“Cada pessoa tem a sua historia. - Cada pessoa tem uma familia. - Cada familia tem origems. - Você não é apenas o que você imagina que é!"


Pesquisa Original, respeite os direitos autorais


quinta-feira, 12 de julho de 2018

PEDRO VAZ DE BARROS (1), TEORIAS E POLEMICAS NA HISTORIA - ATE HOJE

ATUALIZADO ABRIL 2026 por Tiffany
O texto trata da pesquisa histórica e genealógica sobre Pedro Vaz de Barros e suas possíveis origens, especialmente a questão de sua ascendência judaica, as polemicas e a instrumentalizaçao por fins da cidadania portuguesa.

Espero que os brasileiros me desculpem pela franqueza e pelas expressões fortes, que estão de acordo com os costumes europeus.

A autora defende uma abordagem imparcial, crítica e respeitosa das pesquisas genealógicas e históricas sobre Pedro Vaz de Barros. Ela alerta contra o uso dessas pesquisas para fins políticos ou religiosos e lembra que todos os seres humanos estão ligados por uma história comum — muito além de qualquer origem ou crença específica. 

Recebi muitas e-mails com perguntas ou informações e comentarios sobre as origens judaicas de Pedro Vaz de Barros. Agradeço e respondo assim :

Sigo de muitos anos as varias pesquisas e narrativas sobre Pedro Vaz de Barros.
Existem algumas narrativas sobre a sua ascendencia ainda discutida : de ser cristao-novo.. Infelizemente com isso é nomeado por muitos como "judeu sephardito"

Tem uma distinçao que muitos de estas pessoas não sabem : 
Ser de "origem sephardita" é bem diferente de ser "judeu sephardita".
Que ele é ou seria de origem sephardita realmente não é surpreendente nem uma sensação quando se pensa na história da Península Ibérica. Desde tempos imemoriais, os povos se misturaram ao longo da história.
Jà conta historia de conversâo e antepassados de quem nâo se sabe ainda nada.


1 ) Sobre a Identidade Religiosa  e o conceito de "Judeu"


No mundo judaico, existe uma longa e complexa controvérsia sobre o termo "judeu", dividindo-o entre a 
a ) prática religiosa e 
b) a ascendência étnica (etnoreligiosa).

Tem a diferencia de "ser Judeu" e de "ser de fé judaica". 
Em outras palavras : 
Um judeu nao deixa de ser considerado judeu se não praticar a fé judaica ou adotar outra religiao (tambem forçada como na historia). Isso é ser judeu por genealogia patrilinear. Mesmo que a pessoa se converta a outra religião (como ocorreu com os "Cristãos-Novos" na Inquisição), a lei judaica tradicional ainda a vê como parte do povo, embora ela perca privilégios na comunidade religiosa.A Genealogia Patrilinear è historicamente, a linhagem pelo pai determinava a tribo (como ser um Cohen ou Levi), mas não a identidade judaica em si. Hoje, apenas o movimento Reformista aceita a patrilinearidade, desde que a criança seja criada na religião.
Em vez.a fé vem trasferida somente da mãe ! Quem nasce da mãe judaica é tambem de fé judaica. (HALACHA). 
A regra tradicional é que tanto a etnia quanto a fé são transmitidas pela mãe. Se a mãe é judia, o filho é considerado judeu e "de fé judaica" perante a lei, independentemente do pai.

Portanto, para a lei tradicional, a mãe é a "chave" que transmite o pertencimento automático ao povo e à religião.

Pedro Vaz de Barros nasceu, viveu, casou na Igreja e foi enterrado como católico. Rotulá-lo pessoalmente somente como "judeu sefardita" sem referir esta distinçao no mundo judaico na árvore é um anacronismo e uma falsidade biográfica. 
Não se trata de uma opinião, mas de uma constatação baseada na ausência de provas: todos os registros existentes mostram uma trajetória estritamente católica. Ignorar isso em favor de uma narrativa moderna é sacrificar a verdade histórica.do individuo"

O correto é afirmar que ele possuía uma alegada ascendência de Cristãos-Novos (judeus forçados à conversão), respeitando a sua verdadeira identidade em vida. 
porque na sua epoca (colonial) não existiu a distinçao entre povo e religião como hoje.

Muitos portugueses tem sepharditas e tambem arabes/ moriscos na sua ascendencia e assim pode ser que ele nâo tem somente origens sepharditas, mas tambem arabes e quem sabe quanto mais. 


2 ) Pedro Vaz de Barros Hoje: Duas Visões Opostas


A figura histórica de Pedro Vaz de Barros tornou-se o exemplo perfeito de como uma pessoa real do passado pode ser capturada e distorcida no presente por interesses puramente ideológicos e comerciais.


a)  Para os Historiadores e Genealogistas Científicos
A genealogia se ocupa com a conexâo biologica / Historica entre diferentes individuos e de uma reconstrução da seqüência ordenada de gerações. !

Ela é o hábito de relacionar os ancestrais para torná-los conhecidos e qualificar o indivíduo perante seus pares, nas varias sociedades e civilizações. .Isso funcionou como a base elementar na formação das civilizações, Sumeriana, Egípcia, Hindu, Chinesa, Japonesa, Grega e Romana e, até, nas tribos indígenas do Amazonas.

Numa perspectiva mais abrangente, a genealogia procura reconstituir o perfil e a história social, política, econômica e cultural da família e seus integrantes no proprio tempo,: suas associações com outros grupos e seu papel na sociedade nas varias epocas (!), os quaes necessitam ser observados em maneira objetiva e então, não com o olho e ponto de vista de hoje para certos objetivos politicos ! Então não é importante a religiao, etnia etc porque este fazia parte da epoca do individuo que o formou e que o fazia lutar para varias razôes ! Isso é importante, não a critica da politica do ponto de vista de hoje.

