“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Antonio Francisco de Paula Souza - o mais antigo estudante brasileiro em Europa

Algumas dias atrás encontrei informaçoes em alemão sobre um outro membro de familia:

Antonio Francisco de Paula Souza.

Foi um 2° primo em primeiro grau do meu bisavó, Dr. med. Bento Paes de Barros (filho do Barao de Tatui), que tambem foi na Europa em Viena (Austria) algumos anos depois.

O que gostei muito foi a bela conexão com a Suiça e a Alemanha e a historia do Europa com personagens e autors que estudei no colégio (Heinrich Heine, Richard Wagner, Garibaldi, etc.etc.)
São essas "historias na historia" que fazem interessantes as pesquisas e que são tambem uma coisa que aproximam essos antepassados que eu nunca conheci. Assim não são sõ datas "frias", mas dimostram que foram pessoas veras e podem explicar-me um pouco a suas vidas.
Encontrei a biografia em texto original (portugues):


Leia aqui o que è registrado tambem nos arquivos de varias Universidades na Europa e depois nos jornais e arquivos de Universidades de essa epoca em Europa do 1864:

Antonio Francisco de Paula Souza
Antonio Francisco de Paula Souza (1843-1917):
o mais antigo estudante brasileiro em Karlsruhe

Angelo Fernando Padilha (1) e Rodrigo Bastos Padilha (2)

(1) Professor da Escola Politécnica de São Paulo e ex-aluno da Universität Karlsruhe (TH)
(2) Jornalista e historiador

Resumo


Neste artigo é apresentado um resumo da singular biografia do mais antigo ex-aluno brasileiro da Universität Karlsruhe (TH): Antônio Francisco de Paula Souza (1843-1917). Descendente de rica família da então ascendente oligarquia cafeeira do Estado de São Paulo, Antonio Francisco foi enviado com 14 anos de idade para Dresden, onde cursou o ginásio. Em 1861, iniciou seus estudos de Engenharia na ETH de Zürich. Aluno rebelde, transferiu-se da ETH para a TH de Karlsruhe, em 1864. Em Zürich e em Karlsruhe, Paula Souza fez muitos amigos, que mais tarde, em 1894, o ajudariam a criar a Escola Politécnica de São Paulo, que por sua vez teve um papel decisivo na industrialização de São Paulo e do Brasil. Em Zurique e depois em Baden-Baden, ele conheceu e namorou a filha do poeta revolucionário Georg Herwegh (1817-1875), Ada Virginie (1849-1921), com quem casaria e teria 11 filhos. Ao retornar ao Brasil, Paula Souza contribuiu para o fim da escravidão (1888) e para a proclamação da república (1889), foi deputado e ministro das relações exteriores e da agricultura. Foi também o criador e o primeiro diretor da Escola Politécnica de São Paulo por mais de 20 anos, desde a sua fundação até a sua morte, em 1917. Morreu trabalhando como educador, em sua casa, à noite, preparando a aula do dia seguinte.

Os ancestrais de Paula Souza:

Antonio Francisco de Paula Souza nasceu na fazenda de seu avô materno, em Itu, no Estado de São Paulo, em 6 de dezembro de 1843. Sua família, tanto do lado paterno como do materno, era constituída de ricos fazendeiros, com forte atuação política. Seu avô paterno, Francisco de Paula Souza e Melo (1791-1851) teve importante atuação política nos períodos anterior e posterior a independência do Brasil de Portugal (1822) e foi deputado e senador. Seu pai, Antonio Francisco de Paula Souza (1819-1866), de quem herdou o mesmo nome, também nasceu em Itu e graduou-se em medicina, na Universidade de Louvain, Bélgica, no ano de 1842, foi ministro da agricultura (1864-66) e deputado. Sua mãe, Maria Raphaela Paes de Barros (1827-1895), era filha do primeiro Barão de Piracicaba, Antonio Paes de Barros. Antonio Paes de Barros (1791-1876) introduziu a cultura do café no Estado de São Paulo e também foi político atuante e deputado.

