“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Manoel Correa Penteado e Beatriz de Barros - onde os Penteado se unem aos "Barros"

... e onde o sobrenome não indica um unica  "linhagem" familiar - historia colonial

texto atualizado em abril 2026 por Tiffany

Todas as famílias hoje e entâo descendem necessariamente de outras, sendo que o início de cada uma se tem de fazer no momento em que se autonomizam com um nome e uma identidade "simbólica" própria.
Uma "familia" tem muitissimos (!!) antepassados e muitissimas familias que contam a origem de nós,

A genealogia biologica conta e foca no "INDIVIDUO"e na PESSOA no seu contexto historico no seu proprio tempo e NAO no SOBRENOME ou na genealogia simbolica que é somente politica de hoje .

Uma unica origem, e uma narrativa simbolica que conta de um unico casal de patriarcas que inclui todos os "Paes de Barros" de hoje no Brasil não existe !

Os meus antepassados  "Paes de Barros"  tem ascendencia em muitas  familias como os Penteados, os Leme, Leite, Prado, Barros, Mesquita .etc etc  colocados assim em certas "linhagens" por Pedro Taques e Gonzaga Silva Leme nas respetivas obras de genealogia . 

Para entender quem foram os meus verdadeiros antepassado biologicos, necessitei além de entender as varias politicas de historiografia brasileira (!) - , tambem entender o sistema dos sobrenomes em Brasil que na epcoa era bem diverso do que hoje.
Nâo existiram regras pelos sobrenomes no Brasil.  (Leia mais sobre sobrenomes clique aqui sobrenome e confusão )


 
Entende o conceito dos sobrenomes. 
Em epoca colonial em Brasil era bem diferente do que hoje.
Nâo existiam regras de sobrenome no mundo luso e espanhol como na Europa do Norte. 
Muitas vezes os filhos não usaram o sobrenome do pai ou dos avós paternos, mas usaram o próprio patronímico, outras vezes tomam o mesmo patronímico dos avós maternos  ou paternos, ou mesmo dos bisavós (maternos ou paternos que tiveram todos sobrenomes diferentes). Outras vezes de um padrinho e mesmo de um primo ou um tio dos proprios antepassados como em caso de Fernao casado com Angela mais adiante.
Era para ligar se à "fama" dos familiares o que significou espor o proprio "Status social" herdado.

Tambem é importante saber que na epoca, no seculo 17 a vida era organizada em maneira PATRIARCAL.. A posse, a religião foram fundamento da vida, nao o sobrenome, ou o clã come se quer ver hoje.  Nao existitu uma "nobreza" como no Portugal, mas sim os donos de imensas sesmarias e terras. Foi um mundo feudal com hierarquias bem definidas.

"A familia"  era uma unidade de produção e política que era tambem a religião.. 
O patriarca exercia domínio absoluto sobre a esposa, filhos, agregados e escravizados. O prestígio vinha da rede de dependência que ele sustentava. O catolicismo não era apenas fé, mas a base jurídica e moral. O batismo e o casamento religioso eram o que conferiam legitimidade social e garantiam o direito à herança, muito mais do que um sobrenome pomposo.


Aqui no grafico pode-se ver a reconstruçâo da ascendencia patrilinear e as origens em Araçariguama SP colonial do meu ramo dos "Paes de Barros" , famoso depois na era imperial em Sao Paulo, vindo de Itu e Sorocaba.

 


Linha Patrilinear, porque ?

Indicar a linha patrilinear é, em grande parte, uma forma de documentar e explicar como o poder e a autoridade eram estruturados historicamente através do patriarcado.
Embora a patrilinearidade e o patriarcado (o sistema de poder) sejam conceitos diferentes, eles estão profundamente interligados na genealogia porque um funciona como a ferramenta prática e o outro como a ideologia de poder.
Enquanto o patriarcado estabelece que o homem deve deter a autoridade, a patrilinearidade fornece as regras para que essa autoridade seja transmitida e mantida ao longo das gerações.
A patrilinearidade - tambem para as mulheres- é o caminho que liga o seu pai aos antepassados masculinos porque o poder e a hierarquia era patriarcal.O pertencimento à família no Brasil colonial (1500-1822) era o pilar fundamental da estrutura social, definindo não apenas a identidade individual, mas também o acesso à terra, poder, herança e status jurídico e social ! A organização familiar era caracterizada por um patriarcalismo forte, onde o chefe de família (pai ou proprietário) exercia autoridade total sobre a esposa, filhos, agregados e escravizados

Nao inclui o sobrenome !! O sobrenome funcionava como uma "marca" que indicava a posse de terras, cargos na administração colonial ou pureza de sangue.Um filho poderia adotar o sobrenome da mãe ou da avó materna etc (como jà menzionado antes) se a família dela fosse mais influente ou rica que a do pai.

Essa foi precisamente a minha motivação para elaborar o gráfico supra. Porque os antepassados viveram em um mundo patriarcal. O grafico evidencie a patrilinearidade e ao mesmo tempo indica a diversidade de sobre nomes.


Nota:
O primeiro de sobrenome "Paes de Barros"  na linha patrilinear no meu ramo Paes de Barros e de Aguiar se pode encontrar com o capitão Fernão Paes de Barros nascido ca. 1700 e falecido em 1755. Era filho de Manoel Correa Penteado e de Beatriz de Barros.
Ele era casado com sua prima: Angela Ribeiro Leite (de Cerqueira).
Efeitivamente encontrei nos descendentes de Manoel e Beatriz  o maior numéro de pessoas que tem o sobrenome Paes de Barros (sempre segundo as obras de Taques e Silva Leme).
Ele porém por pai não descendeva de uma familia "Barros", ele descendia em linha patrilinear dos "Penteado"

Fernâo "Paes de Barros"  era filho de Manoel Correa Penteado e de Beatriz de Barros, meus heptavós. Note o sobrenome ! Mas sabe que até o seu casamento em 1731 ele use o sobrenome "Paes Penteado", nao Paes de Barros. Somente apos o nascimento da sua primeira filha em 1732 ele adotou o sobrenome "Paes de Barros". 
Muito provavelmente Fernao Paes Penteado adotou o sobrenome famoso, vivendo em Sao Roque onde sua mâe Beatriz teve seus tio-bisavós famosos que foram Pedro Vaz Guassu e Fernao Paes de Barros.  

Os dois primeiros "Paes de Barros" que encontrei entre os varios antepassados com o sobrenome Paes de Barros foram Fernão e Sebastiao Paes de Barros  (clique o nome para saber mais sobre ele)
que foram os tio-bisavós maternos do Fernao Paes de Barros,  filho de Manoel Correa Penteado e de Beatrizs de Barros.  Como se pode ver o sobrenome de Fernao nao era Penteado, mas Paes de Barros, mesmo que o pai era com sobrenome "Correa Penteado".


Explicação dos antepassados no grafico.



1) FRANCISCO RODRIGUES PENTEADO (falecido em 1673)
Ele era o mais antigo do lado paterno na minha familia "Paes de Barros".
Atençao ao sobrenome !

Francisco Rodrigues Penteado era natural de Pernambuco onde seu pai - Manoel Correa - havia vindo da Lisboa.
Este seu pai devia ter havido um certo apreço pela instrução dos filhos, já que ele fez estudar seu filho Francisco Rodrigues Penteado as chamadas "artes liberais" - o que era um luxo na epoca e significa que era pessoa de presitigio e aparentemente abastado.
Francisco foi enviado à Lisboa não apenas para passear, mas para exercer uma função jurídica e econômica: receber uma herança. Mas Francisco em vez de tratar dos negócios da herança, ele só quis saber de gastar todo o capital que o pai lhe tinha dado ou que ele tinha acabado de receber. A "honra" do filho estava ligada à sua capacidade de obedecer ao pai e gerir o patrimônio da família. Como ele falhou e "estragou o cabedal", ele perdeu o direito de voltar para casa com dignidade. Por isso, ele fuge para o Rio de Janeiro em vez de voltar para Pernambuco. Como ele não tinha mais dinheiro, ele usou seus talentos sociais para sobreviver. Ele se tornou um agregado de luxo de Salvador Corrêa de Sá (um dos homens mais poderosos do Império Português). Ele trocou seu conhecimento musical pela proteção e pelo sustento, ensinando os filhos do general que era homem muito importante e foi proprio ele que o recomenda para poder casar com Clara de Miranda.
Assim Francisco, "homem bom" e istruido , mas sem dinheiro entra em uma familia poderosa onde a instrução era importante.
Francisco Rodrigues Penteado (I) casou em Sao Paulo com Clara de Miranda, nascida em 1621 e falecida em 1682..

