“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

o violâo do Sebastião Paes de Barros, bandeirante

Há poucas referências documentais à música praticada, nesse período, na região de São Paulo e os únicos documentos musicais conhecidos, datados da primeira metade do século XVIII.

Sabe-se, igualmente, através dos inventários bandeiristas que, na região de Piratininga, tocava-se guitarra (inventário de Catharina d'Horta, 1626), sistra (inventário de Francisco Leão, 1632) e violas e harpas, uma das quais pertencera ao bandeirante Sebastião Paes de Barros, inventário de 1688, e outra, que figura no testamento de Affonso Dias de Macedo, em 1703, explicitada como viola de pinho do reino)


Historia


O primeiro instrumento de cordas que se tem notícias que chegou ao Brasil foi a viola de dez cordas ou cinco cordas duplas, muito popular entre os portugueses e precursora do violão, trazida pelos jesuítas portugueses que aqui chegaram para catequisar os índios e a usavam durante a catequese.  

A coroa Portuguesa objetivava levar as suas colônias o trinômio de sua colonisaçâo que significa, o rey, a lei a a fé. A fé ficou a cargo dos Jesuitas com Manoel da  Nobrega.Necessitou de mais braços para a atividade de evangilzação do Brasil a assim chegou no 1553 Padre José de Anchieta.

Todo o processo de catquese é na verdade intervençao intencional em valores culturais. Para catequisar os jesuitas criaram uma lingua artificial de nome nhengaatu.
Para conceitos e objetos estranhos à língua emprestaram-se inúmeros vocábulos do português e espanhol. A essa mistura deu-se o nome ie’engatu, que significa "língua boa". Não se falava o portugues até o final do sec. XVIII, mas o nhengaatu. sendo usada não apenas por índios e jesuítas, mas também como língua corrente de muitos colonos de sangue português.
Segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, até fim século XVIII, em São Paulo, falava-se a língua geral, o "nhangatu", uma derivação do tupi. Foi uma língua imposta pelos missionários, até hoje ouvida em alguns locais da Amazônia.

Padre Anchieta percebeu que os povos indigenos mantinham uma relaçao com o mundo sagrado tendo sempre a musica como strumento de intermediação.Anchieta assim realizava dramatzações com os indigenas, nas quais associava as coisas de natureza (terra, animais, plantas) estranhas ao mundo europeo. Tratou de aprender danças e melodias indigenas nas quais inseriou textos liturgicos em tupi. 
Essas danças sâo ainda hoje presentes na musica dos caipiras: cururu e cateretè. 

Em 1584, José de Anchieta em sua "Informação do Brasil e suas Capitanias", referindo-se a uma das aldeias de índios do colégio da Bahia, relata:
"(...) les enseñam a cantar y tienem su capilla de
canto y frautas para sus fiestas, y hazen sus danças
a la portuguesa com tamboriles y vihuelas com mucha
gracia, como si fueron muchachos portugueses".
Presente em diversos segmentos sociais da população, especialmente nos ambientes populares, o cultivo da viola também se deu nos meios aristocráticos representando para estes não um meio de vida, mas sim um recurso a mais em seu grau de instrução, voltado para a prática diletante do fazer musical como elemento de distinção social. Assim é que Pedro Taques de Almeida Paes Leme, em seu "Nobiliarchia Paulistana", publicado em São Paulo no ano de 1926, relata sobre a decisão de Salvador Correia de Sá em contratar os serviços de Francisco Rodrigues Penteado como professor de viola de seus três filhos, no ano de 1648:

A nobre família dos Penteados teve origem em São Paulo em Francisco Rodrigues Penteado, natural de Pernambuco, para onde veio ser morador seu pae Manoel Correa com casa, saindo de Lisboa; e em Pernambuco se estabeleceu com negocio grande.
Tendo este filho Francisco Rodrigues Penteado já bem instruído em artes liberais, sendo excelente e com muito mimo na de tanger viola, e destro na arte da música, seu pai o mandou a Lisboa sobre dependência de uma herança que ali tinha; o filho, porém, vendo-se em uma corte das mais nobres da Europa e com prendas para conciliar estimação, cuidou só no estrago que fez do cabedal que recebeu, consumindo em bom tratamento e amizades:
Refletindo depois que não estava nos termos de dar satisfação da comissão com que passara de Pernambuco a Lisboa, embarcou na frota do Rio de Janeiro com Salvador Correa de Sá e Benevides em 1648, o qual tendo de passar a Angola, como passou, para a restaurar dos holandeses, o deixou
na cidade do Rio muito recomendado pelo interesse de instruir nos instrumentos músicos a suas filhas e ao filho mais velho Martim Correa com quem estava unido pela igualdade dos annos. Do Rio de Janeiro, pela demora em Angola do dito Salvador Correa de Sá, que ficou feito general daquele reino, passou para a vila de Santos Francisco Rodrigues Penteado;
e já desta vila subia para São Paulo contratado para casar com uma sobrinha de Fernando Dias Paes, que foi quem o ajustou para este casamento".

E interessante notar que o filho de Francisco Rodrigues Penteado, Manoel Correa casou-se com Beatriz de Barros, filha de Pedro Vaz de Barros neto e sobrinha do Sebastiao Paes de Barros.

Ainda sobre o assunto, Paulo Castagna (2000) reitera a questão citando vários documentos históricos referentes a processos de inventários registrados no Brasil entre os anos de 1604 e 1700,54 arrolando entre os bens, inclusive violas, resumindo sua importância e presença em ambos contextos:

-"Viola, de propriedade de Mécia Roiz, São Paulo entre 01/08/1605 e 04/02/1606.................160 reis
- Viola/guitarra, de propriedade de Paula Fernandes, São Paulo - 19/09/1614..........................640 réis.
- Viola, de propriedade de João do Prado, São Paulo.23/09/1615........................................1,280 réis.
- Viola, de propriedade de Balthazar Nunes, SãoPaulo - 06/1623.........................................1,280 réis.
- Viola, de propriedade de Leonardo do Couto,Parnaíba - 03/08/1650...................................320 réis.
- Viola, de propriedade de Sebastião Paes de Barros,Parnaíba - 24/12/1688................2,000 réis.
- Viola, de propriedade de Afonso Dias de Macedo Itú - 20/03/1700.............sem informação de preço".


Lista no ensaio de gestao de iniciativas sociais, pag. 35 (link em baixo)

Historia do violão

Tudo começou em Portugal. Inspirados em alguns instrumentos árabes esquisitos, como o alaúde (foto ao lado), os portugueses tiveram a excelente ideia de criar um instrumento de 10 cordas. As violas portuguesas/espanholas chegaram ao Brasil trazidas por colonos portugueses de diversas regiões do país A origem do Violão não é muito clara, pois existem, segundo musicólogos, várias hipóteses para o seu aparecimento. A primeira hipótese é de que o Violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.
A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha. Isso se pode comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão (1221-1284), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos que coexistiram nessa época na Espanha.


No século XIV, Guillaume de Machault cita em suas obras a guitarra mourisca e a guitarra latina no século XVI na Espanha, a guitarra mourisca, com quatro coros de cordas, era usada para acompanhar cantos e danças populares, enquanto que a guitarra latina – a vihuela, pertencia ao músico culto da corte.

A Vihuela tinha três denominações distintas: vihuela de mano (em nada diferente do violão atual), vihuela de arco e vihuela de plectro.

A Vihuela de mano constava de cinco cordas duplas mais a primeira que era simples. Os vihuelistas além de precursores dos guitarristas do século XVII, foram também criadores de métodos e formas musicais que serviriam de base para toda a música instrumental que viria depois.
A vihuela é um instrumento que alcança seu máximo esplendor na península Ibérica durante o século XVI, em torno de um ambiente cortesão e sobre as capelas musicais de reis e nobres.
Mas seria um erro pensar que seu âmbito ficou reduzido a península, tendo em conta as contínuas viagens de Carlos V e Felipe II por toda a Europa. Assim mesmo, se repassarmos os inventários de instrumentos musicais nas cortes espanholas, observaremos uma evidente presença de alaúdes, que na Espanha era conhecido como vihuela de Flandres, o qual nos faz pensar em uma convivência de ambos os instrumentos.


