Sigo de muitos anos as varias pesquisas e narrativas sobre Pedro Vaz de Barros.
Tem uma distinçao que muitos de estas pessoas não sabem : Ser de origem sephardita é bem diferente de ser judeu sephardita.
Que ele é ou seria de origem sephardita realmente não é surpreendente nem uma sensação quando se pensa na história da Península Ibérica. Desde tempos imemoriais, os povos se misturaram ao longo da história.
Jà conta historia de conversâo e antepassados de quem nâo se sabe ainda nada.
1 ) Sobre a Identidade Religiosa e o conceito de "Judeu"
No mundo judaico, existe uma longa e complexa controvérsia sobre o termo "judeu", dividindo-o entre a
Pedro Vaz de Barros nasceu, viveu, casou na Igreja e foi enterrado como católico. Rotulá-lo pessoalmente somente como "judeu sefardita" sem referir esta distinçao no mundo judaico na árvore é um anacronismo e uma falsidade biográfica. Não se trata de uma opinião, mas de uma constatação baseada na ausência de provas: todos os registros existentes mostram uma trajetória estritamente católica. Ignorar isso em favor de uma narrativa moderna é sacrificar a verdade histórica.do individuo"
Muitos portugueses tem sepharditas e tambem arabes/ moriscos na sua ascendencia e assim pode ser que ele nâo tem somente origens sepharditas, mas tambem arabes e quem sabe quanto mais.
2 ) Pedro Vaz de Barros Hoje: Duas Visões Opostas
A genealogia se ocupa com a conexâo biologica / Historica entre diferentes individuos e de uma reconstrução da seqüência ordenada de gerações. !
Ela é o hábito de relacionar os ancestrais para torná-los conhecidos e qualificar o indivíduo perante seus pares, nas varias sociedades e civilizações. .Isso funcionou como a base elementar na formação das civilizações, Sumeriana, Egípcia, Hindu, Chinesa, Japonesa, Grega e Romana e, até, nas tribos indígenas do Amazonas.
Numa perspectiva mais abrangente, a genealogia procura reconstituir o perfil e a história social, política, econômica e cultural da família e seus integrantes no proprio tempo,: suas associações com outros grupos e seu papel na sociedade nas varias epocas (!), os quaes necessitam ser observados em maneira objetiva e então, não com o olho e ponto de vista de hoje para certos objetivos politicos ! Então não é importante a religiao, etnia etc porque este fazia parte da epoca do individuo que o formou e que o fazia lutar para varias razôes ! Isso é importante, não a critica da politica do ponto de vista de hoje.
Uma hipótese em aberto è a sua ligação direta a uma família de Cristãos-Novos de Évora (as irmãs processadas pela Inquisição, ver embaixo) é considerada uma hipótese plausível por semelhança de nomes e datas, mas que carece de prova documental primária (certidão de batismo ou testamento).
Um caso de estudo sobre rigor:
b) Para os Advogados, Intermediários e "Genealogistas" de Conveniência
Para eles, um "judeu sefardito" é um mero instrumento jurídico: É tratado como uma chave comercial de acesso. Uma vez que a narrativa da sua origem foi validada pelas comissões certificadoras da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) , ele passou a funcionar como um produto que garantia a aprovação em massa de processos de nacionalidade portuguesa.
Ele diventou um símbolo artificial de identidade. É rotulado e forçado na categoria de "judeu sefardita" única e exclusivamente para preencher os requisitos de uma lei de reparação histórica. Para este grupo, a ausência de documentos diretos do século XVI é ignorada. Fabrica-se uma pertença grupal e um "defeito mecânico" póstumo para justificar a obtenção de um passaporte europeu ou para fins politicos e pertencimento para nao se sabe coisa !
É ético aceitar uma "quase verdade" ou uma "probabilidade" quando há interesses práticos em jogo? Para os advogados e para quem queria o passaporte, e assim tambem pelos muitos "politicantes" a árvore genealógica tornou-se uma ferramenta comercial. A "verdade" passou a ser aquilo que a CIL aceitava.