Clara era bisneta de Joao do Prado,um Juiz Ordinario de Sao Vicente e socio do Engenho de Sao Jorge. Era neta materna de Isabel do Prado, membro da "elite" e de Paschoal Leite, açoriano e rico proprietario.,Era filha de Antonio Rodrigues de Miranda, avaliador da vila de São Paulo  Como Avaliador da Vila, ele ocupava um cargo burocrático de altíssima confiança. Para ser avaliador, era obrigatório ser um "Homem Bom", ter propriedades e conhecer profundamente o valor das terras e escravos da regiãoEsta ascendencia ligava Clara na posiçao da "elite", o que significa que Francisco e Clara foram do mesmo status social, o que era muito importante na epoca. Nao casaram por amor, mas por interesses.Mesmo que o pai de Clara parece ter sido de pouco bens (testamento), ele como status social era em posiçao importante. Clara era tambem prima do "caçado dos esmeraldas", Fernao Dias Paes Leme. Entrando em este clã de familia, muito provavlemente significava portas abertas para concessâo de terras.
Depois de casado Francisco Rodrigues Penteado estabeleceu-se com fazenda de cultura em Santana de Parnaiba.

Em 1653 Francisco Rodrigues Penteado fundou a capela da Nossa Senhora da Piedade em Araçariguama e foi considerado na epoca o fundador de Araçariguama onde ele havia grande posse e foi uma pessoa que se definia "homem bom" ou "de qualidade".
A capela original situava-se a cerca de dois quilômetros da vila, na estrada de Pirapora, Sua construção é atribuída a Francisco Rodrigues Penteado e ao padre Guilherme Pompeu de Almeida, marcando o início da constituição da freguesia de Araçariguama, que na época pertencia à Vila de Parnaíba.
É importante não confundir esta capela que hoje não existe (!) com a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, que fica no centro da cidade e é a padroeira atual do município). Como dono de terras ele teve a obrigaçao de povoar, de produzir e de promulgar a fé catolica. Dois dos seus filhos foram clerigos.

Interessante é que Francisco Rodrigues Penteado, em 1652-1656 era curador do orfão Pedro Vaz de Barros. Este ultimo em 1652 com 6 anos. Era filho de Antonio Pedroso de Barros e de Maria Pires de Medeiro. Este Pedro era herdeiro de grande posse do seu falecido pai. Mais tarde Pedro casa com Maria Leite de Mesquita, uma prima de Clara (a esposa de Francisco Rodrigues Penteado). O fato de Francisco ser curador do órfão Pedro Vaz de Barros (um dos futuros grandes fazendeieros de São Paulo com o sitio "Cataúna)) confirma que ele havia posiçao alta e honra social. No sistema patriarcal, ninguém entregaria a gestão da fortuna de um órfão a alguém que não fosse considerado um "Homem de Qualidade" e de extrema confiança.

atençao
Embora fosse filho do português Manoel Corrêa, Francisco não adotou o sobrenome paterno ao se estabelecer em São Paulo. A escolha pelo nome Penteado ou Rodrigues Penteado— possivelmente de um ramo materno ou de uma linhagem de maior status em Portugal para ele — serviu talvez para consolidar sua nova identidade.

Francisco Rodrigues Penteado faleceu em 1673 em Santana de Parnaiba.
Dois dos seus filhos foram clerigos.
Vale observar que os clerigos na epoca foram parte da "elite". Foram homens de letras ou letrados., interpretaram leis e textos sagrados. Dominaram o latim e a retorica. Foram pessoas de capacidade o que poderia significar hàver o preparo mental e técnico para "governar".  Foram uma especie de "elite de saber" e "guardião da ordem colonial". Os homens bons, ricos, obrigados de povoar e trabalhar as terras, costruiram capelas onde nasceram as vilas. Por isso era importante costruir capelas como referido acima.



2)  MANOEL CORREA PENTEADO 
era filho de Francisco Rodrigues Penteado e de Clara de Miranda, nascido em Sao Paulo e falecido em 1745. 
Observe o sobrenome que é completamente diferento do do pai.
Ele era explorador de ouro em Minas Gerais e soube reinvestir este capital em terras. Foi propriedario de grande fazenda em Araçariguama.
Casou em 1689 com Beatriz de Barros, filha de Pedro Vaz de Barros, o moço, e de Maria Leite de Mesquita.
Ela era sua prima MATERNA em 4° grau . Os avós em comum foram Isabel do Prado e Paschoal Leite. - (fonte: documentaçao sobre o parentesco nos livros da igreja catolica, dispensas matrimoniais).

Foi descrito como pessoa de "autoridade e veneração", detendo as rédeas do governo local na região.
Para ocupar as "rédeas do governo" (a Câmara Municipal), a lei exigia que o indivíduo fosse um "Homem Bom".Significava que era das famílias de "primeira linha", os descendentes dos primeiros povoadores e grandes proprietários de terras e escravizados. O termo juridico da epoca  "homem bom". na pratica significava :
Não ter "defeito de mecânica" (não trabalhar com as mãos).
Ter "limpeza de sangue" (ser cristão-velho).
Ter posses e escravos.

O que revela isso sobre a historia colonial é que o poder era baesado no parentesco e na porpriedade (terras e escravos). O poder de fato era porque tinha as armas, o ouro e as terras. As "rédeas do governo" era usada para porteger os interesses da propria familia e de seus aliados ou agregados. (clientelismo). As armas principialmente foram os agregados "Pedroso Barros", sertanistas, gente rude, as vezes muito violentes. Em vez o alto status social dos homens de qualidade, de letrados que incluí tambem os clerigos  viera do lado dos Penteado que muito provavelmente aos origens tiveram menos terras, mas status mais alto. Unendo as 2 familias tambem por parentesco entre as mulheres fortificou o status social.das familias Penteado e "enobrezeu" o dos "rudes sertanistas" Pedrosos Barros. 
Deve-se lembrar que as terras foram do rei. O reino foi obrigado de promulgar a fé catolica e povoar as terras no Brasil.Para cultivar as terras necessitaram de mão de obra, porque os homens bons nao podiam ter defeito de mécanica, etc etc etc.

Manoel faleceu em 1745 em Santana de Parnaiba. Teve 7 filhos.


3) Seu filho era  FERNAO PAES PENTEADO
Ele somente em 1732 mudou seu sobrenome e diventou  FERNAO PAES DE BARROS.

Ele era natural de Araçariguama e nasceu emtorno de 1700.
Casou em 1731 com Angela Ribeiro Leite, sua prima, e depois casado chamou-se Fernão "Paes de Barros" (fontes : livro de casamento de igerja catolica de Araçariguama em 1731 Fernao Paes Penteado e o livro de batismo de sua primeira filha em 1732 Fernao Paes de Barros).
Angela, sua esposa, era parente de Fernao sendo descendente de Paschoal Leite de Miranda, irmão de Clara de Miranda, avó do Fernao. Como vémos teve endogamia entre na familia MATERNA e uma rede familiar que mantive o "status".
Fernao faleceu em 1755, parece totalmente aruinado.

4) do Fernão Paes de Barros descende ANTONIO DE BARROS PENTEADO, nascido em 1740, batizado em Sao Roque e falecido 1822 em Itu SP. Foi as minas com seu irmão José quando orfão de pai em 1755. Encontrou muito ouro e apos a volta casa com sua prima, Maria Paula Machado em 1778 em Itu.SP onde havia adquirido terras e foi dono de mais de 100 escravos o que na epoca significava "muito abastado".