Pedro Vaz de Barros era um indivíduo do seu tempo: É visto como sertanisata e povoador do Brasil colonial que nasceu, viveu, casou e morreu inserido na fé e na sociedade católica. 
A religiao era o catolicismo Romano que era a religao oficial e obrigatoria do REINO PORTUGUES. Todos os colonos e imigrantes eram obrigados a seguir a fé catolica e pagar o dizimo a Igreja. O casamento era sacramento e era a jurisdiçao exclusiva da Igreja. Para ser citadao , ter direito, possuir terreas etc. era obrigatorio ser batizado. Significa segruança patrimonial. A religião funcionava como contato social e juridica. Este o mundo de Pedro Vaz de Barros. Não exisistiu a questão de ser de etnia judaica e da fé judaica.

Uma hipótese em aberto è a sua ligação direta a uma família de Cristãos-Novos de Évora (as irmãs processadas pela Inquisição, ver embaixo) é considerada uma hipótese plausível por semelhança de nomes e datas, mas que carece de prova documental primária (certidão de batismo ou testamento).

Um caso de estudo sobre rigor: 
Serve como exemplo de que a genealogia científica exige a comprovação de cada elo familiar e rejeita atribuir a alguém do passado uma identidade que a própria pessoa não assumiu em vida.   Pedro Vaz de Barros viveu e morreu assumindo uma identidade católica. Rotulá-lo hoje como "judeu" è apagar a forma como o próprio indivíduo escolheu viver a sua vida e impor-lhe uma etiqueta que ele nunca usou.


b)  Para os Advogados, Intermediários e "Genealogistas" de Conveniência

Para eles, um "judeu sefardito" é um mero instrumento jurídico: É tratado como uma chave comercial de acesso. Uma vez que a narrativa da sua origem foi validada pelas comissões certificadoras da 
Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) , ele passou a funcionar como um produto que garantia a aprovação em massa de processos de nacionalidade portuguesa.

Ele diventou um símbolo artificial de identidade. É rotulado e forçado na categoria de "judeu sefardita" única e exclusivamente para preencher os requisitos de uma lei de reparação histórica. Para este grupo, a ausência de documentos diretos do século XVI é ignorada. Fabrica-se uma pertença grupal e um "defeito mecânico" póstumo para justificar a obtenção de um passaporte europeu ou para fins politicos e pertencimento para nao se sabe coisa !
Esta apropriação identitária  passa de uma manobra política e comercial que atropela a biografia real do indivíduo.

Perguntas :
É ético aceitar uma "quase verdade" ou uma "probabilidade" quando há interesses práticos em jogo? Para os advogados e para quem queria o passaporte, e assim tambem pelos muitos "politicantes"  a árvore genealógica tornou-se uma ferramenta comercial. A "verdade" passou a ser aquilo que a CIL aceitava. 

Mas para a ciência e para a moral, a verdade não se negoceia: ou um facto está provado ou não está. Usar a genealogia como um disfarce para obter direitos legais fere a ética da honestidade intelectual.


É moralmente correto usar a dor e a perseguição de antepassados do século XVI para obter um benefício material no século XXI?   
A lei portuguesa nasceu com um propósito talvez nobre de reparação histórica para com as vítimas da Inquisição (que foram torturadas e mortas). Quando descendentes modernos forçam árvores genealógicas sem provas, apenas para conseguir livre trânsito na Europa, ocorre uma mercantilização do sofrimento alheio. 
O trauma dos verdadeiros cristãos-novos transformou-se num produto de consumo. !

É profundamente cansativo ver figuras históricas coloniais serem "rotuladas" com identidades religiosas e étnicas que nunca tiveram em vida, apenas para servir a propósitos do presente. Acredito que a genealogia e a história não devem ser usadas para questões politicas e religiosas de certos historioadores ou "genalogistas" por fim politico. Parece quase uma inquisiçâo ou nazi-raçismo ao contrario com todas estas estrelas de David e menoras os quais se podem encontrar nos varios plataformas e sites de genealogia (!). 
Ao focar apenas no 'sangue' e ignorar que Pedro Vaz de Barros viveu e morreu como católico no mundo colonial, estamos repetindo erros históricos de classificar indivíduos apenas por sua genética, e não por sua história real. 
 Muitas das narrativas e livros que hoje circulam com "certezas inexistentes" sobre Pedro Vaz de Barros foram impulsionados por advogados, politicos, pseudo-genealogistas e intermediários que lucram com os processos de nacionalidade e que usam estas causas para defender agendas ideológicas atuais .


3 ) Origens das pesquisas sobre historia "oculta" e polemicas de hoje


Acho importante saber que a polemica sobre as origens de Pedro Vaz de Barros jà nasceu no inicio do sex XIX  (1920, Paulo Prado, a raça triste etc ) , como se pode entender tambem no artigo embaixo, e sim, é muito interessante. .Sem entrar nas detalhes posso dizer que a  polêmica nasceu da colisão entre o mito da elite fidalga e a realidade do capital mercantil, e hoje "transbordou" para um uso político que muitas vezes ignora o rigor dos fatos. Tenho a impressão que o cenário atual è um amálgama onde disputas acadêmicas do século passado, necessidades políticas de hoje e o desejo de pertencimento individual se misturam, criando uma narrativa muitas vezes confusa que traz à opiniões idenditarias e seletivas.onde se escolhe o que "serve" para a opinião atual e ignora-se o contexto histórico real.



a) texto por Manoel Valente Barbas, Revista ASBRAP nr. 7 :
" Informações históricas e genealógicas desse naipe mais causam polêmica, dúvidas, do que esclarecem ou acrescentam algo ao que já se sabe sobre a família "

