentos da Visitação de 1591....,cf. Bh 1591, p.195”.
AINDA: Onde estariam, na Bahia, esses documentos que merecem uma publicação caprichada e bem divulgada?
b) Marcelo Meira Amaral Bogaciovas (1955–2020) , 
foi um conhecido e influente genealogista e historiador brasileiro do final do século XX e início do século XXI. Foi cofundador da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia (ASBRAP).

O seu nome está inseparavelmente ligado à investigação sobre os chamados cristãos-novos na São Paulo colonial.
Bogaciovas dedicou grande parte da sua vida a rastrear raízes judaicas nas antigas elites paulistas. A sua dissertação de mestrado "Tribulações do Povo de Israel na São Paulo Colonial", defendida em 2006 na Universidade de São Paulo (USP), é considerada uma obra de referência.

Ao contrário de muitos genealogistas anteriores que apenas copiavam livros antigos (como os de Pedro Taques ou Silva Leme), Bogaciovas viajava regularmente para Portugal desde os anos 1980. Passou meses no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, a ler processos originais da Inquisição (paleografia). 
Ao fazê-lo, descobriu inúmeros erros e omissões das genealogias brasileiras clássicas.

Bogaciovas encontrou nos arquivos de Évora os processos reais da Inquisição das irmãs Lucrécia e Bernarda Pedroso, como o de Barbara Filipe que tinham sido condenadas por "judaísmo". Foi Barbara Filipe que denunciou as irmãs Pedroso.

A TESE de Bogaciovas: Com base em semelhanças de nomes e em contextos cronológicos, levantou a hipótese (nao é uma prova) de que o famoso cap. mor e sertanista, Pedro Vaz de Barros seria irmão destas mulheres e, portanto, filho de Jerónimo Pedroso e Joana Vaz.(SEM BARROS em todas os processos, mas usado com por Bogaciovas)

A lacuna histórica: Bogaciovas nunca conseguiu comprovar esta ligação direta no século XVI através de uma certidão de batismo ou de um testamento.Ele reconstruiu a ligação com base no princípio da plausibilidade (abdução) o que deveria abrir novas pistas de pesquisa. 

A instrumentalização após a morte de Bogaciovas

Bogaciovas faleceu em maio de 2020, em pleno "boom" dos pedidos de nacionalidade portuguesa por via sefardita.Ele próprio era um investigador rigoroso. O problema da instrumentalizaçãi e novas polemicas surgiu apenas após as suas descobertas:


- Escritórios de advogados juntos à agências e genealogistas
pegaram nos seus trabalhos de investigação académica e transformaram tese di investigaçao nos numa verdade absoluta e inquestionável para a indústria da naturalização.


- A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) mesma adotou a sua reconstrução de forma acrítica como algo "provado" o que NÀO é verdade.

Marcelo Bogaciovas queria tornar visível a história oculta dos cristãos-novos no Brasil.

O facto de os seus trabalhos terem sido mais tarde utilizados como "provas" para uma indústria global de passaportes — na qual milhares de pessoas obtiveram a nacionalidade sem documentos primários — foi um desenvolvimento que ele provavelmente não pretendia nesta dinâmica.

4) Ausência de prova primária

A tese de que Pedro Vaz de Barros e o seu irmão António Pedroso de Barros seriam filhos de Jerónimo Pedroso e Joana Vaz baseia-se numa unica proposta do genealogista Marcelo Bogaciovas.

Contudo, não existem registos de batismo, testamentos ou documentos primários do século XVI que comprovem documentalmente esta filiação ou que atestem que Pedro era irmão de Lucrécia e Bernarda Pedroso (cujos processos da Inquisição provam a sua ascendência judaica, filhas de um cristão-novo). 
Trata-se de uma hipótese construída por probabilidade (abdução) que parece plausivel, interessante no mundo dos historiadores, mas não de um facto histórico consumado.

Deve-se ainda procurar mais dados sobre a mãe de Pedro Vaz de Barros. Sabendo sobre a distinçao de ser judeu o ser de origem de judeu sefardita (citado acima)  seria fondamental saber mais sobre ela. Sobre a sua origem circulam varias "lendas" e muita imprecisão.
Segundo varias fontes ela era cristã velha (!) e  fazia parte de uma das muitas familias de Barros em Portugal. Talvez da pequena nobreza. 
Qual a conexâo ? Qual das muitas familias "Barros" ?

Nos processos que a  nota narrativa historica de Bogaciovas cita e que se podem ler nos documentos originias da Inquisiçao no " torre de tombo",  a mãe de Bernarda e Lucrecia, é uma Joana Vaz. sem Barros..Jà falecida de peste na epoca do processo. Nada é referido se foi cristao-nova ou cristã velha, e  nada sobre os pais dela. Nada de uma familia de Barros.

O pai - que seria Jeronimo Pedroso- é citado como cristao-novo
Ele era convertido ? ou era filho de cristao-novos ? Desde quanto tempo era cristao-novo ? Um cristão-novo era um cristão, Somente cristões poderiam ser processados pela ininquisiçao.! Os processos poderiam conduzir a confisca dos bens, naturalmente de interesse no mundo de então.

Os sobrenomes dos irmãos : Pedroso de Barros e Vaz de Barros. Qual o origem ? Qual o sistema de sobrenomes era isso ? (espanhol ou portuguesa ? Não teve regras pelos sobrenomes na epoca.  leia aqui sobre os sobrenomes : de onde vem o de Barros ?

Ainda : a pesquisa sobre  Pedro Vaz de Barros ser judeu ou ser de origem judeu, filho de conversos e/ou cristao novo etc nâo é terminda. Faltam muitas dadas e muitas disscussôes sobre certas pesquisas do inicio do XX seculo ainda abertas.