Mas para a ciência e para a moral, a verdade não se negoceia: ou um facto está provado ou não está. Usar a genealogia como um disfarce para obter direitos legais fere a ética da honestidade intelectual.
É moralmente correto usar a dor e a perseguição de antepassados do século XVI para obter um benefício material no século XXI?
É profundamente cansativo ver figuras históricas coloniais serem "rotuladas" com identidades religiosas e étnicas que nunca tiveram em vida, apenas para servir a propósitos do presente. Acredito que a genealogia e a história não devem ser usadas para questões politicas e religiosas de certos historioadores ou "genalogistas" por fim politico. Parece quase uma inquisiçâo ou nazi-raçismo ao contrario com todas estas estrelas de David e menoras os quais se podem encontrar nos varios plataformas e sites de genealogia (!). Ao focar apenas no 'sangue' e ignorar que Pedro Vaz de Barros viveu e morreu como católico no mundo colonial, estamos repetindo erros históricos de classificar indivíduos apenas por sua genética, e não por sua história real.
3 ) Origens das pesquisas sobre historia "oculta" e polemicas de hoje
Acho importante saber que a polemica sobre as origens de Pedro Vaz de Barros jà nasceu no inicio do sex XIX , como se pode entender tambem no artigo embaixo, e sim, é muito interessante. .Sem entrar nas detalhes posso dizer que a polêmica nasceu da colisão entre o mito da elite fidalga e a realidade do capital mercantil, e hoje "transbordou" para um uso político que muitas vezes ignora o rigor dos fatos. Tenho a impressão que o cenário atual è um amálgama onde disputas acadêmicas do século passado, necessidades políticas de hoje e o desejo de pertencimento individual se misturam, criando uma narrativa muitas vezes confusa que traz à opiniões idenditarias e seletivas.onde se escolhe o que "serve" para a opinião atual e ignora-se o contexto histórico real.
" Informações históricas e genealógicas desse naipe mais causam polêmica, dúvidas, do que esclarecem ou acrescentam algo ao que já se sabe sobre a família "
1) MOURA, AMÉRICO DE. “Os povoadores do campo de Piratininga (traços biográficos e genealógicos, Separata da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓ-RICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO. Vol. XLVII, págs. 146 e 147. Este autor parece que possuía muitas informações interessantes e originais, quando escreveu o artigo. Não se sabe se conseguidas através de pesquisas, leitura ou tradição oral familiar ou social. Porém, foi displicente, não pensando na contribuição histórica que poderia realmente dar para o futuro; simplesmente desleixou nas referências/fontes de onde, supõe-se, extraiu suas informações. Algumas destas fontes, simplesmente não menciona; outras, cita de passagem, sem precisar onde foram encontradas ou se achavam arquivadas na ocasião, impedindo uma consulta posterior sobre a matéria. Ele cita o nome dos pais do primeiro Pedro Vaz de Barros: diz serem Jerônimo Poderoso (sic) e Joana Vaz de Barros. Esse Poderoso poderia ser, inclusive, uma má leitura paleológica de Pedroso; mas ele reforça a afirmação ao dar o nome do primeiro filho do casal como Antônio Poderoso (e acrescenta...”depois Antônio Pedroso de Barros”), aquele que conhecemos por Pedro Taques e Silva Leme também como Antônio Pedroso de Barros. Se essa informação fosse acompanhada pela fonte onde a colhera, seria de grande interesse histórico e genealógico. Mas cai no vácuo de profunda dúvida. Outra notícia que dá sobre esse par ancestral é que eram “ambos meio cristãos novos”. Mas também não declara de onde tirou essa informação. Como o artigo é de 1952, antecedeu na assertiva a José Gonçalves Salvador (ver Nota , abaixo), o que faz supor que este se louvou no primeiro para passar adiante a notícia, infelizmente não baseada em fonte resgatável. Outra informação que dá é que Antônio Pedroso de Barros