1) MOURA, AMÉRICO DE.  “Os povoadores do campo de Piratininga (traços biográficos e genealógicos, Separata da REVISTA DO INSTITUTO HISTÓ-RICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO. Vol. XLVII, págs. 146 e 147. Este autor parece que possuía muitas informações interessantes e originais, quando escreveu o artigo. Não se sabe se conseguidas através de pesquisas, leitura ou tradição oral familiar ou social. Porém, foi displicente, não pensando na contribuição histórica que poderia realmente dar para o futuro; simplesmente desleixou nas referências/fontes de onde, supõe-se, extraiu suas informações. Algumas destas fontes, simplesmente não menciona; outras, cita de passagem, sem precisar onde foram encontradas ou se achavam arquivadas na ocasião, impedindo uma consulta posterior sobre a matéria. Ele cita o nome dos pais do primeiro Pedro Vaz de Barros: diz serem Jerônimo Poderoso (sic) e Joana Vaz de Barros. Esse Poderoso poderia ser, inclusive, uma má leitura paleológica de Pedroso; mas ele reforça a afirmação ao dar o nome do primeiro filho do casal como Antônio Poderoso (e acrescenta...”depois Antônio Pedroso de Barros”), aquele que conhecemos por Pedro Taques e Silva Leme também como Antônio Pedroso de Barros. Se essa informação fosse acompanhada pela fonte onde a colhera, seria de grande interesse histórico e genealógico. Mas cai no vácuo de profunda dúvida. Outra notícia que dá sobre esse par ancestral é que eram “ambos meio cristãos novos”. Mas também não declara de onde tirou essa informação. Como o artigo é de 1952, antecedeu na assertiva a José Gonçalves Salvador (ver Nota , abaixo), o que faz supor que este se louvou no primeiro para passar adiante a notícia, infelizmente não baseada em fonte resgatável. Outra informação que dá é que Antônio Pedroso de Barros declarou ao visitador do Santo Ofício, em 1591, na Bahia, ser “tratante”(contratado) para o Peru; aí declarou também os nomes e condição dos pais (descendentes de judeus). Essa notícia seria de grande valor para os descendentes, se fosse fundamentada, mas até o dia de hoje não se sabe onde está esse documento, quem o viu, quem primeiro transmitiu o fato. José Gonçalves Salvador também confirma o caso com as mesmas palavras, talvez se louvando em Antônio Moura, sem apurar se fundamentada ou não. Sobre Pedro Vaz de Barros ( Iº), Moura acrescenta de novidade que era mor-domo da Confraria do Rosário, mas também sem citar datas ou origem da notícia. Diz ainda que recebera uma Sesmaria, em 1501, em Cabo Frio, atualmente, Rio de Janeiro, registrando a seguir : “ ”Sesm.”, I, 201”
2) JOSÉ GONÇALVES SALVADOR, “Os Cristãos-Novos e o Comércio no Atlântico Meridional”, págs. 65, 82, 95, 102, 104, 113, 130, 231,359, 369; “Cris-tãos-Novos, Jesuitas e Inquisição”, págs. 17, 46, 47, 52, 169, 172, 173, 185); “Cristãos-Novos – Povoamento e Conquista do Solo Brasileiro”, Editora Pionei-ra/MEC, págs. 7, 8, 13, 14, 32, 34, 62). A idade dos irmãos Pedrosos de Barros, além de outros cálculos, pode-se confrontar com que este autor diz, na p. 65, do primeiro livro aqui citado: “Um dos tais, rapaz de 21 a 22 anos (estava-se em 1591), chegara do Peru ainda há pouco, aonde fora na qualidade de “tratante”. Seu nome? Antônio Pedroso de Barros, que viria a ser figura de projeção na capitania vicentina”. Dá como referência “Documentos da Visitação de 1591....,cf. Bh 1591, p.195”.
AINDA: Onde estariam, na Bahia, esses documentos que merecem uma publicação caprichada e bem divulgada?
b) Marcelo Meira Amaral Bogaciovas (1955–2020) , 
foi um conhecido e influente genealogista e historiador brasileiro do final do século XX e início do século XXI. Foi cofundador da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia (ASBRAP).

O seu nome está inseparavelmente ligado à investigação sobre os chamados cristãos-novos na São Paulo colonial.
Bogaciovas dedicou grande parte da sua vida a rastrear raízes judaicas nas antigas elites paulistas. A sua dissertação de mestrado "Tribulações do Povo de Israel na São Paulo Colonial", defendida em 2006 na Universidade de São Paulo (USP), é considerada uma obra de referência.

Ao contrário de muitos genealogistas anteriores que apenas copiavam livros antigos (como os de Pedro Taques ou Silva Leme), Bogaciovas viajava regularmente para Portugal desde os anos 1980. Passou meses no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, a ler processos originais da Inquisição (paleografia). 
Ao fazê-lo, descobriu inúmeros erros e omissões das genealogias brasileiras clássicas.

Bogaciovas encontrou nos arquivos de Évora os processos reais da Inquisição das irmãs Lucrécia e Bernarda Pedroso, como o de Barbara Filipe que tinham sido condenadas por "judaísmo". Foi Barbara Filipe que denunciou as irmãs Pedroso.

A TESE de Bogaciovas: Com base em semelhanças de nomes e em contextos cronológicos, levantou a hipótese (nao é uma prova) de que o famoso cap. mor e sertanista, Pedro Vaz de Barros seria irmão destas mulheres e, portanto, filho de Jerónimo Pedroso e Joana Vaz.(SEM BARROS em todas os processos, mas usado com por Bogaciovas)

A lacuna histórica: Bogaciovas nunca conseguiu comprovar esta ligação direta no século XVI através de uma certidão de batismo ou de um testamento.Ele reconstruiu a ligação com base no princípio da plausibilidade (abdução) o que deveria abrir novas pistas de pesquisa. 

A instrumentalização após a morte de Bogaciovas

Bogaciovas faleceu em maio de 2020, em pleno "boom" dos pedidos de nacionalidade portuguesa por via sefardita.Ele próprio era um investigador rigoroso. O problema da instrumentalizaçãi e novas polemicas surgiu apenas após as suas descobertas:


- Escritórios de advogados juntos à agências e genealogistas
pegaram nos seus trabalhos de investigação académica e transformaram tese di investigaçao nos numa verdade absoluta e inquestionável para a indústria da naturalização.


- A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) mesma adotou a sua reconstrução de forma acrítica como algo "provado" o que NÀO é verdade.

Marcelo Bogaciovas queria tornar visível a história oculta dos cristãos-novos no Brasil.