Porque é claro : somos todos tambem indios, negros, brancos etc - somos seres humanos- interligados por varias historias, epocas,  culturas e por isso tambem por varios religiôes ! Fazem todos parte da historia da humanidade

O fluxo genealógico e sua importância na história da humanidade nós faz ánalisar que cada um de nós tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 4ºs avós, 64 5ºs avós, etc, etc numa progressão geométrica que nos dá 500 milhões de 28ºs avós, ou seja, cada um de nós, hoje vivo, tem um número maior de 28ºs avós do que a população da terra a meros 800 anos atrás! -Racionalizando este fato científico/matemático pode-se afirmar que esse fluxo contínuo de avós nos transforma a TODOS em parentes com um ancestral comum através do qual somos primos em algum grau de todos os seres humanos existentes na terra no dia de hoje....
Témos em téoria mais de 2000 10°s avós.
Pedro Vaz de Barros, é somente UM entre muitos antepassados. 

Reduzir a  "historia" e biografia de Pedro Vaz de Barros somente à um téma de religião e polemicas com  o objetivo de ter uma cidadania diferente ou escrever uma nova historia do Brasil, me parece nâo apropriado e respeitoso.


5) CONCLUSÃO

Voltando ao incicio de este postagem, eu respondo :

Dizer hoje que os descendentes brasileiros de Pedro Vaz de Barros todos são 'judeus sefarditas' é um erro histórico. 
Após a conversão forçada, essas pessoas tornaram-se cristãs (Cristãos-Novos) e, ao longo de 500 anos, a sua identidade fundiu-se completamente com outras origens (europeias católicas, mouriscas, indígenas e africanas) dentro um contexto colonial. 
Um descendente de 10ª ou 11° graude  geração não é um 'judeu', mas sim um cidadão brasileiro de ascendência mista que possui um antepassado que, em algum momento do século XV ou XVI, foi judeu ou morisco ou ambas. Foi conhecido como cap.mor e ligou-se no conhecido clã dos Leme, jà bastante ricos na epoca.
O casamento colonial era um negócio de estado familiar. Não se tratava de sentimentos, mas de conveniência, capital e alianças e sobrevivencia.. Havia patente de cap. mor.

Hoje: Procura-se a "identidade". 
Mas Pedro Vaz de Barros não buscava uma "identidade"; ele buscava domínio. Vindo de Portugal encontrou um mundo muito diferente, talvez um choque. Vindo da Algarve (o que trasmite somente Taques) ele era de zona de fronteira do reino do Portugal fronteira militar contra os piratas mouros.  Ainda jà era acostumado vendo canhões, muralhas e navios. Esse ambiente não criava homens delicados, mas homens de ação, armas e comércio.. Se for cristao-novo deve se considera que nem todos os cristãos-novos mantinham práticas judaicas em segredo (criptojudaísmo). Muitos tornaram-se católicos devotos para evitar suspeitas ou por convição, ocupando cargos públicos e colaborando ativamente com a Igreja.
.Mesmo , os que não eram judaizantes tambem viviam sob o risco de denúncias por vizinhos ou rivais, que utilizavam a acusação de "ser cristão-novo" como arma em disputas sociais. Teve alto risco de confisca e perder tudo.

Imagens como Estrelas de David ou Menorás anexadas a esta pessoa historica nas plataformas de genealogia são classificadas como Desinformação Visual
Não possuem respaldo histórico contemporâneo ao indivíduo e devem ser tratadas como projeções ideológicas modernas que violam a integridade biográfica do antepassado.
Fazem muita confusão para quem não se ocupe muito de historia e genealogia.

Certificações emitidas por entidades religiosas (CIL) para fins de nacionalidade portuguesa não possuem autoridade científica para anular os registros paroquiais e inquisitoriais da época e carece de validade academica.. 
A classificação é uma construção arbitrária. Ela ignora que os processos da Inquisição (Torre do Tombo) identificam - no mundo colonial (!) de então-  o pai e as irmãs como Cristãos-Novos (católicos), e não como judeus. O pior é que não falam da mãe, importantissima pelo mundo judaico. É uma lacuna científica que um CIL e os seus genealogistas não se pode permitir.

Transformar essa incerteza nominal e essa identidade hoje semplicemente em 'judaísmo certificado' sem explicar a distinçao e grandes discussões  entre etnia e religião mesmo dentro do mundo judaicoé é uma grande imprecisão, quase uma fraude historiográfica, alimentada pelo mercado de cidadanias e por genealogistas interessados em lucro, deturpando a realidade historica para fins burocráticos. 

A genealogia científica é imune a interesses de mercado .



Reflexão: A Institucionalização de Narrativas

Como pesquisadora estrangeira , a minha análise é puramente documental. As polémicas incomodam-me muito, pois apenas dificultam o meu  "trabalho" resp. as pesquisas.
Esta distância permite-me constatar que, embora o constructo em torno destas famílias possa ser um mito cultural fascinante, falta-lhe o rigor necessário para uma genealogia científica.

No entanto
             é preciso pontuar que, em uma árvore genealógica, Pedro Vaz de Barros matématicamente ( significa em téoria, nao considerando "a perda dos ancestrais") é apenas um entre meus 2.048 decavós.!
Focar exclusivamente em um único antepassado desconsidera todos os outros ramos que compõem uma história.

Entre um pai suíço, uma avó austríaca e uma bisavó húngara, minha ascendência é um mosaico europeu documentado.
Reduzir toda essa construção à uma narrativa de uma única origem sefardita para obter cidadania portuguesa para mim é um erro técnico e historico imenso que apaga a diversidade real deste meu ramo de ancestrais.


Onde a ciência exige prova, a nota narrativa ofereceu apenas plausibilidade.

No final, o que estamos a presenciar é a criação de um novo mito, semelhante ao que foi feito com os "bandeirantes"  no início do século XX. Transformar a realidade fragmentada de pessoas comuns em sagas de nobreza secreta pode ser narrativamente "interessante", mas não é ciência.

Busco a precisão do arquivo, não a conveniência do mito. A genealogia científica deve aceitar que o passado nem sempre é glorioso ou ladeado. O compromisso de quem investiga é com a verdade do manuscrito, e não com a fabricação de heróis para o consumo do presente. A questão central não é o debate entre historiadores, mas a institucionalização desse mito:

duas perguntas minhas :

1 ) Porque o CIL (Comunidade Israelita de Lisboa) aceita estas narrativas como prova cabal para fins de nacionalidade?