declarou ao visitador do Santo Ofício, em 1591, na Bahia, ser “tratante”(contratado) para o Peru; aí declarou também os nomes e condição dos pais (descendentes de judeus). Essa notícia seria de grande valor para os descendentes, se fosse fundamentada, mas até o dia de hoje não se sabe onde está esse documento, quem o viu, quem primeiro transmitiu o fato. José Gonçalves Salvador também confirma o caso com as mesmas palavras, talvez se louvando em Antônio Moura, sem apurar se fundamentada ou não. Sobre Pedro Vaz de Barros ( Iº), Moura acrescenta de novidade que era mor-domo da Confraria do Rosário, mas também sem citar datas ou origem da notícia. Diz ainda que recebera uma Sesmaria, em 1501, em Cabo Frio, atualmente, Rio de Janeiro, registrando a seguir : “ ”Sesm.”, I, 201”
2) JOSÉ GONÇALVES SALVADOR, “Os Cristãos-Novos e o Comércio no Atlântico Meridional”, págs. 65, 82, 95, 102, 104, 113, 130, 231,359, 369; “Cris-tãos-Novos, Jesuitas e Inquisição”, págs. 17, 46, 47, 52, 169, 172, 173, 185); “Cristãos-Novos – Povoamento e Conquista do Solo Brasileiro”, Editora Pionei-ra/MEC, págs. 7, 8, 13, 14, 32, 34, 62). A idade dos irmãos Pedrosos de Barros, além de outros cálculos, pode-se confrontar com que este autor diz, na p. 65, do primeiro livro aqui citado: “Um dos tais, rapaz de 21 a 22 anos (estava-se em 1591), chegara do Peru ainda há pouco, aonde fora na qualidade de “tratante”. Seu nome? Antônio Pedroso de Barros, que viria a ser figura de projeção na capitania vicentina”. Dá como referência “Documentos da Visitação de 1591....,cf. Bh 1591, p.195”.
b) Marcelo Meira Amaral Bogaciovas (1955–2020) ,AINDA: Onde estariam, na Bahia, esses documentos que merecem uma publicação caprichada e bem divulgada?
O seu nome está inseparavelmente ligado à investigação sobre os chamados cristãos-novos na São Paulo colonial.
Bogaciovas dedicou grande parte da sua vida a rastrear raízes judaicas nas antigas elites paulistas. A sua dissertação de mestrado "Tribulações do Povo de Israel na São Paulo Colonial", defendida em 2006 na Universidade de São Paulo (USP), é considerada uma obra de referência.
Ao contrário de muitos genealogistas anteriores que apenas copiavam livros antigos (como os de Pedro Taques ou Silva Leme), Bogaciovas viajava regularmente para Portugal desde os anos 1980. Passou meses no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, a ler processos originais da Inquisição (paleografia).
Bogaciovas encontrou nos arquivos de Évora os processos reais da Inquisição das irmãs Lucrécia e Bernarda Pedroso, como o de Barbara Filipe que tinham sido condenadas por "judaísmo". Foi Barbara Filipe que denunciou as irmãs Pedroso.
A TESE de Bogaciovas: Com base em semelhanças de nomes e em contextos cronológicos, levantou a hipótese de que o famoso cap. mor e sertanista, Pedro Vaz de Barros seria irmão destas mulheres e, portanto, filho de Jerónimo Pedroso e Joana Vaz.(SEM BARROS em todas os processos, mas usado com por Bogaciovas)
A lacuna histórica: Bogaciovas nunca conseguiu comprovar esta ligação direta no século XVI através de uma certidão de batismo ou de um testamento.Ele reconstruiu a ligação com base no princípio da plausibilidade (abdução) o que deveria abrir novas pistas de pesquisa.
A instrumentalização após a morte de Bogaciovas
Bogaciovas faleceu em maio de 2020, em pleno "boom" dos pedidos de nacionalidade portuguesa por via sefardita.Ele próprio era um investigador rigoroso. O problema da instrumentalizaçãi e novas polemicas surgiu apenas após as suas descobertas:
- Escritórios de advogados juntos à agências e genealogistas
pegaram nos seus trabalhos de investigação académica e transformaram tese di investigaçao nos numa verdade absoluta e inquestionável para a indústria da naturalização.
- A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) mesma adotou a sua reconstrução de forma acrítica como algo "provado" o que NÀO é verdade.