Primeiros estudos no Brasil, o ginásio em Dresden e a Faculdade em Zurique:

Antônio Francisco de Paula Souza fez seus estudos fundamentais inicialmente no seio de sua família e depois em colégios de Capivari (cidade próxima de Itu), São Paulo e Petrópolis. Em 1858, Antônio Francisco, então com quinze anos, foi enviado, em companhia de seu irmão mais jovem Francisco e de seus dois tios Antônio e Diogo Paes de Barros, para continuar seus estudos na Alemanha, em Dresden. Em novembro de 1860, adoentado devido ao clima rigoroso, retornou ao Brasil com seu irmão Francisco. Em julho de 1861, viajou para a Suíça e depois de alguns meses de estudos preparatórios, ingressou em outubro daquele ano na Eidgenössische Technische Hochschule (ETH) de Zurique. Em Zurique, Paula Souza associou-se a sociedades estudantis revolucionárias e envolveu-se com o movimento de unificação da Itália, liderado por Giuseppe Garibaldi (1807-1882), chegando a viajar até Milão para alistar-se no movimento, o que acabou não se concretizando pois nesta época Garibaldi estava preso. Em Zurique ele envolveu-se em vários duelos, revoltas estudantis e acabou tendo que deixar a ETH, em julho de 1864.


Paula Souza conhece a família Herwegh:

Na ETH, Paula Souza fez muitos amigos e foi colega de classe de Horace Herwegh, filho mais velho do poeta e revolucionário alemão Georg Herwegh (1817-1865), que viria a ser seu futuro sogro. Georg Herwegh nasceu em Stuttgart, em 31 de maio de 1817. Depois de estudar no Maulbronner Seminar (1831) e na Theologischen Fakultät der Universität Tübingen (1835), de onde foi excluído, Georg Herwegh iniciou uma carreira literária como tradutor, jornalista, poeta (Gedicht eines Lebendigen) e revolucionário. Viveu a maior parte de sua vida no exílio, principalmente em Paris e em Zurique. Herwegh foi contemporâneo e amigo dos mais importantes intelectuais de sua época, tais como Michail Bakunin (este foi testemunha de seu casamento com Emma Siegmund, em 1843), Bruno Bauer, Friedrich Engels, Ludwig Feuerbach, Heinrich Heine, Victor Hugo, Ferdinand Lassalle, Franz Liszt, Karl Marx, Felice Orsini, Francesco De Sanctis, Iwan Turgenjew, Richard Wagner e muitos outros. Georg Herwegh foi um dos fundadores da “Deutschen demokratischen Gesellschaft” (Paris, março de 1848) e um dos líderes da revolução de Baden, em 1848:
“Französisches Volk, wir gehen Hand in Hand mit dir.
Es lebe die Freiheit, die Gleichheit, die Bruderliebe!
Es lebe die Demokratie!
Es lebe die europäische Republik!”

Paula Souza em Carlsruhe:

Paula Souza estudou em Carlsruhe entre 1864 e 1867. No ano escolar de 1864/65 ele matriculou-se na Faculdade de Química (Chemischen Schule; Fakultät im heutigen Sinne) e nos anos escolares de 1865/66 e 1866/67 ele matriculou-se na Faculdade de Engenharia Civil (Bauingenieurschule). Em 1866, a família Herwegh, constituída então do pai Georg, da mãe Emma, da filha Ada e do filho mais novo Marcel, mudou-se de Zurique para Lichtenthal, perto de Baden-Baden. O filho mais velho, Horace, havia sido excluído da ETH e se mudado para os Estados Unidos. Ada Virginie, nascida no exílio em Paris em fevereiro de 1849, tinha em 1866 17 anos de idade e 4 anos mais tarde se casaria com Paula Souza e teriam 11 filhos. Nos cerca de oito anos que viveu na Europa, em Dresden, Zurique e Carlsruhe, Paula Souza além de fazer muitos amigos, adquiriu sólidos conhecimentos científicos e técnicos e fortaleceu suas convicções republicana e antiescravista. Na sua correspondência da época também já pode se observar a importância que Paula Souza dava à educação para o desenvolvimento do Brasil.


Foto enviada á avõ e madrinha
Antonio Francisco de Paula Souza, estudante em Carlsruhe.

O RETORNO EM BRASIL
Ao retornar ao Brasil em 1867, Paula Souza trabalhou na construção de estradas de ferro. Em 1869 viajou aos Estados Unidos, onde trabalhou em estradas de ferro, de lá viajou para a Alemanha, onde casou-se com Ada Virginie Herwegh em Baden-Baden, retornando ao Brasil em 1871. Teve 7 filhos com ela:- Maria Raphaela, - Virginia de Paula Sousa c/c Maximiliano de Sousa Rezende,- Ada de Paula Sousa, 
- Antonio de Paula Sousa, -Elsa de Paula Sousa, Gertrudes de Paula Sousa, -Geraldo de Paula Sousa.