2) Porque a sociedade e as instituições assumem este constructo simplesmente como a "Verdade"?

É necessário que as associações especializadas, como a ASBRAP e o CIL, assumam uma postura clara e científica sobre este cenário. A genealogia científica não deve permitir que deduções sejam transformadas em "certificados" !
 
O debate deve regressar ao rigor da investigação e à realidade dos arquivos, longe das conveniências do presente.


A autora defende uma abordagem imparcial, crítica e respeitosa das pesquisas genealógicas e históricas sobre Pedro Vaz de Barros. Ele alerta contra o uso dessas pesquisas para fins políticos ou religiosos e lembra que todos os seres humanos estão ligados por uma história comum — muito além de qualquer origem ou crença específica. Espero que os brasileiros relevem a franqueza e as expressões fortes, em conformidade com os costumes europeus

Abraços Tiffany

Leia tambem, qual é a asendencia do meu ramo dos "Paes de Barros" segundo a Genealogia Paulistana de Taques e Silva Leme, curiosamente (!) sempre atual tambem pelas pesquisas e classificações de advogados, politicos, sociedades, genealogistas etc e das polemicas de hoje. : Paes de Barros - tambem descendentes de Pedro Vaz de Barros, vindo do Portugal

Nos postagens a minha historia e sobre Manoel Correa Penteado pode ler mais onde uma descendente do Pedro Vaz de Barros se une com os Penteado de Araçariguama na era colonial. Eles são os ascendentes patrilineares do meu ramo dos "Paes de Barros" de São Paulo cujo tronco é Antonio de Barros Penteado
e Maria Paula Machado de Itu SP.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Paes de Barros - Raizes de familia em Bruges, Belgica, ascendencia de Luzia Leme casada com Pedro Vaz de Barros

Esta attualizaçâo de hoje, 13.09.2017 sostitui o postagem do 6.10.2011


OS LEME família de mercadores de origem flamenga

Entende o caso : Pedro Vaz de Barros, 10° avó de Tiffany, foi casado con Luzia Leme ou Fernandes. Este ultima (segundo Silva Leme na genealogia paulistana) seria descendente da familia Leme de Bruges e Madeira.

A família Leme, de São Paulo, originária a partir de Pedro Leme (nascido no Funchal, Madeira), deixou um legado significativo para o Brasil colônia. Seus descendentes ajudaram a construir não apenas a capitânia de São Vicente, mas todo o estado de São Paulo, e as regiões Sudeste e Sul. Seus descendentes constituem-se em grande parte de brasileiros, de todas as origens.

A familia dos Leme no Brazil e na Europa ou seja as suas origens são objeto de estudo de muitos genealogistas e historiadores. Ainda existem mais de um aspecto que até hoje não e claro sobre os patriarcas dos Lemes brasileiros : Antão Leme (pai) e Pedro Leme (filho).


Tambem tem variàs pontos de polèmica sobre a ascendência de Antão Leme até os Lem, de Bruges (Flandres), hoje Belgica. As poucas fontes bibliográficas sobre as filiações em Portugal e Ilha da Madeira não deixam uma cronologia exacta. A origem flamenga ainda è claro, mas não há consenso entre histoiradores e genealogistas em Belgica, Olanda e Inglaterra e Lisboa entre as varias téorias sobre os 2 Martim Lem (pai e filho) ou Martim ou comerciante e Maertin o politico em Bruges.

Esta disscussão nasceu sobretudo após a publicação do ensaio em 2006 de Margarida Ortigão Ramos Paes Leme, Lisboa : “Os Lemes - a Percurso familiarizado de Bruges a Malaca “ , no qual ela escreveu de apenas um Maertin Lem em Portugal e Bruges.



1. Objecto da disscução: comerciante em Lisboa e Bruges no século XV

Martin I era um comerciante, nascido em Bruges. viveu a partir de ca 1450 em Lisboa e tive filhos com Leonor Rodrigues. Deixou Portugal em 1466 para Bruges.

Martin II (filho) viveu em Bruges, casou com Adrienne van Nieuwenhove e foi 'burchmeester' (burgomestre) de Bruges e em 1479 conselheiro de Maximilian da Áustria.

A grande questão é ; qual é a relação entre Martin o commerciante e Martin o burgomestre?


Teoria A : Martin  o comerciante e Martin o burgomestre  são pai (Martim I)  e filho (Martim II).
Martin Lem I nasceu antes de 1385 e foi filho de Willem. Por volta de 1440 entre a Bélgica e Portugal; casou com “Joanna de Barroso” e viveu na Bélgica .O seu filho Martin II nasceu em Portugal ou a Bélgica.
Após a morte de sua esposa “Joanna” em Bruges, Martin I voltou para Lisboa e tem 7 filhos para fora de sua relação com Leonor Rodrigues. Essas crianças foram legitimados em 1464; as cartas de legitimação estão descansando nos arquivos reais. Em 1466 Martin voltou para Bruges.

Seu filho Martin II deveria ter ficado em Bruges, após a morte de sua mãe, onde ele obteve sua educação. mas até hoje nenhuma fonte em Bruges foi encontrada por essa teoria.

Um Martin Lem foi menzionado pela primeira vez em Bruges, Bélgica, em registros do ano 1467 quando se casou com Adrienne van Nieuwenhove e diventou burgomestre/ prefeito de Bruges.

Este teoria diz que Martim Lem I o pai tive dois filhos do mesmo nome. Um Martim IIa com Joana em Bruges e outro Martim IIb com Leonor Rodrigues em Portugal. A teoria diz tambem que Martim IIa foi o burgomestre de Bruges. Não tem nenhuma prova para um casamento com Joana e nascimento de Martim IIa.

A1). Esta teoria baseia-se em uma única pessoa, “Joanna Barroso”
Mas uma pessoa com este nome não foi encontrada em outros documentos !