Voltando à Manoel e Beatriz :
Eles sendo descendentes dos mesmos antepassados maternos como Isabel do Prado e Paschoal Leite  significava que eles pertenciam ao mesmo status social. Assim a herança não se dispersava. Mesmo que todos os filhos herdaram na era colonial no Brasil, foi um sistema patriarcal o que significa que a "posse" da mulher foi adminstrado pelo marido e depois dos filhos machos.
Nao era o sobrenome a coisa mais importante, mas a posse, status social e como donos de terras tambem a religiao. 
O status social de um dono de terras foi a responsabilidade ao rei, dono das terras e com ele à religiao catolica. Nao teve distinçao entre religiao e politica como hoje. O status social vinha da posse, e não era somente um privilegio. Era tambem obriçaçao verso à coroa. A permanência "no topo" dependia do "chefe" da familia poderosa e ser um provedor, um defensor e um fiel católico com a "limpeza de sangue". Casar com um primo significava garantia.  A igreja na epoca aceitava e justificativa casamentos de primos porque as pequenas vilas de São Paulo foram um "lugar estreito" com poucas famílias de igual status social. . Isso era a motivaçao. A igreja o permitiu tambem para evitar que essas mulheres casassem com homens de classe inferior ou ficassem solteiras (o que era visto como um risco social e um risco da fé catolica que era obrigatorio no mundo colonial do reino).

Manoel Correa Penteado faleceu em 1745 e teve com Beatriz 7 filhos.  
e
Note bem : todos os 7 filhos com sobrenomes diferentes: 

  • 1-1 Padre José de Barros Penteado
  • 1-2 Capitão Fernão Paes de Barros  e hexavô de Tiffany
  •      (Attenção: não confunde com outro Fernão Paes de Barros (ver supra) . Nao descende de este. . Ele tirou o mesmo nome e sobrenome do tio-bisavô materno de Sao Roque. Fazendeiro potentado e rico e irmâo de Pedro Vaz de Barros, o moço, avõ de Fernao aqui..)
  • 1-3 Manoel Corrêa de Barros
  • 1-4 Anna Pires
  • 1-5 Maria Leite da Escada
  • 1-6 Maria Dias de Barros
  • 1-7 Luzia Leme Penteado


Manoel Correa e Beatriz de Barros  primos, ambos pelo lado das respetivas mães. Tiveram como antepassados em comum :Izabel do Prado ,(filha de Joao do Prado e Filippa Vicente) e  casada com Paschoal Leite  como se pode entender na dispensação matrimonial dos seus descendentes que segue :

dispensaçãoes matrimoniais:



Transcrição dispensação matrimonial de Manoel Correa Penteado/Beatriz de Barros e irmães/irmãos.

1º registro:
Reverendo Senhor Vigario da Vara

Expoemse acui por parte dos humildes oradores Manoel Correa
Penteado, e Beatris de Barros; Pascoal Leite Penteado e Luzia [Leme];
João Correa Penteado, e Izabel Paes; Joseph Correa Penteado e
Lucrecia Lemme, elles oradores irmãos legítimos e ellas oradoras tambem irmans (irmãs) legitimas e todos naturais e moradores nesta villa de São Paulo q (que) estão contratados p.a (para) se Receberem na forma do sag. conc.Trid. (Sagrado Concílio Tridentino) oq. (o que)
não podem fazer por serem parentes no terceiro p.a o quarto grao (grau) de consanguinidade como se ve da exposição seguinte: De sua ascenden(cia) Potencia Leite e Maria Leite foram irmans legitimas, de Potencia Leite
nasceo (nasceu) Clara de Miranda mae delles dittos oradores [ a traduzir]Maria
Leite foi mae de Maria Dias, da qual foi filha Maria Leite mae
dellas dittas oradoras. A cauza q (que) allegam p.a a dispensa he saberem ser oriundos de neophitis, posto q (que) em grao remotissimo, serem ellas oradoras
das pessoas principais desta villa e destes não se achar facilm.te huns
q (que) não sejam seus parentes, por se achar de prezente e família de [seos] progenitores muito estendida. E na fe de ser facil, e justa petição a dispensa 
há largo tempo q (que) recolheo o pae dellas oradoras aos dittos [oradores em] sua casa, de q (que) poderá resultar algum escandalo, posto q(que) [ilegível] se não tiver effeito esse contrato; demais q (que) elles oradores tem agencia 
e industria p.a sostentarem a ellas oradoras por meios licitos q (que) como elles agora tem mostrado, sem o encargo de irem ao sertão, calidade (qualidade) q.  (que) não achará nos mais [ilegível].

                                                                  Pello q (que)
P. P. Assim seia servido admittir a sua petição
e feitas as diligencias necessarias, remetter ao Illustrissimo
Snõr Bispo p.a q. Seja servido dispensar  com[ ilegível]
dittos oradores no impedim.to acima referido.

Justifique perante [ilegível]
SP. 3 de Outubro de 689 (1689)


O que conta este documento ? 

o Impedimento (3º para 4º grau)
Eles explicam que o parentesco vem de duas irmãs: Potência Leite e Maria Leite (as filhas de Paschoal Leite e Izabel do Prado)
De Potência nasceu Clara de Miranda, mãe dos noivos (os Penteado).
De Maria Leite nasceu Maria Dias, que foi mãe de Maria Leite, que é a mãe das noivas.
Conclusão: Eles são primos em um grau que a Igreja proíbe, por isso precisam da dispensa do Bispo.

Eles reforçam que as noivas são das "pessoas principais desta vila" (elite) e que a família é tão grande e estendida que é quase impossível achar alguém do mesmo nível social que não seja parente deles. Ou seja: ou casam entre primos, ou não casam com ninguém à altura.

O documento revela que o pai das moças  já "recolheu os ditos oradores em sua casa" há muito tempo.Jä que o pai dos noivos, Francisco Rodrigues Penteado, havia falecido em 1673. Isso é um argumento de pressão: eles já vivem sob o mesmo teto. Se o casamento não sair, o "escândalo" (suspeita de que já tiveram relações) destruirá a honra das moças, da familia e com isso da coroa.
O pai das "moças" era Pedro Vaz de Barros, nascido ca. em 1646 e filho de Antonio Pedroso de Barros e de  Maria Pires de Medeiros. Este Pedro Vaz de Barros o moço (neto do governador do mesmo nome e de Luzia Leme) era muito rico, tambem membro da então "elite".  Era dono de um latifundiu gigantesco - Cataúna-   o que se pode entender da descriçao do Taques na genealogia paulistana, com 600 "almas" e teve capela privada o que era  importante na epoca colonial.
Além disso se entende que os 4 irmãos Penteado viveram no sitio "Cataúna" do Pedro Vaz de Barros, o moço e da parente deles que era Maria Leite de Mesquita, prima da mãe dos irmãos "Penteados". Mesmo Manoel Correa Penteado teve posiçao importante em Araçariguama 
Este Pedro Vaz de Barros o moço era filho de Antonio Pedroso de Barros e de Maria Pires de Medeiros e se haiva unido com o "topo" da hierarquia social da epoca.Havia se unido a riqueza nova dos "Barros" com a antiguidade dos primeiros povoadores que lutavam pelo poder politico (Pires, Ines a matrona etc) . Pode-se dizer que teve uma especie de ascesa social  de um lado dos Barros.
Mentre os 
 "famosos" e ricos irmãos Pedro Vaz Guassu e Fernao Paes de Barros em Sao Roque foram ricos sertanistas,  Antonio se havia unido com os importantes Pires.