 Em 1873, participou ativamente da convenção republicana, realizada em Itu. Com a proclamação da república, em 1889, Paula Souza passou a ter uma atuação política mais intensa. Em 1892, foi eleito deputado estadual e em seguida presidente da assembléia legislativa de São Paulo. Iniciou então uma campanha para a criação de uma faculdade de engenharia em São Paulo; a Escola Politécnica de São Paulo. Em 1892 e 1893, foi Ministro do Exterior e depois Ministro da Agricultura. Em 1894, Paula Souza foi nomeado o primeiro diretor da Escola Politécnica, permanecendo neste cargo até a sua morte em 1917. Neste ponto é importante lembrar que o ensino superior chegou relativamente tarde ao Brasil. As primeiras universidades européias foram criadas muito antes do descobrimento (1500) do Brasil: Universidade de Bolonha (século XI), Universidade de Oxford (século XII), Universidades de Cambridge, de Lisboa e de Salamanca (século XIII) e Universidade de Heidelberg (século XIV). As primeiras faculdades instaladas no Brasil, na primeira metade do século XIX, foram as de direito e medicina. As faculdades de engenharia vieram um pouco mais tarde: Escola Politécnica do Rio de Janeiro (1874) e Escola de Minas de Ouro Preto (1876). No final da monarquia, havia no Brasil meia dúzia de faculdades: direito em Recife e São Paulo, Medicina em Salvador e no Rio de Janeiro e engenharia no Rio de Janeiro e em Ouro Preto. A primeira universidade brasileira surgiu apenas em 1920; a Universidade do Rio de Janeiro, depois denominada Universidade do Brasil e hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


A fundação da Escola Politécnica de São Paulo

Em 1894, quando a Escola Politécnica foi fundada, a cidade de S. Paulo tinha apenas cerca de 125.000 habitantes e um parque industrial incipiente e inexpressivo. O Brasil tinha 15,5 milhões de habitantes, dos quais cerca de 80% eram analfabetos e apenas 2,2% da população tinham direito ao voto. Em 1890, 80% dos engenheiros, quase todos graduados na Europa, atuavam na área ferroviária
A economia do Brasil era predominantemente agrária e o Brasil produzia 75% do café consumido no planeta. Entre 1891 e 1900, o Brasil teve um aumento demográfico de 41%. Entre 1890 e 1920, a população da cidade de São Paulo, devido à intensa imigração, foi multiplicada por nove, saltou de 64.000 para 580.000. Logo ao chegarem, os imigrantes sentiam falta de escola para os filhos (“... Gibt es auch Schulen?”) e hospitais para os enfermos. Por exemplo, a Deutsche Schule de São Paulo, hoje Colégio Visconde de Porto Seguro, foi fundada em 1878. Quando a Escola Politécnica foi criada não havia uma necessidade premente de engenheiros, mas a sua criação teve um papel decisivo na futura industrialização de São Paulo. A indústria brasileira começou a se desenvolver no Rio de Janeiro, como resultado dos “superávits” do café. Em 1850, existiam no Brasil apenas 50 indústrias, quase todas no Rio de Janeiro. Nesta época São Paulo era a quarta província em importância econômica no país, depois de Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Hoje, o Estado de São Paulo é responsável por cerca de 40% do Produto Interno Bruto do Brasil.

A Escola Politécnica hoje 

Em 1934, com a fundação da Universidade de São Paulo (USP), a Escola Politécnica foi incorporada à USP. A USP é hoje a maior (44.000 alunos de graduação, 12.000 mestrandos e 12.000 doutorandos) e a mais importante universidade do Brasil, responsável 25% da produção científica (em termos de publicações indexadas internacionalmente) do país, foi recentemente classificada entre as 200 melhores universidades do mundo. A Escola Politécnica é composta de 15 departamentos (Cada Departamento corresponde aproximadamente a um Instituto, na organização universitária da Alemanha), oferece 10 modalidades diferentes de cursos de engenharia, tem atualmente 4.500 alunos de graduação (a graduação em engenharia dura 5 anos no Brasil), 1.300 mestrandos e 820 doutorandos. Além disto ela oferece anualmente cerca de 220 cursos de atualização e educação continuada para cerca de 7.700 engenheiros e dispõe de 320 convênios com empresas, 31 convênios internacionais com 27 países.
Antonio Francisco de Paula Souza foi certamente o primeiro estudante brasileiro da Universität Karlsruhe (TH). Depois dele, várias dezenas, talvez uma centena, de brasileiros estudaram na TH de Karlsruhe. No momento, os ex-alunos brasileiros da TH estão organizando uma associação. A primeira reunião festiva deverá ocorrer em São Paulo, em abril de 2006.