Nada é documentado em fontes primárias históricos. Toda a informação que temos em varias sites genealogicos vem de genealogistas e historiadores posteriores de Sueyro, cujas fontes são desconhecidas.Ele - Sueyro- foi o primeiro a escrever em 1625 sobre Martim e Antonio Leme, filhos de outro Martim Lem. Isso mais de 150 anos depois a morte do primeiro Martim Lem (1485).
A s suas informações foram copiados ainda em modo incorreto tambem por Taques e Silva Leme e depois de todos os outros. A confusao é ainda major porque também muitos filhos, netos, bisnetos etc. do primeiro Maertim Lem tem o seu mesmo nome e sobrenome.


A2). Mais tarde em 1850 Jean Jacques Gaillard, genealogista em Bruges no sec. XIX (!), escreveu a genealogia da família Lem em Bruges onde ele menziona que este Martim que foi em Portugal por algum tempo, foi casado com uma Jeanne, "natif de Portgual" = é frances e significa :Joanna natural de Portugal. Não se sabe nada sobre a fonte de Gaillard para este nome Jeanne, natural de Portugal !
E de seguro assim que outros pesquisadores após Gaillard, copiaram e ainda formaram este nome fantomatico de “Jeanne Barroso”.

Mas Sueyro nunca escreveu este nome.na sua obra "Anales das Flandres" !
Ele escreveu que a esposa de Maertim foi uma senhora do linhagem da família Barroso,

Isso nunca pode fazer dela Joanna Barroso com vem ainda hoje referido em muitos sites. Seguindo as genealogias portuguesas sabemos que em esta epoca não existiam sobrenomes….Em um linhagem encontram-se também hoje muitos sobrenomes differentes. Um linhagem significa ser membro de uma família com um ancestral comum, mas não siginifica ter o mesmo sobrenome.


Em Portugal até 1911, com efeito, a dos sobrenomes era liberal, isto é, as pessoas eram apenas batizadas com o nome próprio, e escolhiam livremente mudar esse nome próprio ao entrar na adolescência, época em que recebiam o sacramento do Crisma, considerado um novo batismo, e que permitia, e permite, mudar o nome próprio, ou acrescentar-lhe outro. Até 1911, pois, por conselho da família ou vontade própria, o crismado escolhia qual ou quais os sobrenomes de família que iria assinar como adulto. Esses registos eram exclusivamente os da Igreja Católica, que serviam oficialmente quando preciso na vida civil.

No século XIV é adotada em Portugal a língua portuguesa para os registos oficiais, abandonando-se o latim bárbaro até então utilizado para esse efeito. Isto paralelamente a outras nações europeias, onde pelos anos de 1370 já se encontra a palavra "sobrenome" em documentos, nas respectivas línguas locais.

Mas um sobrenome significando ainda e apenas, então, um segundo nome mais distintivo, livremente atribuído ou escolhido, não necessariamente transmissível. Ou seja, não o sobrenome no sentido contemporâneo do termo.- 
A necessidade de adicionar outro nome para distinguir as pessoas de mesmo nome veio a partir de certa altura a ganhar popularidade. Então elas passaram a adicionar ao nome que declaravam, ou que assinavam, o apelido (sinónimo em português de alcunha) por que os outros as distinguiam, ou então a sua terra de origem, por exemplo. Assim, o João Anes, filho do ferreiro, se diria João Anes Ferreiro, podendo passar essa alcunha/apelido aos seus descendentes. O filho de João Anes, de Guimarães, que passasse a residir em Barcelos, dir-se-ia João Anes de Guimarães. Este processo é paralelo e análogo ao da nobreza, que em muitos conhecidos se assina pelo nome das terras de senhorio da respectiva família (João Anes de Sousa, ou seja: João, filho de João, senhor ou dono das Terras de Sousa), ou Afonso Vaz Correia (Afonso, filho de Vasco, da linhagem tornada conhecida pelo epíteto/alcunha/apelido Correia). - Assim há dois tipos básicos de sobrenomes, os que eram dados, ou chamados pelos de fora a alguém, para o distinguir (apelido, o mesmo que alcunha), e aqueles que são escolhidos pelo próprio para se afirmar, ou distinguir perante os outros (toponímicos).No século XI, época da Revolução Urbana na Europa, com a explosão da população nas até então pequenas cidades medievais, pouco mais do que aldeias, o uso de um segundo nome se tornou tão comum nessas urbes subitamente crescidas, e onde as pessoas passaram a ter mais dificuldade em conhecerem-se todas, que em alguns lugares era mal considerado não se ter um sobrenome. Mas mesmo tendo sido este fenómeno o começo para todos os sobrenomes que existem atualmente, grande parte dos nomes usado nas Idades Média e Moderna não tem a ver com a família, isto é, nenhum era obrigatoriamente hereditário, até à implantação do registo civil com força de lei em Portugal, no ano de 1911. Note-se que até ao século XVII nem sequer a Família Real dispunha de sobrenome, sendo apenas os seus membros tratados pelos seus nomes próprios e seus respectivos títulos distintivos.E com isso estou convencida que este „Jeanne ou Joana“ não tive o appelido Barroso , mas, era talvez membro ou descendente de nobre familia Barroso com outro appelido ou sobrenome que não sabemos. Attenção : a familia Barroso nao tem nada a ver com a familia de Barros !!