O termo "neófitos" na petição faz na minha opiniao mais sentido como estratégia jurídica da epoca. Nao significa cristao-novo em 1686 como as vezes hoje vem interpretado. Eles e a igreja, na epoca,  teriam usado o termo "cristao-novo" nao neofito.
Pode fazer sim riferimento à mestiçagem, mas muito provavelmente na petiçao eles entenderam a "antiguidade" da familia e da fé catolica em Brasil  (como escrito supra) que teve raizes até entre os primeiros povoadores como os dos Leme ou Pires e Izabel do Prado e Pascoal Leite, etc.e assim reforçando um "linhagem" puro, fiel e catolico e assim fiel à coroa. 
Era a esposa de este Pedro Vaz de Barros, Maria Leite de Mesquita, a parente da mãe dos Penteados e como  eles era descendente de Isabel do Prado e Pascoal Leite. Muito provavelemente a riqueza do Pedro Vaz de Barros o moço havia vindo da familia dela. 

"Sem ir ao sertão" foi o aspecto economico e moral. 
Os noivos Penteados referem que haviam bastante meios para sustentar as esposas sem ir no sertao. Parece que para a igreja - lembre que ela era tambem jurisdiçao e moral no mundo colonial-  um noivo que não ia ao sertão era um "bom partido" porque o casamento é um sacramento que visa a constituição de uma família cristã. Alguém que "vai ao sertão" nas bandeiras podia ficar ausente por 2, 5 ou até 10 anos, ou simplesmente morrer e nunca mais dar notícias.
Muitas mulheres ficavam em uma situação jurídica e moral complicada, sem saber se eram viúvas ou casadas.
A solução: Se os Penteados ficavam em casa ("sem o encargo de ir ao sertão" porque isso era a ativadade dos parentes "Pedroso Barros" ), a Igreja tinha a garantia de que o lar seria estável, os filhos seriam criados na fé e o sacramento não seria abandonado.O sertão era visto pela Igreja como um lugar de perdição moral. Longe das vilas e dos padres, os bandeirantes frequentemente viviam em concubinato com indígenas ou cometiam violências.Um noivo que permanecia em Quitaúna ou em una vila era um homem "sob a vigilância" do clero e da família. Além disso dois dos primos de Manoel Correa Penteado foram clerigos e tambem um tio. Ainda esta observaçao tem a ver com "homem de qualidade".Deve-se lembrar que as terras foram do rei. O reino foi brigado de promulgar a fé catolica e povoar as terras no Brasil.
Ao casarem esses jovens que "já viviam na mesma casa", a Igreja evitava o pecado do sexo pré-matrimonial e garantia que eles vivessem "em face da Igreja", seguindo os preceitos do Concílio de Trento.
Sicuramente eles pagaram bem para esta dipensaçao.
Sem ir no sertao significava tambem que foram ricos e "homens bons", senhores de terras e escravos, de negocio, nao militares.

*Grafico parentesco Beatriz de Barros e Manoel Correa Penteado


Grafico parentesco de Manoel, Joao, Paschoal e José Correa Penteado e
de Beatriz, Izabel Paes de Barros e  Lucrecia e Lucia Leme de Barros


Avós/ tronco comum: 
Izabel do Prado (filha do Joao do Prado e Filippa Vicente), casada com Paschoal Furtado Leite)

1° grau: as filhas que são irmâes: 
1. Potencia Leite, 
2. Maria Leite

1. Potencia Leite c/c com Antonio Rodrigues de Miranda, pais de 
1.1. Clara de Miranda

2. Maria Leite c/c com Pedro Dias Paes Leme, pais de 
2.1.Maria Leite (Dias)

2° grau: Neto/a: (e primas entre si)
1.1.   Clara de Miranda c/c com Francisco Rodrigues Penteado, pais de 1.1.1.
2.1.   Maria Leite (Dias) c/c com Domingos Rodrigues de Mesquita, pais de 2.1.1.

3° grau: bisnetos e bisneta (primos em 2.grau)
1.1.1.    a) Manoel, b) Joao,  c) Joseph (José), d) Paschoal, (filhos de Clara de Miranda)
2.1.1.     Maria Leite de Mesquita, (filha de Maria Leite (Dias)

4° grau: trinetas (primas de 1.1.1. a-d): 

Beatriz, Isabel, Luzia, Lucrecia, (filhas de 2.1.1.)


Sobre parentesco e consanguinidade

1. Parentesco
Parentesco é a relação que une duas ou mais pessoas por vínculos de sangue (descendência /ascendência) ou sociais (sobretudo pelo casamento).

O parentesco estabelecido mediante um ancestral em comum é chamado parentesco consanguíneo, enquanto que o criado pelo casamento e outras relações sociais recebe o nome de parentesco por afinidade. 
Parentesco é tambem o vinculo de sangue existente entre duas ou mais pessoas com um ascendente comum. 
O ascendente comum chama-se TRONCO, e os laços que o ligam a cada um dos seus descendentes chamam-se LINHAS

Chama-se de parentesco em linha reta quando as pessoas descendem umas das outras diretamente (filho, neto, bisneto, trineto, tataraneto, etc), e parentesco colateral quando as pessoas não descendem uma das outras, mas possuem um ancestral em comum (tios, primos, etc)


2. consanguinidade
Consanguinidade - é a afinidade por laços de sangue.

É o grau de parentesco entre indivíduos com ascendência comum. Pode-se medir o quanto um determinado indivíduo é consanguíneo com outro através da medida chamada "grau de consanguinidade".

O Direito Civil e o Direito Canónico não são sempre coincidentes na contagem dos graus de parentesco. Os grau canónicos de parentesco, sâo diferentes. Aqui, conta-se um grau por geração, a partir do tronco comum.

Assim, os irmãos são parentes do 1º grau de consanguinidade,

os primos-direitos do 2º grau,

os primos segundos do 3º grau e assim sucessivamente.

No caso de haver diferença de geração, diz-se que são parentes dentro do grau sénior. Assim, por exemplo, tio e sobrinho são parentes dentro do 1º grau.


Os 7 filhos de Beatriz de Barros e Manoel Correa Penteado 


1. Padre José de Barros Penteado faleceu nas minas de Mato Grosso deixando grande fortuna que repartiu em legados pios deixando 4.000 cruzados a cada um de seus sobrinhos.  Como jà explicado acima, clerigos faziam parte da "elite" e foram guardiões da ordem colonial. Mesmo este padre foi para as minas de Cuiabà onde encontrou muito ouro e teve terras. Na rede familiar forneceu o ouro e muito provavelmente tambem indios ou escravos que foram depois fornecidos pelo resto da familia. Indios e escravos significaram terras e posse que era necessario para ser "homens de qualidade" no reino..  Deve-se lembrar que as terras foram do rei. Os reinados foram obrigados de promulgar a fé catolica e povoar as terras no Brasil. 

2. Fernão Paes Penteado, depois Paes de Barros (meu hexavô). 
Nasceu em Araçariguama, Município de S. Roque (SP). Em 03 de Outoubre 1731 casou na Freguesia da Sé, S. Paulo (SP) com 
Ângela Ribeiro Leite (ou de Cerqueira), filha de Francisco Leite Ribeiro e Maria Cerqueira Paes.
Note : o pai de Francisco Leite Ribeiro era primo de Manoel e tambem de Beatriz, ! O pai de Francisco (mesmo nome e sobrenome) era como Manoel descendente de 1. Potencia Leite c/c com Antonio Rodrigues de Miranda [ver grafico supra], sendo seu avó paterno  Pascoal Leite de Miranda, irmão de Clara de Miranda.e assim primo de ambos os pais de Fernão que foram Manoel e Beatriz ).

Fernão e Angela foram pais de: 

2.1. Maria de Cerqueira Paes ; 
2.2. Ana Matilde (religiosa congregada),
2.3. Francisco de Barros Penteado; 
2.4. Custodia Celia de Cerqueira;
2.5. Capitão José de Barros Penteado; ele foi para as minas com seu irmão Antonio.
2.6. Capitão Antônio de Barros Penteado (5° avó de Tiffany), o patriarca dos "Paes de Barros" na cidade de Sao Paulo, na era imperial  bastante importantes, era pai do barâo de Itu, barão de Piracicaba, Genebra de Barros Leite para citar os mais famosos dos seus filhos..;  
2.7. Manoela Perpétua de Cerqueira;
2.8. Potência Leite;
2.9. Inácio de Barros Penteado e
2.10. Maria Rosa de Cerqueira Câmara.

note: ninguem dos filhos de Fernao Paes de Barros com o sobrenome "Paes de Barros". Isso somente desde 1860 foi usado com a nova moda de usar sobrenomes.

