“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Paes de Barros - No tempo de dantes. Dantes?

Dona Maria Paes de Barros, parente nosso, neta paterna de Genebra de Barros Leite, bisneta materna de Antonio de Barros Penteado e Maria Paula Machado.



Em seu livro " No tempo de dantes" Ela fala de sua infância em torno de 1850 a 187, de seu pai, Comendador Luis Antonio de Souza Barros, de seu tio Francisco, o Barão de Souza Queiros como tambem de sua tia, Mafalda de Sousa Queiroz, Marquesa de Valença. Todos tambem  parentes
do tronco dos Paes de Barros de Sao Paulo.
Descrive pessoas importantes, que iam e vinham na casa de seu pai. Fala de uma São Paulo como uma pequena cidade de ritmo lento, alguns sobrados e apenas escravos transitando por ruas silenciosas....Conta dos métodos de ensino em casa, em seguida, os passeios em São Paulo a pé, a vida domestica no dia-a-dia, os viagens pelas fazendas e dos trabalhos dos escravos.
Com lindas fotos dela e seu marido, senador Antonio Paes de Barros junior, um outro parente. Jà que ele foi um primo de sua esposa, filho do 1° Baráo de Piracicaba, Antonio Paes de Barros, irmão do 2° Barao de Piracicaba, Rafael Tobias Paes de Barros e do major Diogo Paes de Barros....
Fotos da velha São Paulo, velhas carruagens e utensílios com descriçao de vida de uma São Paulo no liberalismo brasileiro com as contradiçoes de seu tempo na élite paulistana.

Bangüê de Da. Felicíssima de Almeida Campos






 



Um verdadeiro deleite para mim, que estou à procurar muita informação.
Um livro interessante que deixa uma impressâo dessa epoca em Sao Paolo, de ponto de vista de uma senhora que foi "filha de sua epoca" com os varios problemas politicos e morais.

A sua biografia:


Quando dona Maria Paes de Barros fez cem anos, em 1951, os jornais dedicaram-lhe grandes espaços para entrevistas. De extraordinária lucidez, ela conseguira notoriedade com a publicação de livros, já em idade avançada, e com atitudes políticas ousadas como as manifestações públicas de simpatias à extinta União Soviética, atitudes surpreendentes para quem pertencia a uma das mais aristocráticas famílias paulistas.
Dona Maria Paes de Barros














Aos 94 anos, Dona Maria editara, Nos Tempos de Dantes, livro prefaciado por Monteiro Lobato. Era uma obra preciosa, pois continha suas memória de infância, plenas de revelações sobre os costumes familiares de São Paulo do século XIX.
Filha do comendador/Brigadeiro Luís Antonio de Sousa Barros, (o da avenida), que foi irmão do Barão de Limeira (Vicente de Sousa Queiroz) e do Barão de Sousa Queiroz (cel. Francisco Antonio de Sousa Queiroz). Nomes de aristocracia imperial paulista. Familia de cafeicultor, senhor de escravos e moderno capitalista.

O brigadeiro foi casado com Felicissima de Almeida Campos. Ele foi um rico e famoso cidadão paulistano de sua época. Brigadeiro Sousa Barros foi o primeiro prefeito de São Paulo, de 5 de maio a 21 de novembro de 1835. O cargo, após a passagem de alguns outros titulares, também de breves mandatos, foi logo extinto para ressurgir só vários anos depois. Foi filho de Genebra de Barros Leite casada com o brigadeiro Luiz Antontio de Sousa.

Ela era filha do Brigadeiro Luís Antonio de Souza Queiroz. Genebra é uma nossa direita parente, tia do meu tataravó, o Barão de Tatui e assim irmã do capitão Chico de Sorocaba, Francisco Xavier Paes de Barros, avô do meu avô. Assim Maria Paes de Barros foi 2°prima em primeiro grau do meu avó Victor Franz Xavier de Barros.

Dona Maria Paes de Barros passara os seus dias de criança numa luxuosa chácara no, hoje, centro da cidade. A chácara dos Sousa Barros tinha sua frente entre as atuais praça do Correio e Largo do Paissandu. Estes dois logradouros, inclusive chamados na época, respectivamente de Acu e Largo do Tanque de Zuniga, estavam dentro da propriedade.

Os fundos da Chácara estendiam-se até os limites do bairro de Santana. No Largo do Tanque Zuniga, tinha nascente o rio Iacuba, cujo nome, transformou-se por modificações e simplificações, na palavra Acu, denominação antiga da área ocupada pela praça do Correio e redondezas.

O riacho Iacuba, na sua rota para encontrar-se com o rio Anhangabaú, logo abaixo, passava próximo à confluência da rua Brigadeiro Tobias com a Ladeira Santa Efigênia. Ali a chácara do comendador Sousa Barros confrontava-se com a chácara do brigadeiro Tobias de Aguiar (que foi um tio do Barao de Tatui, cuja mãe Rosa de Aguiar foi irmã do Brigadeiro).