Teoria B -    Martin I, o comerciante em Portugal é também Martim II, o burgomestre em Bruges depois 1467.
Em esta teoria, Martin Lem I foi por volta de 1450 em Lisboa Portugal, Sobre um Martim Lem se podem encontrar documentos em Portugal que contam que ele a partir de 1456 tive o monopólio sobre a compra e venda de cortiça contra o pagamento de 2.000 ‘dobrões’ de ouro.. Obtive este monopoloio do rei D. Afonso V por um período de 10 anos, Metade da cortiça comprado foi exportada para a Flandres.. Os historiadores supoem que Maerten Lem I falava Português, bem como a idioma flamenga e francesa, e se tornou um porta-voz dos comerciantes ambulantes e capitães dos barcos flamengos, holandeses e da ZelândiaComo referem documentos registrados na Chancelaria de D. Afoso V ele tive activiade em Portugal sempre ligada ao comércio. Ao chegar a Lisboa, tras tambem uma procuraçao de Rombout de Wachtere , outrossim comerciante flamengo, para lhe resolver um assunto relacionado com a venda de joias. Mas tarde, em 1466-1567, terà uma questão juricial a este respeito em Bruges, com o dito Wachtere.
Não se sabe quando ele teve com Leonor Rodrigues os 7 filhos que foram legitimados em 1464, ano em qual ele tambem foi comdecorado com brasão cavaleiro da casa real portuguesa. ( Cartas de legitimaçao datadas de Tentugal, 6.9.1464, em ANTTT- Chancelaria de D. Afonso V, liv. 8, fls. 66v-67)
São 7 cartas, uma para cada um dos fihos, diferindo apenas o nome do respectivo legitimado, sem data de nascimento).

Martim I foi bem conhecido em Portugal porque havia emprestado também dinheiro ao rei.Em 1466 Martin regressa à Bruges e parece levar com ele o filho Antonio e talvez tambem o filho Martim . (Apenas Sueyro em 1624 (!) diz que Martim tambem vai com o pai para Bruges ). 
Em Bruges Martim Leme casa em 1467 com Adrienne van Nieuwenhoven . Nasceram outros filhos e ele toma parte na vida polticial e municipal em Bruges.
Até hoje não foi encontrada uma conexão entre Martin I e Martin II nas fontes em Bruges . Este téoria diz que Martim Lem o comerciante em Portugal e Martim Lem o burogmestre em Bruges são a mesma pessoa, Martim Lem I,pai de Martim Lem II que foi negociante, com registros na Ilha da Madeira, o qual ele tive com Leonor Rodrigues, dama solteira, em Lisboa no periodo entre 1450-1466.



Escudo de Martim Lem I ,concedido por D. Afonso V de Portugal em 1464,

A merleta (ave héraldica) não aparece na héraldica medieval portuguesa mas foi bastante comum na héraldica flamenga e inglesa.


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2. Antão Leme, o patriarca em Brasil

Alguns genealogistas, discutem se Antão Leme era filho de Catarina de Barros, em razão de uma suposta cronologia conflitante. Além disso, o Nobiliário da Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha, escrito em 1700, não apresenta Antão Leme descrito no título dos Lemes. Ambas as ressalvas, constam no site “Capitão Domingos da Silva e Oliveira”, indicado nas referências.

Como “contra-argumento” ás indagações acima apresentadas, há apenas a petição de Pedro Leme, em 02 de Outubro de 1564, perante o desembargador Braz Fragoso. No documento apresentado por Taques, e, posteriormente, Silva Leme, consta:


'Diz Pedro Leme, que ele quer justificar que é filho legítimo de Antão Leme, natural da cidade do Funchal da Ilha da Madeira, o qual Antão Leme é irmão direito de Aleixo Leme e de Pedro Leme, os quais todos são fidalgos nos livros de El-rei, e por tais são tidos e havidos e conhecidos de todas as pessoas que razão têm de o saber; e outrossim são irmãos de Antonia Leme, mulher de Pedro Affonso de Aguiar, e de Leonor Leme, mulher de André de Aguiar, os quais outrossim são fidalgos, primos do capitão donatário da Ilha da Madeira; os quais Lemes outrossim são parentes em grau mui propínquo de Dom Diniz de Almeida, contador-mor, e de D.Diogo de Almeida, armador-mor, e de Diogo de Cablera, f.° de Henrique de Sousa, e de Tristão Gomes da Mina, e de Nuno Fernandes, veador do mestrado de Santiago, e dos filhos de Claveiro por ser a mãe deles outrossim sobrinha dos ditos Lemes, tios e pai dele suplicante, os quais são tidos e havidos e conhecidos em o reino de Portugal por fidalgos; pede a Vmce. lhe pergunte suas testemunhas, e por sua sentença julgue ao suplicante por fidalgo, e lhe mande guardar todas as honras, privilégios e liberdade que às pessoas de tal qualidade são concedidas. E. R. M.'

Primeiramente, devemos questionar: o que é “irmão direito”? De acordo com a enciclopédia Larousse Cultural, dentre as definições de “direito” (adjetivo), especialmente, em heráldica, significa “das armas do chefe de geração ou linhagem, sem quebra nem diferença; diz-se também do brasão apresentado em sua posição normal. Portanto, creio que podemos entender que Antão Leme foi apresentado como irmão “direto” dos demais.

Como reflexão, é importante revisarmos e enfatizarmos o parentesco com os irmãos Almeida, exposto por Taques. D. Diogo de Almeida, e D. Diniz de Almeida (contador-mor do reino), eram filhos do casal Antônio de Almeida (contador-mor do reino) e Maria Paes, sendo esta filha de João Rodrigues Paes (também contador-mor do reino) e Catharina Leme. Esta última era irmã de Antônio Leme, bisavô de Antão Leme, conforme exposição de Pedro Taques.


Além da citação de parentesco com os Almeidas, Pedro Leme, em sua justificação, apresentou como tias Antônia Leme e Leonor Leme, casadas respectivamente com Pedro Affonso de Aguiar e André de Aguiar, primos dos donatários da Ilha da Madeira. No Nobiliário das Famílias de Portugal (Felgueiras Gayo), no título dos Aguiares (arquivo 40102 – página 197), consta o casamento de André de Aguiar com Leonor Leme, sendo esta descrita como filha de Antônio Leme, neta de Martim Leme e bisneta de Antônio Leme, o flamengo. A descrição é compatível com a apresentada por Montarroyo in Pedro Taques. Quanto a André de Aguiar, o mesmo era, de fato, ligado aos Câmaras; sua avó era Isabel Gonçalves da Câmara, filha de João Gonçalves Zarco.