O facto de os seus trabalhos terem sido mais tarde utilizados como "provas" para uma indústria global de passaportes — na qual milhares de pessoas obtiveram a nacionalidade sem documentos primários — foi um desenvolvimento que ele provavelmente não pretendia nesta dinâmica.

4) Ausência de prova primária

A tese de que Pedro Vaz de Barros e o seu irmão António Pedroso de Barros seriam filhos de Jerónimo Pedroso e Joana Vaz baseia-se numa proposta do genealogista Marcelo Bogaciovas.

Contudo, não existem registos de batismo, testamentos ou documentos primários do século XVI que comprovem documentalmente esta filiação ou que atestem que Pedro era irmão de Lucrécia e Bernarda Pedroso (cujos processos da Inquisição provam a sua ascendência judaica, filhas de um cristão-novo). 
Trata-se de uma hipótese construída por probabilidade (abdução) que parece plausivel, interessante no mundo dos historiadores, mas não de um facto histórico consumado.

Deve-se ainda procurar mais dados sobre a mãe de Pedro Vaz de Barros. Sabendo sobre a distinçao de ser judeu o ser de origem de judeu sefardita (citado acima)  seria fondamental saber mais sobre ela. Sobre a sua origem circulam varias "lendas" e muita imprecisão.
Segundo varias fontes ela era cristã velha (!) e  fazia parte de uma das muitas familias de Barros em Portugal. Talvez da pequena nobreza. 
Qual a conexâo ? Qual das muitas familias "Barros" ?

Nos processos que a  nota narrativa historica de Bogaciovas cita e que se podem ler nos documentos originias da Inquisiçao no " torre de tombo",  a mãe de Bernarda e Lucrecia, é uma Joana Vaz. sem Barros..Jà falecida de peste na epoca do processo. Nada é referido se foi cristao-nova ou cristã velha, e  nada sobre os pais dela. Nada de uma familia de Barros.

O pai - que seria Jeronimo Pedroso- é citado como cristao-novo
Ele era convertido ? ou era filho de cristao-novos ? Desde quanto tempo era cristao-novo ? Um cristão-novo era um cristão, Somente cristões poderiam ser processados pela ininquisiçao.! Os processos poderiam conduzir a confisca dos bens, naturalmente de interesse no mundo de então.

Os sobrenomes dos irmãos : Pedroso de Barros e Vaz de Barros. Qual o origem ? Qual o sistema de sobrenomes era isso ? (espanhol ou portuguesa ? Não teve regras pelos sobrenomes na epoca.  leia aqui sobre os sobrenomes : de onde vem o de Barros ?

Ainda : a pesquisa sobre  Pedro Vaz de Barros ser judeu ou ser de origem judeu, filho de conversos e/ou cristao novo etc nâo é terminda. Faltam muitas dadas e muitas disscussôes sobre certas pesquisas do inicio do XX seculo ainda abertas.

Porque é claro : somos todos tambem indios, negros, brancos etc - somos seres humanos- interligados por varias historias, epocas,  culturas e por isso tambem por varios religiôes ! Fazem todos parte da historia da humanidade

O fluxo genealógico e sua importância na história da humanidade nós faz ánalisar que cada um de nós tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 4ºs avós, 64 5ºs avós, etc, etc numa progressão geométrica que nos dá 500 milhões de 28ºs avós, ou seja, cada um de nós, hoje vivo, tem um número maior de 28ºs avós do que a população da terra a meros 800 anos atrás! -Racionalizando este fato científico/matemático pode-se afirmar que esse fluxo contínuo de avós nos transforma a TODOS em parentes com um ancestral comum através do qual somos primos em algum grau de todos os seres humanos existentes na terra no dia de hoje....
Témos em téoria mais de 2000 10°s avós.
Pedro Vaz de Barros, é somente UM entre muitos antepassados. 

Reduzir a  "historia" e biografia de Pedro Vaz de Barros somente à um téma de religião e polemicas com  o objetivo de ter uma cidadania diferente ou escrever uma nova historia do Brasil, me parece nâo apropriado e respeitoso.


5) CONCLUSÃO

Voltando ao incicio de este postagem, eu respondo :

Dizer hoje que os descendentes brasileiros de Pedro Vaz de Barros todos são 'judeus sefarditas' é um erro histórico. 
Após a conversão forçada, essas pessoas tornaram-se cristãs (Cristãos-Novos) e, ao longo de 500 anos, a sua identidade fundiu-se completamente com outras origens (europeias católicas, mouriscas, indígenas e africanas) dentro um contexto colonial. 
Um descendente de 10ª ou 11° graude  geração não é um 'judeu', mas sim um cidadão brasileiro de ascendência mista que possui um antepassado que, em algum momento do século XV ou XVI, foi judeu ou morisco ou ambas. Foi conhecido como cap.mor e ligou-se no conhecido clã dos Leme, jà bastante ricos na epoca.
O casamento colonial era um negócio de estado familiar. Não se tratava de sentimentos, mas de conveniência, capital e alianças e sobrevivencia.. Havia patente de cap. mor.

Hoje: Procura-se a "identidade". 
Mas Pedro Vaz de Barros não buscava uma "identidade"; ele buscava domínio. Vindo de Portugal encontrou um mundo muito diferente, talvez um choque. Vindo da Algarve (o que trasmite somente Taques) ele era de zona de fronteira do reino do Portugal fronteira militar contra os piratas mouros.  Ainda jà era acostumado vendo canhões, muralhas e navios. Esse ambiente não criava homens delicados, mas homens de ação, armas e comércio.. Se for cristao-novo deve se considera que nem todos os cristãos-novos mantinham práticas judaicas em segredo (criptojudaísmo). Muitos tornaram-se católicos devotos para evitar suspeitas ou por convição, ocupando cargos públicos e colaborando ativamente com a Igreja.
.Mesmo , os que não eram judaizantes tambem viviam sob o risco de denúncias por vizinhos ou rivais, que utilizavam a acusação de "ser cristão-novo" como arma em disputas sociais. Teve alto risco de confisca e perder tudo.