Assim no Brasil os instrumentos indigenas e portugueses/espanholas se fundiram na criaçao de musica na conolização do Brasil. Invéntarios apontam a presença de violas em Sâo Paulo a partir de 1613.

A primeira notícia que se tem sobre este instrumento no Brasil, ocorre no século XVII em São Paulo, vendida por um preço exorbitante na época, por dois mil réis. 
Mário de Andrade, no "Dicionário Musical Brasileiro" (1989),atesta, já na década de 40, que
  "é caso curioso, esta guitarra pertenceu a um dos mais notáveis bandeirantes do século XVII"
Havia, também, música para acompanhar as funções religiosas, entoadas por vozes, rabecas, baixão e, na falta de órgão ou outro instrumento de tecla, harpa ou viola.
 

Sebastião Paes de Barros 

filho de Pedro Vaz de Barros e Luzia Leme, tambem os nossos antepassados e irmão do meu 9° avô, Antonio Pedroso de Barrosfoi sertanista e bandeirante que Silva Leme estuda no volume III de sua «Genealogia Paulistana», pg. 502.

Também muito notável pelos serviços prestados à coroa; esteve a partir de 1670 na qualidade de cabo em Tocantins e no Maranhão com o governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho. Datada de 24 de abril de 1674, há uma Carta do Príncipe Regente D. Pedro, futuro D. Pedro II, a ele dirigida como Cabo da Tropa do Sertão do Maranhão:


"Cabo da tropa da gente de São Paulo vos achais nas cabeceiras do rio de Tocantins, e Grão Pará», isto é, sertões do rio São Francisco e do atual Estado do Piauí até as margens do Tocantins, no Maranhão. Exortando-o a remeter a Portugal amostras dos minerais descobertos. "

Mas Sebastião morreu pouco depois no sertão, ainda em 1674, levando consigo o segredo das descobertas. Quando ali chegou o clérigo Antônio Raposo, paulista que vinha de Lisboa para se lhe reunir, não mais o encontrou.

Foi casado com Catarina Tavares, filha de Francisco de Miranda Tavares e de Isabel Pais Borges de Cerqueira, por esta, neta de Simão Borges de Cerqueira e de Lucrécia Leme, parente dos Vaz de Barros. Faleceu Catharina Tavares em 1671 e seu marido em 1674.

Teve pelo inventário de sua mulher (C. O. de S. Paulo) os seguintes f.ºs.:
(Genealogia Paulistana Vol.III, pag. 502, cap. 6)

1-1 Maria Pedroso de Barros § 1.º

1-2 Antonio Pedroso † solteiro § 2º

1-3 Lucrecia Pedroso § 3.º

1-4 Izabel Pedroso § 4.º

1-5 Luzia Leme § 5.º

1-6 Leonor Leme § 6.º

1-7 Sebastião Pedroso § 7.º 




O nome "violão" 

Em outros países de língua não portuguesa o nome do Violão é guitarra, como pode se ver em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre), italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra). No Brasil especificamente quando se fala em guitarra quer se denominar o instrumento elétrico chamado Guitarra Elétrica. Isso ocorre porque os portugueses possuem um instrumento que se assemelha muito ao Violão e que seria atualmente equivalente à “Viola Caipira”. 
A Viola portuguesa possui as mesmas formas e características do Violão, sendo apenas pouco menor, portanto, quando os portugueses se depararam com a guitarra (Espanhol), que era igual a sua viola sendo apenas maior, colocaram o nome do instrumento no aumentativo, ou seja, Viola para Violão.Mas, o uso da nomenclatura usada como referência ao instrumento viola/violão, continua conforme afirma Manuel Antônio de Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com terminologia da época do final da colônia, a viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as modinhas.