É interessante notar que Pedro Leme comprovou sua nobreza não apenas pela ligação com os Lemes, e não descreveu com detalhes sua genealogia; sua comprovação foi totalmente embasada em parentescos relativamente recentes e colaterais, em especial, com os Almeidas, Aguiares e Câmaras.


De acordo com Montarroyo in Taques, Martim Leme II é o formador do tronco dos Lemes na Ilha da Madeira, citando, inclusive, o ano de 1483 como data de sua mudança para a ilha. Portanto, Antão Leme seria seu neto, e, Pedro Leme, seu bisneto.

Silva Leme, no título de Lemes, cita:


F-1 Pedro Leme, que passou da dita ilha a S. Vicente com sua f.ª Leonor já casada com Braz Teves, como escrevemos adiante. Pedro Taques menciona a este Pedro Leme como o 1.º chegado a S. Vicente, porém frei Gaspar da Madre de Deus assevera ter visto o livro mais antigo de termos de vereança de S. Vicente (não consultado por Pedro Taques) onde consta que Antão Leme foi juiz ordinário na dita vila em 1544; portanto, este (e não seu f ° Pedro Leme) deve ser considerado como o tronco dos Lemes em S. Paulo.

Há testemunhos de Antão Leme ser juiz em São Vicente em 1544 (conforme informação seguinte), sendo que Pedro Leme, seu filho, já estava em 1550 em São Vicente com sua mulher, Luzia Fernandes, e filha, Leonor Leme (neta de Antão), já casada com Braz Esteves, e justificou sua fidalguia em 02 de outubro de 1564, é possível supormos:

- Leonor Leme, talvez, seria nascida por volta de 1530, ou pouco depois.

- Pedro Leme seria nascido por volta de 1505-1510, ou depois [faleceu em Março de 1600]

- Antão Leme poderia ter nascido, por volta de 1485.


Se Antão Leme é realmente neto de Martim Leme, que imigrou para a Madeira em 1483, de fato, a cronologia só é pertinente se Martim Leme levou para a ilha seu filho Antônio, já com idade para casamento. Se Antônio nasceu na Ilha da Madeira, há equívocos na apresentação da linhagem.

No entanto, no magnífico trabalho de Margarida Ortigão Ramos Paes Leme foi realizada a reconstituição da genealogia e cronologia dos Lemes
De acordo com suas ponderações, a linhagem correta dos mesmos seria :

1- Martim Lem, cavaleiro flamengo, mudou-se para Lisboa, em ca 1450. Com Leonor Rodrigues, dama solteira segundo Taques, tiveram 6 filhos que foram leigitimados em 1464. Em 1466 Martim voltou em Bruges onde ele casou com Adrienne Nieuwenhoven, com a qual tive outros 6 filhos.
Os filhos com Leonor Rodrigues são :
1.1. – Luís Leme;

1. 2 – Martim Leme, o moço….Negociante, com registros na Ilha da Madeira; talvez, participou da conquista de Tanger, em 1471. Falecido antes de 13/08/1485, mesmo ano do pai e isso tambem è ainda polemico. !!!!

1.3 – Antônio Leme, o flamengo. Assim como o irmão, participou da conquista de Tanger, em 1471. Obteve carta de fidalguia em 12/11/1471 com proprio brasão. Em 1483, foi para a Ilha da Madeira. Casou-se segundo Henrqiue Henriques de Noronha com Catharina de Barros, . Seus filhos seriam:

    1.3.1 – Antão Leme - imigrou para São Vicente com sua filha Leonor Jà casada com Braz Esteves. Antão faleceu 1560.
    1,3.2 – Pedro Leme - sem maiores informações.
    1.3.3 – Martim Leme - sem maiores informações.
    1.3 4– Aleixo Leme, casou com Mécia de Melo.
    1.3.5 – Ruy Leme; casou com Leonor Vieira (1º) e Maria Franco Cabreira (2º).
    1.3.6 – Antônia Leme, casou com Pedro Afonso de Aguiar.
    1.3.7 – Leonor Leme, casou com André de Aguiar da Câmara.

1.4.– João Leme. Foi para a Ilha da Madeira, sendo enterrado na Igreja do Convento de São Francisco.

1.5. – Rui (Rodrigo) Leme, testemunha, em 1497, do Tratado de Tordesilhas. Cavaleiro de D. Manoel em 19/09/1497. Rendeiro da Alfândega de Funchal em 1506.

1.6 – Catarina Leme. Casou 1 vez com Fernão Gomes da Mina, cavaleiro de conselho, 2.vez com João Rodrigues Paes (2º), contador-mór do Reino. Deste casamento, foram descendentes os irmãos Almeidas, citados na justificação de Pedro Leme.

1.7. – Isabel ou Maria Leme casou com Martim Dinis – mãe de Henrique Leme, este ultimo nomeu toda a sua familia no seu testamento que foi......


3. Antonio Leme, patriarca dos Leme no Brasil.




Para a ingestão de Arzila em 24 de Agosto 1471e a ocupação de Tânger em 29 de Agosto 1471, Antonio Leme foi condecorado pelo príncipe D. João I, por o seu heroísmo, de acordo com um documento que está localizado na Torre do Tombo, ANTT – Chancelaria de D. Afonso V, lv. 21, fl. 90.