Imagens como Estrelas de David ou Menorás anexadas a esta pessoa historica nas plataformas de genealogia são classificadas como Desinformação Visual
Não possuem respaldo histórico contemporâneo ao indivíduo e devem ser tratadas como projeções ideológicas modernas que violam a integridade biográfica do antepassado.
Fazem muita confusão para quem não se ocupe muito de historia e genealogia.

Certificações emitidas por entidades religiosas (CIL) para fins de nacionalidade portuguesa não possuem autoridade científica para anular os registros paroquiais e inquisitoriais da época e carece de validade academica.. 
A classificação é uma construção arbitrária. Ela ignora que os processos da Inquisição (Torre do Tombo) identificam - no mundo colonial (!) de então-  o pai e as irmãs como Cristãos-Novos (católicos), e não como judeus. O pior é que não falam da mãe, importantissima pelo mundo judaico. É uma lacuna científica que um CIL e os seus genealogistas não se pode permitir.

Transformar essa incerteza nominal e essa identidade hoje semplicemente em 'judaísmo certificado' sem explicar a distinçao e grandes discussões  entre etnia e religião mesmo dentro do mundo judaicoé é uma grande imprecisão, quase uma fraude historiográfica, alimentada pelo mercado de cidadanias e por genealogistas interessados em lucro, deturpando a realidade historica para fins burocráticos. 

A genealogia científica é imune a interesses de mercado .



Reflexão: A Institucionalização de Narrativas

Como pesquisadora estrangeira , a minha análise é puramente documental. As polémicas incomodam-me, pois apenas dificultam o meu  "trabalho" resp. as pesquisas.
Esta distância permite-me constatar que, embora o constructo em torno destas famílias possa ser um mito cultural fascinante, falta-lhe o rigor necessário para uma genealogia científica.

Onde a ciência exige prova, a nota narrativa ofereceu apenas plausibilidade.

No final, o que estamos a presenciar é a criação de um novo mito, semelhante ao que foi feito com os "bandeirantes"  no início do século XX. Transformar a realidade fragmentada de pessoas comuns em sagas de nobreza secreta pode ser narrativamente "interessante", mas não é ciência.

Busco a precisão do arquivo, não a conveniência do mito. A genealogia científica deve aceitar que o passado nem sempre é glorioso ou ladeado. O compromisso de quem investiga é com a verdade do manuscrito, e não com a fabricação de heróis para o consumo do presente. A questão central não é o debate entre historiadores, mas a institucionalização desse mito:

duas perguntas minhas :
1 ) Por que o CIL (Comunidade Israelita de Lisboa) aceita estas narrativas como prova cabal para fins de nacionalidade?


2) Por que a sociedade e as instituições assumem este constructo simplesmente como a "Verdade"?

É necessário que as associações especializadas, como a ASBRAP e o CIL, assumam uma postura clara e científica sobre este cenário. A genealogia científica não deve permitir que deduções sejam transformadas em "certificados" !
 
O debate deve regressar ao rigor da investigação e à realidade dos arquivos, longe das conveniências do presente.


A autora defende uma abordagem imparcial, crítica e respeitosa das pesquisas genealógicas e históricas sobre Pedro Vaz de Barros. Ele alerta contra o uso dessas pesquisas para fins políticos ou religiosos e lembra que todos os seres humanos estão ligados por uma história comum — muito além de qualquer origem ou crença específica. Espero que os brasileiros relevem a franqueza e as expressões fortes, em conformidade com os costumes europeus

Abraços Tiffany

Leia tambem, qual é a asendencia do meu ramo dos "Paes de Barros" segundo a Genealogia Paulistana de Taques e Silva Leme, curiosamente (!) sempre atual tambem pelas pesquisas e classificações de advogados, politicos, sociedades, genealogistas etc e das polemicas de hoje. : Paes de Barros - tambem descendentes de Pedro Vaz de Barros, vindo do Portugal

Nos postagens a minha historia e sobre Manoel Correa Penteado pode ler mais onde uma descendente do Pedro Vaz de Barros se une com os Penteado de Araçariguama na era colonial. Eles são os ascendentes patrilineares do meu ramo dos "Paes de Barros" de São Paulo cujo tronco é Antonio de Barros Penteado
e Maria Paula Machado de Itu SP.

domingo, 11 de março de 2018

Foto familia Leonarda de Aguiar





Leonarda de Aguiar,
4a avó de Tiffany :

a direito: Gertrudes de Aguiar Paes de Barros, filha de Leonarda, com o seu primo e marido, Francisco Xavier Paes de Barros, futuro barão de Tatui, ( são os 3°s avós de Tiffany)
Á esquerda, Dr. Rafael de Aguiar Barros, filho de Leonarda, com a sua prima e esposa, Francisca Carolina de Azevedo, 3°s tio-avós de Tiffany.

Leonarda de Aguiar foi filha do Coronel Antonio Francisco de Aguiar e de Gertrudes Eufrosina Ayres. Leonarda foi irmã do famoso brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar.
Ela casou com 14 anos em Sorocaba no dia 24.12.1820  com o cap.mor Bento Paes de Barros, futuro barão de Itu (em 12.10.1846), o qual na epoca havia 32 anos e foi filho de Antonio de Barros Penteado e Maria Paula Machado, ricos fazendeiros em Itu.