Fernão Paes de Barros alias Paes Penteado faleceu em 1755 em Santana do Parnaíba (SP).completamente aruinado como refere Silva Leme: 


" E tradição, refere-nos Silva Leme, que o capitão Fernâo Paes de Barros tendo sido fiador de um hespanhol que, tentando desviar o rio Tieté num lugar denominado Rasgão, abaixo de Pirapora, perdeu todo seu trabalho, compromettendo ao mesmo tempo os haveres do fiador, deixando-o em condições precarias de fortuna. Entretanto, seus filhos se dirigiram as minas e adquiriram novo cabedal em ouro.
O Rasgão é uma prova do grande esforço dos parnahybanos em busca do ouro. Queriam desviar o curso do Tieté, numa grande volta que elle faz, para exploração da areia em secco. Não conseguiram finalizar a obra gigantesca por difficuldades em rochas durissimas. Estas eram arrebentadas pelo processo primitivo: aqueciam-nas com o calor de enormes fogueiras, que as envolviam em todas as dimensões e, com repetidos jactos de agua, ellas se partiam. Depois, com alavancas ou picaretas, extrahiam os pedaços. As pedras mais compactas não cederam à exhaustiva operação e o trabalho ficou parado tambem por difficuldades financeiras.
O Rasgão fica a sete kilometros de Pirapora e, segundo a tradição, é todo aurifero. Attribuem a direcção do primeiro córte, uns aos moradores de Araçariguama, naquelle tempo do termo de Parnahyba, e outros a Fernão Paes de Barros, cujas finanças se arruinaram por completo, pela fiança a um emprestimo de seu amigo hespanhol.
(fonte: http://www.rootsweb.ancestry.com/~brawgw/parnaiba/sph44.html )




3. Manoel Corrêa de Barros,nascido em 1695  casou-se em 1742 em Itu com sua prima Maria de Campos f.ª de Manoel Ferraz de Campos e de Anna Ribeiro. 
Manoel Corrêa de Barros faleceu em 1779 em Parnaíba com 82 anos de idade.

Manoel e Maria tiveram entre outros Francisco Xavier Paes de Barros que casou com Anna Joaquina de Morais.
Estes ultimo eram os pais do primeiro barão de Campinas, Bento Manoel de Barros, nascido em 1791 em Araçariguama Ele està sepultado na Capela-mor da Igreja de Nossa Senhora de Boa Morte em Limeira.





4 Anna Pires casou-se com Antonio Dias da Silva  "o papudo" f.º do capitão João Dias da Silva e de Izabel da Silva.. Antonio "o papudo" 
ocupou  "os honrosos cargos, para a Vila Boa de Goiás, onde foi o 1.º juiz ordinário depois de aclamada vila" 



5 Maria Leite da Escada casou-se com o capitão André de S. Paio Botelho, de quem foi a 1.ª mulher. Faleceu Maria da Escada em 1727 em Parnaíba (lesa do juízo o que significa
que era  fora de seu juízo", ou seja, em estado de alienação mental, demência ou loucura.).



6 Maria Dias de Barros casou-se com o português o capitão Francisco Gonçalves de Oliveira, natural de Viana do Minho, Portugal. Era 
Capitão de Ordenanças de Parnaiba.

 

7 Luzia Leme Penteado,  tirou dispensa em 1719 para casar-se com seu tio materno Manoel Pedroso de Barros filho de Pedro Vaz de Barros e de Maria Leite de Mesquita e irmão de BEATRIZ DE BARROS a mae de Luzia... Não sabemos se chegou a efetuar o casamento, ou se teve geração.  
"Manuel, nascido por 1690. Em 1719 (e não em 1712 como está na GP do Silva Leme) entrou com pedido de dispensa para casar com sua sobrinha Luzia Leme, alegando que
por desgraça deflorou o orador a oradora” e “pelo brio de seus irmãos e mais parentes” corriam ambos risco de vida, só sanável pelo casamento. "

QUE TEMPOS DE VIOLENCIA....! 

O "brio" significava que:

Se Manoel não casasse com Luzia, os irmãos Barros (um deles era padre) e parentes Penteado (entre eles tive primos que foram clerigos jesuitas o mataram. Lembre o status social e que foram "guardiões da ordem colonial) poderiam matá-lo legalmente para "lavar a honra" da família "com sangue" para não perder o status.
Teve pressão social: O escândalo de um tio com uma sobrinha era incestuoso perante a Igreja e degradante perante a Vila.
A dispensa era a única forma de transformar um crime/pecado num "contrato de família".

A Igreja proibia casamentos até o 4.º grau de consanguinidade (primos segundos).  Efeitivamente relutou a igreja a dar a dispensa por ser o parentesco muito proximo, resultando em um longo processo, onde foram ouvidas  inúmeras testemunhas !!. (ACMSP, Dispensas Matrimoniais, 1718-1720, cod. 8-4-2)"

nâo sei se casaram efeitivamente e tenho duvida que tiveram filhos.
O fato de o crime ter sido transformado em um processo de dispensa matrimonial é uma forma de violência burocrática. A vítima (Luzia) é forçada a casar com seu agressor/tio para que o crime desapareça dos registros criminais e se torne um "pecado remediado".
O sistema jurídico (os letrados e clérigos da família) trabalhava para legitimar o abuso em nome da estabilidade patrimonial.
No caso de Manuel e Luzia, o "longo processo" com "inúmeras testemunhas" não buscava a justiça para a moça, mas a honra das duas familia e um "armistizio". Manoel era um "Barros" que atacou uma "Penteado/Barros" dentro de casa. O brio era a pressão de todos os lados para que aquele corpo "estragado" (Luzia) fosse legalmente ligado ao agressor, selando o escândalo num contrato jurídico. O "defloramento" tirava dela a condição de "virgem", que era um requisito inegociável para casamentos de alto nível. Ela deixava de ser uma "moeda de troca" valiosa para o brio da família.o agressor tinha apenas duas saídas legais: "dotar ou casar". Como Manuel era o tio e não tinha como "dotar" a sobrinha para que outro casasse com ela (ninguém de "qualidade" aceitaria), o casamento era a única forma de evitar que o crime se tornasse uma sentença de morte ou de degredo para ele.

Concluindo

......   e referindo-me à genealogia histórica vs. genealogia simbólica mencionada ao início deste texto, posso constatar que os antepassados do meu ramo "Paes de Barros" não foram simplesmente sertanistas ou "heróis" romantizados de uma "nação" — como alguns "lobbies" de genealogistas e políticos os descrevem ao classificá-los como criptojudeus por parte dos Pedroso Barros (Beatriz de Barros).
Para sobreviver neste mundo colonial, era importante respeitar as leis do Rei junto às da Igreja para não arriscar o confisco dos muitos bens que possuíam e não perder o status social, que equivalia ao poder. Em Portugal, o Rei estava "perto"; no Brasil, a lei era o que o "poderoso" dizia. Se você perdesse o apoio dos seus pares ou da Igreja, não tinha a quem recorrer. O isolamento geográfico tornava o confisco e a ruína social um abismo muito próximo. No Brasil colonial, a linha que separava o "Senhor" do "Escravizado" era a honra. Perder o status não era apenas ficar pobre; era correr o risco de ser nivelado àqueles que faziam o "trabalho vil". Se o status caísse, os inimigos avançavam sobre as terras e os processos judiciais se multiplicavam.
O medo de perder tudo era, certamente, uma constante diária. As origens de cristãos-novos (se verdadeiras), por parte da trisavó de Beatriz, nesta época já eram distantes. A vida era cheia de perigos, de litígios, de violência e de fome. A pura sobrevivência, o poder e a união com outros do mesmo status eram mais importantes do que viver uma crença em segredo. A sobrevivência à fome (que assolava as vilas quando as safras falhavam) e à violência dependia inteiramente de quantos parentes "de peso" você tinha para te defender.
Além disso, lembre-se de que cada um dos antepassados tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, e assim por diante, tal como nós mesmos. A progressão dos antepassados no Brasil colonial formava uma malha de proteção. Se um primo era padre, outro era juiz na Câmara e o sogro era um grande minerador, a família tornava-se um "Estado dentro do Estado". Foram muitas famílias, etnias, histórias, dores, dificuldades e lutas para sobreviver que chegam até nós; a história de cada um deles forma toda a nossa história.
Não há genealogia simbólica que simplesmente atribua a mesma história construída e romantizada a todos aqueles com o mesmo sobrenome para criar um grupo de pertencimento mítico. A violência era sempre presente; a vida era bruta demais para crenças secretas ou heroísmos românticos. O que existia era uma "elite de pés descalços", que falava tupi e usava a lei da Igreja e do Rei apenas como ferramentas para validar o poder que já exerciam, de fato, no isolamento do planalto.