Na carta de armas do 1471 o rei D. Afonso V de Portugal declara que concede as referiias armas:

Chancelaria de D. Afonso V, lv. 21, fl. 90
>>Amtonio Leme carta por que lhe foy dado huum escudo tymbrado d’armas novas
“”e para todos aquelles que delle deçenderem por legitimo matrimonio”” (é o nosso caso).
Dom Afomso etc. A quamtos esta nossa carta virem fazemos saber que comsiramdo nos em como ho principe meu sobre todos muito preçado e amado filho de seu propio querer e vomtade por seus serviços fez Antonio Leme cavaleiro de sua cassa nos avemdo respeito aa sua booa vomtade e desejo com que nos veo de Framdes servir em a tomada da nossa villa d’Arzilla e çidade de Tamger com çertos espyngardeyros e homens em huuma hurca em a quall o seu pay Martym Leme o enviou a nos servir na dita guerra e queremdo mais aimda honrrar como theudo somos fazer aos que nos no semelhante bem servem como elle dez desy querendo lhe fazer graça e merçee de nosso propio querer vomtade e poder absoluto queremos e a nos praz darmos lhe huum escudo timbrado de novas armas .s.
huum escudo do quall o campo he d’ouro com çinquo merlletas de sable em santoir segundo he comtheudo em este escudo aquy em esta nossa carta patente blasonado e pyntado posto que nos bem em conheçimento somos que elle da parte de seu pay pode trazer armas com deferença mas porque elle verdadeiramente as tenha e possa trazer como chefe dellas sem deferença alguma como aquelle que por seus serviços e mereçimentos gaanhou nos lhe damos as dittas armas novamente para elle e para todos aquelles que delle deçenderem por legitimo matrimonio.
E por esta nossa carta mandamos ao nosso primeiro rey d’armas e ofiçiaes dellas que assy o notefiquem e em seus livros registem porque assy he nossa merçee e vomtade e por sua guarda e memoria e seer notorio para sempre como todo passou lhe mandamos dar esta nossa carta por nos asynada e scellada do nosso scello do chumbo.>>

Se trata de uma concessão muito honrosa sob a original forma de evitar - segundo as regras de héraldica - que o armigéro Antonio Leme tenha de usar as armas paternas (veja o escudo de Maertem Lem I) com a respetiva diferença do segundogenito e possa ostentar armàs proprias como verdadeiro chefe de linhagem. A diferença são os cores e o numéro das figuras, as merletas.

A conceder a Antonio Leme o brasão das cinque merletas (o que do pai tive três) D. Afonso procedia conforme o melhor conhecimento das regras héraldicas medieval e ao mesmo tempo como acrescimento honroso.

Segundo Margarida Ortigão, António Leme, foi o terceiro filho de Maertem Lem I e Leonor Rodrigues, seguindo as cartas da ordem das legimitações (Torre de Tombo).

Sobre Antonio Leme, filho de Martim Lem I 
" Durante os anos 80, encontramo-lo plenamente fixado na Madeira, para onde terá ido possivelmente como representante dos interesses da família naquela ilha vocacionada para o comércio do açúcar. Segundo notícias que nos chegam por via do cronista dos feitos de Cristóvão Colombo, Bartolomeu de las Casas, um dos informadores do descobridor da América foi “un Antonio Leme, casado en la isla de la Madera [que] le certificó que habiendo una vez corrido con una sua carabela buen trecho al poniente, había visto tres islas cerca de donde andaba...”
António instala-se no Funchal como cultivador de açúcar e toma parte na vida municipal, tendo sido vereador por diversas vezes entre os anos de 1485 e 1491. É, nos documentos que nos chegaram, chamado de “homem bom” e “cavaleiro”, o que o mostra plenamente integrado nos extractos superiores da sociedade madeirense.
Na Madeira Antonio Leme casou com Catarina de Barros, filha de Pedro Gonçalves da Clara e de sua mulher Clara Esteves de quem teve, pelo menos, sete filhos
1) Martim (III), 2) Antão, 3)Pedro, 4) Aleixo, 5) Rui, 6) Antónia e 7) Leonor.

Não sabemos quando Antonio morre, mas terá sido depois de 1514, ano em que assina um conhecimento de dívida de 15.000 rs de um moio de trigo recebido do feitor da terça parte da renda das Ilhas".

Sobre Pedro Leme, patriarca dos Leme em Brazil, e seu pai, Antão Leme, é referido em "Antão Leme e Pedro Leme Rumo ao Brasil", outro trabalho por Margarida Ortigão Ramos Paes Leme o seguinte:

" Em novmebro de 1542, em Lisboa, Pedro Leme e sua mulher Luzia Fernandez vendiam algumas propriedades que possuiam em Sáo Mamede, termo da vila de Obidos, Portugal, com o intuito de partir para o Brasil na companhia do pai dele, Antão Leme, que testemunha o ato, lavrado em Lisboa a 22 de novembreo de 1542. . (Torre de Tombo, Colegiada de Santa Maria de Obidos, mç, 17, doc 80, fl1 - Revista ASBRAP nr.22).Alguns dados preciosos nos transmite o documento que pai e filho partiram de Lisboa (e não da Madeira como se acreditava) para o Brasil, em finais de 1542, o mais tardar em principios de 1542. Em seguida sabemos que Luzia Fernandes não era madeirense (como todos os antigos genealogistas pretenderam) mas natural de São Mamede, termo de Obidos, onde vivera com o marido e onde a sua familia (mãe e irmão, pelo menos) ainda vivia. Leonor Leme, a filha de Pedro e Luzia (à data da escritura com cerca de dois anos) confirma aliàs, ter nascido em Obidos, quando em 1622, com mais de 80 aos, foi interrogada em Sao Paulo, no àmbito do processo de canonizaçáo do padre José Achieta..Entre as testemunhas que assinam a escritura da venda, encontra-se Roque Dias de Aguiar, expressamente designado <genro do dito Antão Leme>. Considerando o sobrenome de Roque, parece-nos que ele pertenceria aquela familia madeirense de que dois membros jà tinham casado com as irmãs de Antão, a saber: André de Aguiar com Leonor e Pero Afonso de Aguiar com Antonia..Antão Leme, pai de Pedro Leme, era filho de Antonio Leme e de Catarina de Barros, neto paterno de Martim Leme e de Leonor Rodrigues e materno de Pedro Gonçalves da Clara e de Isabel de Barros, todos moradores na Madeira. Tal como Pedro Leme, seu filho, informarà na petiçao que fez ao rei em 1564 para lhe ser justificada a fidalguia, Antão era irmão de outro Pedro Leme, do Aleixo Leme, de Antonia Leme e de Leonor Leme, mas tambem de Rui Leme e de Martim Leme. Antão não é referido entre os filhos de Antonio Leme, como tambem não o é este seu irmão Martim. (sabe-se da existencia deste Martim por um documento designado "Relação dos fidalgos e cavaleiros que aompanharam João Gonçalves da Càmara na expediçao a Azamor" - Torre do Tombo, Fragmentos, cx, 9, mç1, n° 18, publicado por FARINHA, Antonio Dias 1986).Antão Leme poderà ter vindo novo para o continente e portanto não ter deixado memoria nas genealogias da ilha. Pelo documento que é referido (ABRASP) ficamos a saber que de Lisboa partiu para o Brasil, na companhia do filho, da nora e certamente a neta ainda criança, reinava em Portugal D. João III e havia poucos anos que a Martim Afonso de Sousa fora doada a capitania de São Vicente, para onde Antão se dirigiu e onde em 1544, jà era juiz ordinario. (MADRE DE DEUS, Gaspar de) "