Leonarda de Aguiar e Bento Paes de Barros tiveram 6 filhos: 
  • Dr, Antonio de Aguiar Barros, futuro Marquês de Itu, 25.12.1823-30.1.1899 (c/c com sua prima Antonia de Aguiar, filha do 1° barão de Piracicaba e  tio do Dr. Antonio)
  • Dr. Rafael Aguiar Paes de Barros  28.12.1825-12.3.1889, (c/c com sua prima Francisca de Azevedo de Barros falecida em 11.7.1929) leia mais sobre ele aqui : Raphael de Aguiar Paes de Barros
  • Gertrudes Aguiar Paes de Barros (á direito na foto),  ca. 1830- 6.9.1878, c/c com seu primo, o filho do seu tio Francisco Xavier, irmão do barão de Itu e pai de Gertrudes..
  • Dr. Francisco Xavier de Aguiar Barros 23.1.1839-19.8.1890 (c/c com sua prima-sobrinha Maria Angelica de Souza Queiroz, filha do primo do Dr. Francisco Xavier, o Senador Antonio de Souza Queiros, e Antonia Eufrozina Vergueiro, filha do Senador Vergueiro)
  • Leonarda de Aguiar,  falecida em 1856, foi a 1a esposa do seu primo, o Coronel Rahael Tobias de Barros, 2° barâo de Piracicaba, sem filhos).
  • Anna de Aguiar Barros.falecida em 1927,(c/c em 1858 com seu primo João Tobias de Aguiar e Castro, filho da marquesa de Santos e o Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar. Este ultimo irmão de Leonarda de Aguiar que era a mãe de Anna).
Foto encontrada com o primo Antonio Veriano Pereira que descende de Francisco Xavier de Aguiar Barros, 
muito obrigada primo!

domingo, 15 de outubro de 2017

o barão de Tatui e a fazenda São Pedro, Santa Barbara d'Oeste (SP)

atualizado março 2024

o barão de Tatui e a fazenda São Pedro, Santa Barbara d'Oeste (SP) -
(Foto tirada por Rodney no Flickr):




Segundo o IBGE a fazenda São Pedro em Santa Barbara d'Oeste (SP) pertenceu ao Barão de Tatui (Francisco Xavier Paes de Barros) e foi vendida em 1877 ao senhor Joao Federico Rehder (imigrante alemão do Holstein), intermediado pelo Dr. Prudente de Morais, ainda advogado na epoca em Piracicaba e primo distante do Barão Tatui.

Atençao: o titulo de "barao de Tatui"  foi concendido somente em 1879 ao Francisco Xavier Paes de Barros, então em 1877 ele nao tive este titulo. 

Sobre o barão de Tatui e familia em barão de Tatui  e em barao de Tatui-jazigo e familia

Esta fazenda São Pedro vem descrita como "destinada ao cultivo de açucar" onde ca 1884 o senhor Rehder construi uma fabrica d'alcool. Quando vendida em 1877 no local existiam algumas casas de colonos (talvez norte-americanos ?), mata e a casa grande (?)- Parece que se referem em outro ano porque a casa grande na foto acima foi  construido somente nos anos 1920 por Luiz Alves de Almeida quando dono da Usina Santa Barbara.

A empresa Vergueiro & Cia, com filial em Hamburgo, fez contratos de parceria com 56 famílias de Holstein dispostas a trabalhar no Brasil, entre elas a família de Claus Rehder (pai de Joao Frederico) , que se dirigiu para Fazenda São Jerônimo em Limeira de propriedade do Barão Souza Queiroz em ca. 1852. 
( Os Vergueiros e Souza Queiroz foram primos direitos e tios da familia do barâo de Tatui).

Desde 1822 Santa Barbara d'Oeste fazia parte de Piracicaba - freguesia Sao Pedro - . 
Em Piracicaba, Limeira Campinas etc. tive muitos dos parentes do futuro barão de Tatui com fazendas e alguns deles foram acionistas em diversas companhias de estrada de ferro desde 1867.

Dizem que a venda de 1877 marcou o início da fase canavieira da cidade de Santa Barbara na epoca e començou a era primeiramente com o engenho e fabrica de alcool por o senhor Rehder e mais tarde com Usina Santa Barbara, usina de açúcar e álcool que em 1913 foi vendida ao coronel Luiz Alves de Almeida. Foi ele que construí a casa grande aqui na foto.

Do periodo da usina Santa Barbara d'Oeste e do Joao Frederico Rehder tem ampla documentação na fundaçao Romi que hoje faz parte no Centro da Memoria (Antônio Carlos Angolini).

é muito interessante o fato que os antepassados de Joao Frederico Rehder foram imigrantes vivendo nas terras de um primo do barao de Tatui e mais tarde um filho - Joao Frederico - comprou terras de um membro desta familia Paes de Barros, Souza Queiros. 
Mas...

Acho curioso que vem referido sempre ao barao de Tatui falando de esta fazenda e eu estou muito interessada em saber mais do periodo 1860-1876, - anterior do 1877 e a venda ao senhor Rehder - quando ainda pertenceu ao meu antepassado, Francisco Xavier Paes de Barros. 
Seria que tem a ver com a historia das Estradas de Ferro (?) ou com os colonos Americanos que desde 1867 imigraram na regiao por causa da guerra civil nos EUA ? Muitas terras foram vendidos a eles. - 
Em 1875 foi inaugurado a estaçao de trens em Santa Barbara d'Oeste, hoje pertence a Vila de Americana . Em este ano Francisco Xavier Paes de Barros foi presidente da "Ituana" onde tios e primos tambem foram acionistas.
 
Ele era natural de Sorocaba, mas desde o casamento em 1854 com sua prima, filha do seu tio, o barao de Itu, ele vivia em Itu SP. Foi deputado em varios periodos, fazendeiro e acionista em varias companhias. 
Na decada 1870 estabeleceu-se na cidade de Sao Paulo com muitos dos seus primos e tios.
 
Pode se ler no jornal "Diario de Sao Paulo" do Julho 1876 que : ....
"a "freguesia de Sao Pedro (Piracicaba) " exportou 60'000 arrobas de café, fumo, toucinho e mais produtos que dao rendimentos aos cofres publicos."..

Seria que o començo da industrializaçao prometiu bom preço pelas terras....?
Como é que o futuro barao de Tatui era dono de fazenda em Santa Barbara ? 
- A comprou para vender ? Quando e de quem ?
- Que nome tiveram estas terras de Francisco Xavier Paes de Barros antes a venda em 1877 ?

Em jornais antigos se pode ler que o proprietário da Fazenda São Pedro, desde o final dos anos 1860 era Pedro Alexandre Coelho Bittencourt, a qual já possuía, há muito tempo, engenho e, como várias outras fazendas da região, era produtora de açúcar. Possivelmente, Pedro Alexandre era genro de Fructuoso José Coelho, quem teria sido o primeiro proprietário da fazenda. e que ocorreu o inventário de Pedro Alexandre e que sua fazenda foi levada a leilão judicial em 1875 e posteriormente em 1876, para pagamento de dívidas,

Acredito que muito possivelmente, foi nesse leilão, que a Fazenda São Pedro teve seu propriedade transferida para Francisco Xavier Paes de Barros e depois vendido ao Rehder em 1877.