Sobre judeus sefarditas e Pedro Vaz de Barros leia Pedro Vaz de Barros polemicas até hoje

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

o violâo do Sebastião Paes (de Barros)

attualizado 09.05.2019 por Tiffany


Sabe-se através dos inventários bandeiristas que, na região de Piratininga, tocava-se guitarra (inventário de Catharina d'Horta, 1626), sistra (inventário de Francisco Leão, 1632) e violas e harpas, uma das quais pertencera ao bandeirante Sebastião Paes (de Barros), inventário de 24.12. 1688, e outra, que figura no testamento de Affonso Dias de Macedo, em 1703, explicitada como viola de pinho do reino).
Há poucas referências documentais à música praticada, nesse período, na região de São Paulo, e os únicos documentos musicais conhecidos, datados da primeira metade do século XVIII.
Ainda sobre o assunto, Paulo Castagna (2000) reitera a questão citando vários documentos históricos referentes a processos de inventários registrados no Brasil entre os anos de 1604 e 1700,54 arrolando entre os bens, inclusive violas, resumindo sua importância e presença em ambos contextos:

  • -"Viola, de propriedade de Mécia Roiz, São Paulo entre 01/08/1605 e 04/02/1606.................160 reis
  • - Viola/guitarra, de propriedade de Paula Fernandes, São Paulo - 19/09/1614..........................640 réis.
  • - Viola, de propriedade de João do Prado, São Paulo.23/09/1615........................................1,280 réis.
  • - Viola, de propriedade de Balthazar Nunes, SãoPaulo - 06/1623.........................................1,280 réis.
  • - Viola, de propriedade de Leonardo do Couto,Parnaíba - 03/08/1650...................................320 réis.
  • - Viola, de propriedade de Sebastião Paes de Barros, Parnaíba - 24/12/1688................2,000 réis.
  • - Viola, de propriedade de Afonso Dias de Macedo Itú - 20/03/1700.............sem informação de preço".
fonte: Lista no ensaio de "gestao de iniciativas sociais", pag. 35 

O capitão Sebastião Paes de Barros (I) ,  falecido em 1674,  (pai do Sebastaio Paes (ou Pedroso de este postagem) , foi filho de Pedro Vaz de Barros e Luzia Leme e irmão de Antonio Pedroso de Barros (9° avô de Tiffany) de Fernão e de Lucrecia (veia mais sobre eles adiante) e mais outros.
Sebastiao Paes de Barros  era ou que até hoje se chama "um sertanista e bandeirante" que Silva Leme estuda no volume III de sua «Genealogia Paulistana», pg. 502. e que principalmente era em busca de ouro e minerais  !

Também muito notável pelos serviços prestados à coroa; esteve a partir de 1670 na qualidade de cabo em Tocantins e no Maranhão com o governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho. Datada de 24 de abril de 1674, há uma Carta do Príncipe Regente D. Pedro, futuro D. Pedro II, a ele dirigida como Cabo da Tropa do Sertão do Maranhão:

"Cabo da tropa da gente de São Paulo vos achais nas cabeceiras do rio de Tocantins, e Grão Pará», isto é, sertões do rio São Francisco e do atual Estado do Piauí até as margens do Tocantins, no Maranhão. Exortando-o a remeter a Portugal amostras dos minerais descobertos. "
Mas Sebastião morreu pouco depois no sertão, ainda em 1674, levando consigo o segredo das descobertas. Quando ali chegou o clérigo Antônio Raposo, paulista que vinha de Lisboa para se lhe reunir, não mais o encontrou.

Sebastião Paes de Barros (I) foi casado com Catarina Tavares, filha de Francisco de Miranda Tavares e de Isabel Pais Borges de Cerqueira, por esta, neta de Simão Borges de Cerqueira e de Lucrécia Leme, parente dos Vaz de Barros. Faleceu Catharina Tavares em 1671 e seu marido em 1674. Eles tivem os seguintes filhos: 

  • 1-2 Antonio Pedroso † solteiro § 2º
  • 1-3 Lucrecia Pedroso § 3.º
  • 1-4 Izabel Pedroso § 4.º
  • 1-5 Luzia Leme § 5.º
  • 1-6 Leonor Leme § 6.º
  • 1-7 Sebastião Pedroso § 7.º  chamado depois Sebastiao Paes 
POREM, 
nos Subsídios à Genealogia Paulistana por Regina Junqueira, projeto compartilhar, se refere o seguinte : 
Declarou o Capitão Sebastião Paes de Barros ter tido de seu casamento dois filhos e cinco filhas que segundo seu inventário foram:
  • 1. A mulher de João Coelho da Fonseca, não nomeada no inventário, mas seu marido é chamado às partilhas. Provavelmente a mais velha das filhas, seria já casada na abertura do inventário.
  • 2. Lucrecia Pedroso, nascida por 1658, em 28-5-1679 já casada com Miguel Soares Ferreira
  • 3. Joana de Barros, nascida por1660 (substituída por Izabel de Pedroso na GP, numéro 1-4 supra)
  • 4. Luzia Leme, nascida por 1661, legatária da terça do pai juntamente com a irmã Leonor 
  • 5. Leonor Leme, nascida por 1667
  • 6. Sebastião Paes (1-7 Sebastião Pedroso na GP supra), nasceu por 1663 e faleceu em 1688O violão vendido foi de sua propriedade.
  • 7. Antonio Pedroso, provavelmente o primogênito, faleceu nos sertões do Maranhão juntamente com o pai
No inventario de Sebastião Paes lémos:
O Capitão Sebastião Sutil de Oliveira por ordem do Capitão Thomé de Lara de Almeida e por eles foram apresentados os bens que o defunto Sebastião Paes possuia os quais são os que adiante se seguem e neles se quer pagar o dito Capitão Thomé de Lara de 108$000 rs que é a dever o dito defunto o que tudo consta ao Capitão Fernão Paes de Barros *) o qual é consentidor á satisfação do pagamento do muito ou pouco que os ditos bens renderem ou derem sendo vendidos em praça como é licito dentro no tempo do licito o que dispõe a lei serão entregues ao dito Thomé de Lara para deles dispor como seus e pagar-se neles no valor em que forem avaliados e o dito juiz houve por desobrigado ao dito Capitão Fernão Paes de Barros e a Manuel de Abreu a Domingos Paes obrigações do dito Capitão Fernão Paes (...).
Avaliações: soma a fazenda lançada 53$140 rs.
Arrematações.
*) nota por Tiffany: 
este capitão Fernão Paes de Barros, que herdou/comprou o violão, era tio de Sebastião Paes (II), sendo irmão  do sertanisata Sebastiao Paes de Barros (I), pai do guitarrista de este postagem. Este Fernão faleceu em 1709 e foi o fundador da capela de Santo Antonio no seu sitio em Araçariguama (São Roque). Como refere Pedro Taques: "recebeu honrosíssima carta firmada pelo punho do rei Dom Pedro em 1678 -Quando se estabeleceu a paz de Holanda em cinco milhões, e o casamento da infanta de Portugal d. Catharina em dois milhões pediu el-rei dom Pedro aos seus vassalos um donativo para o pagamento dos sete milhões, e Fernão Paes de Barros se distinguiu entre os mais paulistas, dando para o dito chapim em moeda corrente 600$. Vindo a S. Paulo o fidalgo dom Manoel Lobo em 1679, pelo qual o mesmo príncipe dom Pedro escreveu à Fernão Paes a carta de que acima fizemos menção, "  Sobre este sitio de Santo Antonio tem ampla informaçâo e faz tambem parte da historia da igreja e o desenvolvimento social.
Fernão foi pai de Inacia Paes de Barros,  filha  ilegitima com uma crioula e herdeira de muitos de seus bens. Dizem que dela e do seu segunod marido, Joao Martins Claro, descendam os irmãos Arthur e Fernando Paes de Barros, os fundadores de Mato Grosso. Leia mais aqui: Artur e Fernando Paes de Barros