(fonte: Texto do trabalho de Margarida Ortigão Ramos Paes Leme, "Antão Leme e Pedro Leme rumo ao Brasil")

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4. CURIOSIDADES: As armas de Antonio Leme em Brasil:


4.1)  escudos do marquês de São João Marcos e do marquês Quixeramobim.

Eles foram ambos:

- trisnetos do "caçador das esmeraldas" Fernão Dias Paes Leme (filho de Pedro Dias Paes Leme e Maria Leite),

- bisnetos de Garcia Rodrigues Paes que em 1702 foi agraciado com o fora de cavalheiro fidalgo da casa real,-
- netos de Mestre de Campo Pedro Dias Paes Leme o qual tirou brasão de armas em 1750, que é o mesmo dos Lemes, (genealogia paulistana Silva Leme, e nobiliarquia paulstiana Pedro Taques).

escudo do Marquès de São João Marcos (Pedro Dias Paes da Câmara)
por decreto do Rei D. João VI de 5 de Fevereiro de 1818 :

escudo do Marquês Quixeramobim (Pedro Dias Paes Leme), Barão com grandeza por decreto de 12 de outubro de 1825. Visconde com grandeza por decreto de 4 de abril de 1826. Marquês por decreto de 12 de outubro de 1826 e primo do Marquês de São João Marcos

Escudo: Em campo de ouro, cinco melros negros, sem pés, sem bicos, póstos em santor. coroa: a do Marquês.Alvarã de 1471, confirmado em 20-XII-1750.
(fonte: Anuario genealogico brasileiro - titulares do Império)


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4.2. Na Fonte Luminosa de Belém, Lisboa, Portugal, tem a pedra de armas de Antonio Leme. Segundo informações na Internet, todos os 32 brasões em essa fonte rapresentam provincias do império de Portugal.

a minha pergunta é: porque o brasão de Antonio Leme ésta para uma provnincia (Madeira) ?

CoA de Antonio Leme, Fonte Luminosa, Belém, Portugal

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4.3Existe hoje em Sao Paulo este brasão da Rota de São Paulo e 1° batalhão choque de Tobias de Aguiar.


Este brasão foi criado por decreto Nº 20986 de 1º de Dezembro de 1951. 
Não tem nada a ver com nobreza ou genealogia. 
Encontramos aqui o escudo de Antonio Leme, alvarà 1471....

....talvez porque segundo a genealogia Paulistana por Silva Leme, a avó materna do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar 
 foi descendente de Leonor Leme,  (irmã de nossa Luzia Leme ) e tambem filha de Fernando Dias Paes e Lucrecia Leme a qual veio com seu pai Pedro da ilha Madeira para o Brasil ?

Gostaria, por meio deste texto, de incentivar discussões e investigações sobre as origens de uma família tão ilustre na história de São Paulo e do Brasil e de approfondir as pesquisas em nova forma sobre a descendencia em Brasil. Uma familia a qual entre muitos outras familias se ligou por casamento de Luzia Leme ou Fernandes aos antepassados dos Paes de Barros, o cap.Pedro Vaz de Barros,
Sobre este ultimo não foi encontrado NADA que poderia confermar ou elucidar o que escreveu Silva Leme na genealogia paulistana. !




OBRIGADA
Wil Lem, Maastricht, Lem family association com
(Margarida Ortigão (Uni, Lisboa), Jacques Paviot (Uni  Paris-Est Créteil),



Fontes:

- Os Lemes – um percurso familiar de Bruges a Malaca. Margarida Ortigão Ramos Paes Leme. Seminário de História Política do Mestrado em História, área de História e Arqueologia Medievais, no ano letivo de 2005-2006. SAPIENS - Revista de História, Património e Arqueologia, n.º 0, 2008. Página 27. 

- Famílias da Madeira e Porto Santo. Câmaras de Lobos. AUTOR: Compilação de Carlos Agrela.

- Martin Leme, La Carte du Duc, le contrat de blé, Bruges e Madeira, Philppe Garnier

- Antão Leme e Pedro Leme Rumo ao Brasil, Margarida Ortigão Ramos Paes Leme

- Wil Lem, Maastricht, Lem family association

- GAIO, Felgueiras, 1750-1831,Nobiliário de famílias de Portugal / Felgueiras Gaio. - [Braga] : Agostinho de Azevedo Meirelles : Domingos de Araújo Affonso, 1938-1941 (Braga : : Pax). - 17 v. : il. ; 30 cm; Digitalizado e disponível em: http://purl.pt/12151

- Genealogia Paulistana - Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919)Vol II - Pág. 179 a 229 - Tit. Lemes (Parte 1)

- Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica. Pedro Taques de Almeida Paes Leme. Tomo III. Título LEMES. Editora: USP. Ano: 1980. OBS: A obra original, é do Século XVIII.

- Ruud Lem, Inglaterra

- André Claeys

- Capitão Domingos da Silva e Oliveira (website)

- http://genealogiaeorigens.blogspot.it/2016/01/os-lemes-e-ligacao-aos-barros-e-camaras.html