Fiquei curiosa e pesquisei tambem na historia de ETH Zurique (Universidade Politécnica). Encontrei documentos dos avenimentos no Politecnica do 1864.
Trata-se dos provedimentos e um Rélatorio para o departamento Suiço do Interior sobre os revoltas studentescas na ETH 1864, ano em que o nosso antepassado deixou essa Universidade.

(desculpa demais pelo portugues ruim).


Os alunos do Politécnico Zurique sentiam-se muito sob tutela. Eles estavam sob a supervisão dos professores e do conselho escolar, que tinham disponíveis expulsão e uma série de medidas disciplinares.

Diferentemente da maioria dos estudantes universitários os alunos do Politécnico foram empenhados em programas de estudo, com exames ao final de cada ano académico.  O estudo foi um "treino para profissões", criado.  Ele preparou os jovens que se preparam para a aquisição de tarefas de engenharia.
A liberdade acadêmica inicialente não estava  previsto e
não era tão aceito sem objeção dos alunos. 

O que a sociedade exigiu dos alunos no Politecnico leia no link de ETH Zurich history Tours:  (em ingles)


Em 1864, chegou para um primeiro grande confronto entre os "estudantes" e a diretoria do Politecnico:
Os estudantes do Politecnico praticavam duelos entre si.  O ritual figurou para eles uma expressão digna de soberania. O diretor Pompejus Alexander Bolley proibiu explicitamente este ritual, que era incompatível com as regras da escola.
Além disso, a Escola Politécnica tinha acabado de se mudar para o novo "Edifício Semper."
Assim os estudantes podiam ser monitorados muito melhor o que  não era possível nos velhos edifícios.

O Conselho de Escola Suíço resumiu a situação em seu "Relatório ao Departamento suíço do Interior sobre os incidentes na Politécnica Federal"  assim:

" Na sala de exercícios e laboratórios, as pessoas começam a fumar de novo, e não são raros abuso e danos em ambos os quartos"
O direitor Bolley escriveu os autores em um quadro público de avisos e a exigiu responsabilidade e uma indemnização.


Imediatamente os estudiantes indignados removeram o escrito ao que o diretor deu o documento em uma caixa de vidro. No dia seguinte, faltavam vidro e documento.


Foram registrados mais sintomas  de descontentamento  Os alunos realizaram reuniões em que discutavam o que fazer. Estas reuniões foram logo transferidos para o horário escolar.
Em outras palavras, uma greve.
 
Uma delegação de estudantes começou à negociar com o diretor. Fizeram declarações falsas e erros formais e culparam um ao outro.
O protesto culminou com o fato de que quase metade dos estudantes anunciavam (em uma petição) de deixar a escola, se o Bolley não deixaria a direitoria do Politecnico.
Já a demanda por si só cruzou cada competência do corpo discente, ea administração da escola estava unida e replicou: 

" A renúncia dos indivíduos nos termos do artigo 56 dos regulamentos necessita o consentimento dos pais ou responsáveis​​. A saída comum não serão aceita"
 
Assim, 325 alunos apresentaram o cancelamento, provavelmente, um de cada vez. 

O Adeus dos estudiantes de Zurique para Rapperswil via navio, foi celebrada coletivamente e muito lembrado.

 
ETH-Bibliothek, Archive, SR2: 1864
Relatório oficial do conselho escolar da Suíça para o Departamento suíço do Interior sobre os incidentes na Politécnica Federal de 1 Agosto, 1864, p. 53


"......Regras da casa removidas do quadro de avisos, interiores dinificados,  pichações contra as autoridades, reuniões de estudantes, Sit-ins durante, palestras,coletiva encenado
Saída em massa dos estudantes......"


O que soa como uma revolta estudantil de 1968 são, de fato, processos na Politécnica Federal (ETH Zurich agora) de 1864.