Thomé de Lara, em vez era genro de Antonio de Almeida Pimentel e de  Lucrecia Pedroso de Barros,  Lucrecia era tia do violeiro Sebastiao Paes .Refere a genealogia paulistana  que Antonio de Almeida Pimentel foi de conhecida nobreza pela qual teve em S. Paulo e na Bahia grandes estimações.  Teve com Lucrecia Pedroso um unica filha que era Maria de Almeida Pintel, a qual casou com o dito capitãoThomé de Lara. Este ultimo era capitâo em Sorocaba
Resumindo: Ficou todo "na familia" e parece ter sido um objeto de muito valor e prestigio.

Nada mais em vez encontrei sobre o Sebastiao Paes, o violeiro ou guitarista. Além de um violão ele tambem possuí uma harpa com chave. A harpa era utilizada frequentemente desde o sec. XVII, principalmente nas igrejas, sendo depois substituida pelo orgão para missas cantadas.

Seja que Sebastiao Paes, filho mais novo de um "sertanista" era um musico, um mestre de capela  com um grau elevado de instrução que ajudou a formar os jovens para as festas religiosas e missas cantadas nas irmandades e igrejas ? 
Nas festas religiosas participavam toda comunidade local ou seja indios, mulatos e brancos, cada grupo etnico com sua cultura espécifica. A musica nesse processo era elemento social, podendo criar a consciençia e integraçâo social que na epoca  era no poder da igreja.
Seja no lado da familia de Beatriz de Barros e na do lado de Manoel Correa Penteado tem clérigos ou padres na familia que fazem parte em esta evoluçao social na historia de Sâo Paulo e do Brasil.

Historia

O primeiro instrumento de cordas que se tem notícias que chegou ao Brasil foi a viola de dez cordas ou cinco cordas duplas, muito popular entre os portugueses e precursora do violão, trazida pelos jesuítas portugueses que aqui chegaram para catequisar os índios e a usavam durante a catequese.
A coroa Portuguesa objetivava levar as suas colônias o trinômio de sua colonisaçâo que significa, o rey, a lei a a fé. A fé ficou a cargo dos Jesuitas com Manoel da Nobrega.Necessitou de mais braços para a atividade de evangilzação do Brasil a assim chegou no 1553 Padre José de Anchieta.

Todo o processo de catquese é na verdade intervençao intencional em valores culturais. Para catequisar os jesuitas criaram uma lingua artificial de nome nhengaatu.

Para conceitos e objetos estranhos à língua emprestaram-se inúmeros vocábulos do português e espanhol. A essa mistura deu-se o nome ie’engatu, que significa "língua boa". Não se falava o portugues até o final do sec. XVIII, mas o nhengaatu. sendo usada não apenas por índios e jesuítas, mas também como língua corrente de muitos colonos de sangue português.
Segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, até fim século XVIII, em São Paulo, falava-se a língua geral, o "nhangatu", uma derivação do tupi. Foi uma língua imposta pelos missionários, até hoje ouvida em alguns locais da Amazônia.
Padre Anchieta percebeu que os povos indigenos mantinham uma relaçao com o mundo sagrado tendo sempre a musica como strumento de intermediação. Anchieta assim realizava dramatzações com os indigenas, nas quais associava as coisas de natureza (terra, animais, plantas) estranhas ao mundo europeo. Tratou de aprender danças e melodias indigenas nas quais inseriou textos liturgicos em tupi.

Essas danças sâo ainda hoje presentes na musica dos caipiras: cururu e cateretè.

Em 1584, José de Anchieta em sua "Informação do Brasil e suas Capitanias", referindo-se a uma das aldeias de índios do colégio da Bahia, relata:
"(...) les enseñam a cantar y tienem su capilla decanto y frautas para sus fiestas, y hazen sus dançasa la portuguesa com tamboriles y vihuelas com muchagracia, como si fueron muchachos portugueses".
Presente em diversos segmentos sociais da população, especialmente nos ambientes populares, o cultivo da viola também se deu nos meios aristocráticos representando para estes não um meio de vida, mas sim um recurso a mais em seu grau de instrução, voltado para a prática diletante do fazer musica como elemento de distinção social (!). Assim é que Pedro Taques de Almeida Paes Leme, em sua "Nobiliarchia Paulistana", publicado em São Paulo no ano de 1926, relata sobre a decisão de Salvador Correia de Sá em contratar os serviços de Francisco Rodrigues Penteado como professor de viola de seus três filhos, no ano de 1648:

A nobre família dos Penteados teve origem em São Paulo em Francisco Rodrigues Penteado, natural de Pernambuco, para onde veio ser morador seu pae Manoel Correa com casa, saindo de Lisboa; e em Pernambuco se estabeleceu com negocio grande.
Tendo este filho Francisco Rodrigues Penteado ( 8° avô de Tiffany*) já bem instruído em artes liberais, sendo excelente e com muito mimo na de tanger viola, e destro na arte da música, seu pai o mandou a Lisboa sobre dependência de uma herança que ali tinha; o filho, porém, vendo-se em uma corte das mais nobres da Europa e com prendas para conciliar estimação, cuidou só no estrago que fez do cabedal que recebeu, consumindo em bom tratamento e amizades:Refletindo depois que não estava nos termos de dar satisfação da comissão com que passara de Pernambuco a Lisboa, embarcou na frota do Rio de Janeiro com Salvador Correa de Sá e Benevides em 1648, o qual tendo de passar a Angola, como passou, para a restaurar dos holandeses, o deixou na cidade do Rio muito recomendado pelo interesse de instruir nos instrumentos músicos a suas filhas e ao filho mais velho Martim Correa com quem estava unido pela igualdade dos annos. Do Rio de Janeiro, pela demora em Angola do dito Salvador Correa de Sá, que ficou feito general daquele reino, passou para a vila de Santos Francisco Rodrigues Penteado;e já desta vila subia para São Paulo contratado para casar com uma sobrinha de Fernando Dias Paes,[Clara de Miranda, nota por Tiffany] que foi quem o ajustou para este casamento".
*) nota por TiffanyFrancisco Rodrigues Penteado (o velho) era dono das terras onde foi costruida em 1653 a capela da nossa Senhora da Penha em Pirapora. Seu filho, Manoel Correa Penteado,  casou-se em ca 1689 com Beatriz de Barros, (sâo os 7°s avós de Tiffany). Manoel era  proprietaio de grande fazenda e cultura em Araçariguama onde teve as redeas de governo e foi pessoa de autoridade e venearação. e aqui a "distinção social". [efeitivamente foram 4 irmãos Correa Penteado que casaram com 4 irmâs de Barros] 

Sua esposa Beatriz de Barros, era uma prima de Sebastiao Paes  Ela era a neta paterna de Antonio Pedroso de Barros, rico e potente dono de 600 indios na sua fazenda denominada Apoterebu. Este Antonio Pedroso de Barros era primo paterno de Sebastiao Paes, sendo Antonio Pedroso de Barros tambem irmâo de Fernão Paes de Barros, de Lucrecia e de Sebastião Paes de Barros (supra citados).
Leia mais aqui sobre Beatriz de Barros

Musica e os bandeirantes:
Os "Inventários e Testamentos" revelam um amor do paulista pela música, apesar do período tumultuário que atravessa no século XVII.