Marcelo Bogaciovas queria tornar visível a história oculta dos cristãos-novos no Brasil.
4) Ausência de prova primária
A tese de que Pedro Vaz de Barros e o seu irmão António Pedroso de Barros seriam filhos de Jerónimo Pedroso e Joana Vaz baseia-se numa proposta do genealogista Marcelo Bogaciovas.Contudo, não existem registos de batismo, testamentos ou documentos primários do século XVI que comprovem documentalmente esta filiação ou que atestem que Pedro era irmão de Lucrécia e Bernarda Pedroso (cujos processos da Inquisição provam a sua ascendência judaica, filhas de um cristão-novo).
Segundo varias fontes ela era cristã velha (!) e fazia parte de uma das muitas familias de Barros em Portugal. Talvez da pequena nobreza.
Porque é claro : somos todos tambem indios, negros, brancos etc - somos seres humanos- interligados por varias historias, epocas, culturas e por isso tambem por varios religiôes ! Fazem todos parte da historia da humanidade.
5) CONCLUSÃO
Voltando ao incicio de este postagem, eu respondo :Dizer hoje que os descendentes brasileiros de Pedro Vaz de Barros todos são 'judeus sefarditas' é um erro histórico. Após a conversão forçada, essas pessoas tornaram-se cristãs (Cristãos-Novos) e, ao longo de 500 anos, a sua identidade fundiu-se completamente com outras origens (europeias católicas, mouriscas, indígenas e africanas) dentro um contexto colonial. Um descendente de 15ª geração não é um 'judeu', mas sim um cidadão brasileiro de ascendência mista que possui um antepassado que, em algum momento do século XV ou XVI, foi judeu ou morisco ou ambas.
Imagens como Estrelas de David ou Menorás anexadas a este pessoa nas plataformas de genealogia são classificadas como Desinformação Visual.
Certificações emitidas por entidades
religiosas (CIL) para fins de nacionalidade portuguesa não possuem autoridade
científica para anular os registros paroquiais e inquisitoriais da
época e carece de validade academica..
A classificação é uma construção arbitrária. Ela ignora que os processos da
Inquisição (Torre do Tombo) identificam - no mundo colonial (!) de então- o pai e as irmãs como
Cristãos-Novos (católicos), e não como judeus. O pior é que não falam da mãe, importantissima pelo mundo judaico. É uma lacuna científica que um CIL e os seus genealogistas não se pode permitir.
Transformar essa incerteza nominal e essa identidade hoje semplicemente em 'judaísmo certificado' sem explicar a distinçao e grandes discussões entre etnia e religião mesmo dentro do mundo judaicoé é uma grande imprecisão, quase uma fraude historiográfica, alimentada pelo mercado de cidadanias e por genealogistas interessados em lucro, deturpando a realidade histoica para fins burocráticos.
A genealogia científica é imune a interesses de mercado .
A autora defende uma abordagem imparcial, crítica e respeitosa das pesquisas genealógicas e históricas sobre Pedro Vaz de Barros. Ele alerta contra o uso dessas pesquisas para fins políticos ou religiosos e lembra que todos os seres humanos estão ligados por uma história comum — muito além de qualquer origem ou crença específica. Espero que os brasileiros relevem a franqueza e as expressões fortes, em conformidade com os costumes europeus
Abraços Tiffany
Leia tambem, qual é a asendencia do meu ramo dos "Paes de Barros" segundo a Genealogia Paulistana de Taques e Silva Leme, curiosamente (!) sempre atual tambem pelas pesquisas e classificações de advogados, politicos, sociedades, genealogistas etc e das polemicas de hoje. : Paes de Barros - tambem descendentes de Pedro Vaz de Barros, vindo do Portugal
Nos postagens a minha historia e sobre Manoel Correa Penteado pode ler mais onde uma descendente do Pedro Vaz de Barros se une com os Penteado de Araçariguama na era colonial. Eles são os ascendentes patrilineares do meu ramo dos "Paes de Barros" de São Paulo cujo tronco é Antonio de Barros Penteado e Maria Paula Machado de Itu SP.