Prudente de Morais, então Advogado em Piracicaba "consegue" estender a ferrovia até Piracicaba.. muitos parentes do futuro barao de Tatui tiveram fazendas em Piracicaba e região e foram tambem membros na companhia ituana das estradas de ferro. 

Acredito que era este o interesse nas terras de Santa Barbara que muito provavelemente augmentaram de valor...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Passeio genealogico de familia Paes de Barros nas ruas de São Paulo I

A passeio nas ruas de São Paulo com a familia dos meus tetra-avós, Dona Leonarda de Aguiar e Bento Paes de Barros, o 1° barâo de Itu




Dona Leonarda Francisca de Aguiartetra-avó de Tiffany, nasceu 1806 em Sorocaba e foi irmã do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, lider na Revoluçao de 1842. Com só 14 anos ela casou 1820  com Bento Paes de Barros, o futuro Barão de Itu, que tem 32 anos quando casou. ! O barâo de Itu foi um abastado fazendeiro, produtor de café e capitão-mor de Itu.  Pelos serviços relevantes prestados à vila de Itu foi agraciado com o titulo de barão de itu, concendio em 1846 por D. Pedro II.
Foi o primeiro Ituano a receber um titulo de nobreza.Em meados do XIX sec mandou costruir uma nova casa. Pouco tempo residiu na casa, pois faleceu em 1858 A casa ainda existe e abriga hoje o espacio cultural "Almeida Junior". Do que eu sei, D. Leonarda não tive titulo de nobreza. Ainda acho que foi entâo costume chamar-a assim sendo esposa, mãe, cunhada, sobrinha de barões e marquês. Nâo encontrei informação do que ela morou tambem em São Paulo. Muito provavelmente, D. Leonarda visitou os seus filhos em São Paulo. O barão de Itu faleceu em Itu com 70 anos em 1858 e Dona Leonarda com 74 em 1881. D. Leonarda foi homenaegada com a rua baronesa de Itu em São Paulo.





Tivem os 6 seguintes  filhos : 
1. Dr. Antonio de Aguiar Barros,  futuro Marquês de Itu, 
 nascido em 1823 em Itu e  casado com sua prima Antonia Paes de Barros (filha do 1° barâo de Piracicaba, irmão do Barao de Itu, e Gertrudes de Aguiar, irmã de Dona Leonarda Francisca de Aguiar.) 
O marquês de Itu  faleceu em 1889 em São Paulo. 
O marquês foi genro e tambem sobrinho do 1° barao de Piracicaba que entorno de 1868 tinho vindo na cidade de São Paulo e com ele muitos outros sobrinhos e genros. Foi nas terras do 1° barao de Piracicaba onde o Marquêss de Itu offereceu um terreno à imperial Sociedade Portuguesa de Beneficência para a construção de seu hospital (1873-1876) 
Na Rua Florencio de Abreu hoje bairro de Luz, a marquesa de Itu (Antonia Paes de Barros)  tive um belo palacete perto de Avenida Tiradentes, que mais tarde foi demolido.

 As terras foram herdadas pela sua neta-sobrinha Eliza de Aguiar e Castro, neta de Anna de Aguiar e João Toibas de Aguiar e Castro (n° 5 adiante.  Anna foi irmã do Marques de Itu). 

Na parte posterior do antigo palacete foi costruida a "Vila da Marquesa de Itu", por o marido de Eliza, o engenheiro Eduardo Aguiar d'Andrada (filho do Barão de Aguiar)
A Vila de Marquesa de Itu, foi nomeada mais tarde nomeada "Vila dos ingleses". A Vila dos Ingleses fica em uma rua sem saida na Rua Maua. A vila existe tambem hoje e foi recentemente tombada.

O Marquês de Itu faleceu em 30 de Janeiro de 1889, sem filhos.



palacete Marquesa de Itu



Vila dos Ingleses, São Paulo





2. Gertrudes Aguiar Paes de Barros,  nascida em 1830 em Itu SP,  onde foi batizada. e mais tarde casou. em 1854 com seu primo Francisco Xavier Paes de Barros, (mais tarde Barão de Tatui).  Este ultimo era era filho do capitao Chico, Francisco Xavier Paes de Barros e de Rosa de Aguiar. O capitao Chico e Rosa foram ele  irmão do Barao de Itu, pai de Gertrudes e Rosa irmã de Leonarda, mae de Gertrudes.).

Gertrudes e o Barão de Tatui são meus trisavós.

Gertrudes faleceu em 06 de setembre 1878 com 48 anos de laryngite tuberculosa e foi enterrada no cémiterio da Consolaçao SP. 
Entao havia vindo de Itu SP com seu marido ca. 1876 na cidade de Sao Paulo com primos e o tio, o 1° barão de Piracicaba (Antonio Paes de Barros)
Na epoca Francisco Xavier Paes de Barros (futuro barão de Tatui em 1879)  era presidente da Companhia Ituana.
(estradas de ferro). Eles  moraravam na  "Rua Florencio de Abreu", então na epoca da vinda da familia em Sao Paulo nomeada  "rua do Miguel Carlos" e depois "Rua da Constituiçao". Teve o barão de Tatui um palacete que hoje nunca existe, mas onde ele faleceu em 1914.


Rua Florencio de Abreu,
a esquerda em fundo
o palacete
do Francisco Xavier Paes de Barros,
futuro barao de Tatui,
marido de Gertrudes.


antiga casa do Miguel Carlos
(atual Rua Florencio de Abreu)
Era a primeira
residencia do primeiro
barao de Piracicaba,
tio de Gertrudes
e Francisco Xavier
Paes de Barros



Atenção: Gertrudes nâo era a baronesa de Tatui. o seu marido, 
Francisco Xavier Paes de Barros, recebe o titulo de "barao de Tatui" em 19 de Agosto 1979, jà viuvo e ca um ano depois ela falecida !