 Musica e os bandeirantes:


Os "Inventários e Testamentos" revelam  um amor do paulista pela música, apesar do período tumultuário que atravessa no século XVII.
Efeitivamente é curioso pensar ao bandeirante tocar o violâo. E não acho que foi vida assim romantica como nas pinturas  a esquerda. Sobre a vida dos bandeiratnes se sabe bem pouco e as descriçoes sobre eles risultam do sec. XIX  ou "Romantismo" A pesquisa histórica revela uma realidade bastante diferente: a maioria dos bandeirantes andava descalça e com roupas muito simples. Na verdade, todas as imagens que vemos dos bandeirantes foram feitas muito tempo depois da época em que eles viveram.

Expedições que geralmente partiam de São Paulo e eram organizadas com o fim de capturar índios e encontrar ouro e pedras preciosas, as bandeiras existiram do século 16 ao 18.
A captura de indígenas para serem vendidos como escravos foi a base da economia paulista até o século 17. Naquela época, essa prática era tão lucrativa que era chamada de "negócio do sertão".  No período que vai de 1630 a 1680,  algumas fazendass tinham mais de cem escravos índios.Outro fator que incentivou o aumento da captura de índios foi a própria pobreza em que vivia a maioria dos paulistas. A falta de perspectiva levou vários paulistas a acreditarem que a única forma de saírem da miséria era capturar índios para vender como escravos.

Essa razão não deve desculpar em nada a violência que era praticada contra os indígenas, mas torna a situação mais compreensível e explica talvez quanto a realidade daquela época era mais complexa do que se imagina.

Seja em busca de ouro e outras pedras preciosas, seja em busca de índios para aprisionar e vender, os bandeirantes enfrentavam uma série de perigos e desconfortos: ataques de onças; picadas de cobras, aranhas e insetos; doenças; sem falar na própria resistência oferecida pelos indígenas...

E foi provavelmente no istante que o bandeirante regressando das selvas onde ele havia passado meses, embora da casa e gente, tocou  o violão. Talvez o tocou e cantou nas festas religiosas nas vilas onde os homems e as mulheres se reuniram para os ritos religiosos, dançando a caterete dos povos indigenas.
As mulheres e crianças que para muito tempo permanecevam nas fazendas com os escravos para coltivar as terras, talvez cantavam no trabalho. Muitos deles tambem jà com raizes indigenas, filhos de mâes indigenas e assim com cultura de musica indigena e branca, tocando o violão e a guarapeva, chocalhando maracás, etc.
E como acima descrito de seguro foi tambem importante saber tocar o violão para razões de "prestige" e um certo "ser nobre".


Certo é que a partir do século XVI os portugueses levaram a viola a todas as regiões coloniais, incorporando-a nas culturas locais, entre outras, das ilhas da Madeira, Cabo Verde, Açores e também do Brasil. A esse respeito documentos existentes atestam inúmeras atividades artísticas desenvolvidas a bordo das naus portuguesas, inclusive vindas para o Brasil, desde o século XVI, resumindo especialmente teatro, diálogos e comédias, folias (*), e dança, sempre acompanhadas por música.

(*)"Vocabulario Portuguez e Latino", publicado em Lisboa entre os anos de 1712 e 1727, escreve: (encontrado no ensaio do Gestao de Iniciativas Socias, pag. 32, link embaixo)

"Folia. Derivafe do Grego Phelcos, que quer dizer Homem ridículo, ou de Phaulos também Grego, que às vezes val o mefmo, que liviano, & doudo, (como notou Henrique Eftevaõ, no Livro da precedência do idioma Francez. De Phelcos, ou Phaulos, fizeraõ alguns Autores Follus, que foy ufado na baxa Latinidade por Doudo, louco (...) Entre nós Folia val o mefmo que Festa de varias peffoas, tangendo, & cantando com tanbor, & pandeiro, ou Dança com muytas foalhas, & outros instrumentos, com tanto ruido, extravagancia, & confufaõ, que os que andaõ nella parecem doudos. (...) Qualquer efpetaculo, jogo, ou demoftraçaõ alegre, que fe faz em dias de fefta".