Efeitivamente é curioso pensar ao bandeirante tocar o violâo. Não acho que foi vida romantica como referido nas pinturas. Sobre a vida dos bandeirantes se sabe bem pouco e as descriçoes sobre eles risultam do sec. XIX ou "Romantismo" quando foi "costurido" ou formulado o "mito" sobre os bandeirantes paulistas.

A pesquisa histórica revela uma realidade bastante diferente: a maioria dos bandeirantes andava descalça e com roupas muito simples. Na verdade, todas as imagens que vemos dos bandeirantes foram feitas muito tempo depois da época em que eles viveram. Não existem retratos de bandeirantes realizados no momento em que esses homens viveram. Por isso, nada sabemos sobre suas fisionomias e pouco sobre como andavam vestidos pelos sertões.

Expedições que geralmente partiam de São Paulo e eram organizadas com o fim de capturar índios e  sobretudo encontrar ouro e pedras preciosas, as bandeiras existiram do século 16 ao 18.

A captura de indígenas para serem vendidos como escravos foi a base da economia paulista até o século 17. Naquela época, essa prática era tão lucrativa que era chamada de "negócio do sertão". No período que vai de 1630 a 1680, algumas fazendas tinham mais de cem escravos índios.

Seja em busca de ouro e outras pedras preciosas, seja em busca de índios para aprisionar e vender, os bandeirantes enfrentavam uma série de perigos e desconfortos: ataques de onças; picadas de cobras, aranhas e insetos; doenças; sem falar na própria resistência oferecida pelos indígenas...
E foi provavelmente no istante que o bandeirante regressando das selvas onde ele havia passado meses, embora da casa e gente, tocou o violão. Talvez o tocou e cantou nas festas religiosas nas vilas onde os homems e as mulheres se reuniram para os ritos religiosos, dançando a caterete dos povos indigenas.As mulheres e crianças que para muito tempo permanecevam nas fazendas com os escravos para coltivar as terras, talvez cantavam no trabalho. Muitos deles tambem jà com raizes indigenas, filhos de mâes indigenas e assim com cultura de musica indigena e branca, tocando o violão e a guarapeva, chocalhando maracás, etc.E como acima descrito de seguro foi tambem importante saber tocar o violão para razões de "prestige" e um certo "ser nobre".

(texto: " historias e lendas de Santos, Novomilenio)
Certo é que a partir do século XVI os portugueses levaram a viola a todas as regiões coloniais, incorporando-a nas culturas locais, entre outras, das ilhas da Madeira, Cabo Verde, Açores e também do Brasil. A esse respeito documentos existentes atestam inúmeras atividades artísticas desenvolvidas a bordo das naus portuguesas, inclusive vindas para o Brasil, desde o século XVI, resumindo especialmente teatro, diálogos e comédias, e dança, sempre acompanhadas por música.

Historia do violão
Tudo começou em Portugal. Inspirados em alguns instrumentos árabes esquisitos, como o alaúde (foto ao lado), os portugueses tiveram a excelente ideia de criar um instrumento de 10 cordas. As violas portuguesas/espanholas chegaram ao Brasil trazidas por colonos portugueses de diversas regiões do país A origem do Violão não é muito clara, pois existem, segundo musicólogos, várias hipóteses para o seu aparecimento. A primeira hipótese é de que o Violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.
A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha. Isso se pode comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão (1221-1284), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos que coexistiram nessa época na Espanha.

No século XIV, Guillaume de Machault cita em suas obras a guitarra mourisca e a guitarra latina no século XVI na Espanha, a guitarra mourisca, com quatro coros de cordas, era usada para acompanhar cantos e danças populares, enquanto que a guitarra latina – a vihuela, pertencia ao músico culto da corte.
A Vihuela tinha três denominações distintas: vihuela de mano (em nada diferente do violão atual), vihuela de arco e vihuela de plectro.
A Vihuela de mano constava de cinco cordas duplas mais a primeira que era simples. Os vihuelistas além de precursores dos guitarristas do século XVII, foram também criadores de métodos e formas musicais que serviriam de base para toda a música instrumental que viria depois. A vihuela é um instrumento que alcança seu máximo esplendor na península Ibérica durante o século XVI, em torno de um ambiente cortesão e sobre as capelas musicais de reis e nobres. 
Mas seria um erro pensar que seu âmbito ficou reduzido a península, tendo em conta as contínuas viagens de Carlos V e Felipe II por toda a Europa. Assim mesmo, se repassarmos os inventários de instrumentos musicais nas cortes espanholas, observaremos uma evidente presença de alaúdes, que na Espanha era conhecido como vihuela de Flandres, o qual nos faz pensar em uma convivência de ambos os instrumentos. 
Quando chegou ao Brasil no início da colonização, a viola gozava de imensa popularidade em Portugal. Parte expressiva da produção musical renascentista portuguesa foi produzida para viola. No seio do povo era também um instrumento popular. Gil Vicente refere-se à viola como instrumento de escudeiros.
Assim no Brasil os instrumentos indigenas e portugueses/espanholas se fundiram na criaçao de musica na conolização do Brasil. Invéntarios apontam a presença de violas em Sâo Paulo a partir de 1613.

Havia, também, música para acompanhar as funções religiosas, entoadas por vozes, rabecas, baixão e, na falta de órgão ou outro instrumento de tecla, harpa ou viola.

"Pouco sabemos da prática da viola no Brasil no século XVI. O musicólogo José Ramos Tinhorão (1990) afirma que "a mais antiga referência expressa a versos cantados pelo personagem de uma comédia encenada em 1580 ou 1581 na matriz de Olinda, por ocasião da festa do Santíssimo Sacramento, aparece nas "Denunciações de Pernambuco", de 1593, confirmando desde logo a ligação da viola com a canção citadina". No Sudeste, ela está presente em inventários a partir do início do século XVII. Em 1613, violas foram catalogadas em espólios deixados na cidade de São Paulo.

O padre José de Anchieta, o mais importante nome no processo de catequese dos indígenas no início da colonização do Brasil pelos portugueses, sustentou todo o seu projeto pelo uso da música e das práticas teatrais. Ele percebeu que os indígenas, com os quais travou contato, utilizavam a música como veículo de intermediação com o mundo sagrado. O general Couto de Magalhães (1940), sertanista brasileiro que viveu no século XIX, afirmou, em seu clássico "O selvagem", que o padre Anchieta se utilizou do cururu e do cateretê, duas danças de origem tupi, para catequizá-los. Para isso inseria textos litúrgicos nas melodias e danças desses índios. Anchieta tratou de aprender o tupi-guarani e o trouxe para um molde de estruturação gramatical latino inserindo termos em espanhol e português aos vocábulos faltantes na língua. Essa língua recebeu o nome de nheeng'atu. Seria plausível imaginarmos que a viola, instrumento harmônico, pode ter sido utilizada nos acompanhamentos dessas danças, pois até hoje a utilizamos para acompanhar o cururu ou o sapateado e palmeado do cateretê. Junto das violas, os portugueses tocavam também flautas, pifes, tambores e gaitas, e aliaram a isso as maracas, buzinas e flautas indígenas.

A viola, desde então, fez parte do cotidiano do povo que aqui foi se criando. Aos poucos foi se espalhando nas empreitas dos bandeirantes e tropeiros, e, em emergentes cidades como Recife, Salvador e Rio de Janeiro, sua prática tornou-se habitual. "

texto por Ivan Vilela, 2010 


Fontes e textos citados: 
  • Projeto compartilhar
  • Gestao de Iniciativas sociais
  • Genealogia Paulistana,
  • musica de Sao Paolo - Ivan Vilela (pdf)
  • a musica na cidade de Sao Paulo - Claudia Aparecida Polastre 2008
  • historia do violão
  • historias e lendas de Santos
  • caipira e viola brasileira
  • Wikipedia