Casada, em segundo núpcias, com o brigadeiro Tobias de Aguiar, a Marquesa de Santos foi morar numa casa construída junto à esquina daquela duas ruas. Em frente à casa, ficava a Biquinha do Acu.

Iacuba quer dizer água venenosa. Em 1791, informa Afonso A. de Freitas, submetida a exame, a água da Biquinha do Acu revelou-se "muitíssimo férrea e fria, ácida vitriólica", com tênues partículas de arsênico e "sumamente saturada de gás metífico".

No livro Nos Tempos de Dantes, ao falar no casarão em que passou sua infância, Dona Maria Paes de Barros cita-o como "um grande sobrado, um tanto fora da cidade. Naquela época, São Paulo mal ultrapassara o seu núcleo original.

Em 1882, retalhada a chácara, demoliu-se o seu casarão. Sete anos depois, aos 78 anos, Antonio Luis de Sousa Barros morreu.

Acostumada a conviver, na infância, com as grandes personalidades políticas, parentes e amigas do seu pai, Dona Maria Paes Barros casou-se com um primo, Antonio Paes de Barros que também tornou-se senador, já no período republicano. Ele foi filho do Barao de Piracicaba, Antonio Paes de Barros, casado com Gertrudes Eufrosina de Aguiar (outra irmã do Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar) e assim tambem nosso parente.

A carreira de Antonio Paes de Barros, porém, logo seria interrompida por uma doença que o afastou da vida ativa, e dona Maria foi obrigada a assumir a liderança da família.

Esvanecida a riqueza familiar, ela, em plena maturidade, encontrou forças para realizar alguns trabalhos significativos, entre eles, a publicação, em 1932, de uma História do Brasil. Foi ainda a fundadora do primeiro Tênis Clube de São Paulo, diretora da Maternidade de São Paulo e membro ativo da Igreja Presbiteriana de São Paulo.


Cinco gerações da família paulista Souza Barros. Ao centro, Dona Felicíssima, com sua tataraneta Evangelina no colo. Maria Paes de Barros está à esquerda, sua filha Maricota Barros Wright, à direita. De pé, sua neta Elisa Oliveira, c.1920. (Imagem do livro No Tempo de Dantes)

O seu descendente Dr. Eduardo de Barros Brotero diz em um intervista:


Dr. Eduardo — Sem dúvida. Meu trisavô, o Comendador Luiz Antonio de Souza Barros, possuía fazenda em Piracicaba, onde a família ia passar longas temporadas. Uma filha dele, minha bisavó, Da. Maria Paes de Barros, deixou memórias nas quais conta como eram feitas as viagens ao interior. Quando levavam crianças, as senhoras iam de bangüê — uma espécie de cabina de madeira, muito simples, carregada por quatro homens fortes a pé. Para ir a Campinas, a única hospedaria existente no caminho era a Estalagem da Ponte, situada à margem do rio Jundiaí. Minha bisavó a descreve e fala de seu proprietário: “o homem mais prazenteiro e popular”. Dizia que a maior parte dos viajantes, rumo ao interior, se acolhia à sua casa. Era conhecido como o Barão da Ponte. Quando lhe perguntavam por que decreto havia recebido o título, respondia, com a conhecida frase do Antigo Regime: “Pela unânime aclamação do clero, nobreza e povo!Em seu livro, No tempo de dantes, essa minha bisavó narra: “Naquela noite na hospedaria, as meninas dormiam no chão e as manas acomodavam-se nas camas da alcova. Pela madrugada, a voz dos pajens pegando os animais e encilhando os cavalos vinha a todos despertar. Depois de pequena refeição, continuavam a jornada. Lá pela tarde a grande comitiva atra­vessava lentamente a cidade de Campinas, outrora pequena e silenciosa, com seus vastos casarões de fazendeiros ricos. Ao sair da cidade, passava-se pela vendinha situada à beira de um riacho. Se tivessem sido grandes as chuvas, a água transbordava, formando ali um grande lamaçal. Mau pedaço. Praguejavam os tocadores de bangüês. As senhoras, inquietas e medrosas, moviam-se cautelosamente para evitar os espirros de lama. Como a fazenda ficava a pequena distância da cidade, dali a pouco estavam chegados, a gozar do descanso e do prazer de se acharem em casa após tão longa viagem.

Leia mais sobre o livro: passalidades atuais: No tempo de dantes. Dantes?: “ A espera na fila imensa, o corpo negro... se esqueceu. Enquanto acontecia... eu estava em San Vicente .” Milton Nascimento ‘ San ...