Como viuvo o barão de Tatui casou em  1881 pela 2a vez com Cerina de Souza e Castro (a viuva do barão de Itapetininga) que com o casamento com ele diventou " baronesa de Tatui". 

Foi Cerina de Souza Castro a herdeira do famoso casarão perto do Viaduto do Chà que foi demolida pela costrução d Viaduto. Como era costume na epoca, foram os maridos à administrar a posse das esposas. 

Foi demolido uma parte do antigo casarão pelo Viaduto. Da restante parte, os barões de Tatui faziam costruir um elegante palacete por Azevedo Ramos em 1892.1894. Foi demolido por sua vez o novo palacete para alargar e abrir a praça do patriarca. apos a morte da baronesa de Tatui em 1910..

Após a morte,  as terras do Chà foram herdadas da sua filha Antonia dos Santos Silva, filha do primeiro casamento de D. Cerina com o barão de Itapetininga. 
Antonia em 1886 era casada com o Condé de Prates. Foi ele que guidou da herdade de sua esposa e mais tarde mandou à costruir os palacetes gemêos Prates no vale de Ahangabau. Hoje nunca existem.

demolição do antigo casarão.





novo palacete dos barões de Tatui










3. Dr. Rafael Aguiar Paes de Barros, nasceu na cidade de Itu no dia de 28 de Dezembro de 1835. Foi casado com sua prima Francisca de Azevedo Barros. Formado em Direito, Rafael Aguiar Paes de Barros defendia causas extravagantes como o fim da escravidão e, em pleno regime monárquico, foi eleito Vereador pelo Partido Republicano Paulista. De retorno da Europa fundou em 1876 o Clube de Corridas Paulistano depois em suas terras o Hipodromo na rua Bresser em São Paulo. O Dr. Rafael Aguiar Paes de Barros foi homenaegado com a Avenida Paes de Barros aberta nas suas terras. Foi no "Alto de Mooca" onde tive os seus cavalos. Também foi um dos fundadores do Jornal A Província de São Paulo. Após a proclamação da República (1889) esse jornal passou a se chamar "O Estado de S. Paulo".

Hipodromo, Rua Bresser
Mooca, São Palo


 

4. Leonarda de Aguiar, mesmo nome de mãe, foi a primeira esposa do seu primo Rafael Tobias de Aguiar Barros, futuro 2° barao de Piracicaba e filho do 1° barao de Piracicaba. O Casal não tive filhos.Ela faleceu muito jovem em 1858. Rafael Tobias de Aguiar Barros casou 2a vez com Maria Joaquina de Oliveira Mello, cunhada do Condé Pinhal e filha do Visconde do Rio Claro, José Estanislau de Oliveira.


5. Anna Barros de Aguiar,  casou em 1858 com seu primo materno, Joâo Tobias de Aguiar e Castro, (1835-1901), filho do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e Domitilia de Castro e Canto (Marquesa de Santos).  
Anna faleceu em Julho 1927 com 86 anos.
Como refere a primeira ediçâo do jornal " A provincia de São Paulo" do 04.01.1875, o Dr. João Tobias de Aguiar partecipou com outros fazendeiros e senhores, como por exemplo o Dr. João Francisco de Paula Souza, o Dr. Rafael Paes de Barros (o primeiro seu primo e o outro seu primo e cunhado) com o Major Diogo Antonio de Barros (tambem seu primo) da sociedade em comandita do jornal de tendencia republicana "A provincia de São Paulo" (hoje Estadao) - . 

A sua neta-sobrinha Eliza, foi criada da Marquesa de Itu (ver n° 1) e herdou o palacete dela na Florencio de Abreu. Eliza casou com o engenheiro Eduardo Aguiar de Andranda, filho do Barao de Aguiar que mais tarde entre 1915-1919 mandou a costruir 28 sobrados geminados, onde viviam os engenheiros britânicos que vieram trabalhar na construção do prédio da Estação da Luz, na primeira metade do século passado.Nas décadas seguintes (de 20-50) as vilas serão destinadas à classe média. A Vila dos Ingleses recentemente foi restaurada por um bisneto de Eliza e Eduardo e os predios foram tombados.

Vila dos Ingleses 1978
Foto por
Leonardo Hatanaka Acervo Sempla





6. Dr. Francisco Xavier de Aguiar Barros, nasceu em 23 de fevreiro 1839 , foi casado com sua prima Maria Angelica de Souza Queiroz. Ela foi neta do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza Queiroz e Genebra de Barros Leite. D.Genebra foi irmã do Barão de Itu, do Barao de Piracicaba e do cap.Chico, Francisico Xavier Paes de Barros. O Dr. Francisco Xavier de Aguiar Barros e D. Maria Angelica moraram na



Rua baronesa de Itu
em cruzamento com a rua barão Tatui



Chacara Palmeiras. Arrematada em leilão, a 23 de janeiro de 1874, por Domingos Marques da Silva (ou da Silveira) Airosa, a Chácara das Palmeiras, foi em seguida adquirida pelo Dr. Francisco Xavier de Aguiar Barros, depois daria origem ao bairro das Palmeiras, um enclave de Santa Cecília. 
Faleceu o Dr. Francisco Xavier de Aguiar Barros em 19 de agosto 1890. Apôs a morte de seu marido em 1890, D. Maria Angelica vendeu as terras de Chacara Palmeiras e em 1893, mudou-se para a nova casa que havia mandado construir na esquina da atual Av. Angélica com a Alameda Barros, no meio de um belíssimo jardim com chafariz, que infelizmente foi demolido para a construção de um complexo de edifícios residenciais com centro comercial no térreo. Fazia, em geral, referência a membros de sua família ou a antigos correligionários políticos. 

A Rua Conselheiro Brotero, por exemplo, traz à lembrança o nome do José Maria de Avelar Brotero (1798-1873), ilustre professor da Academia de Direito, pai de Frederico Dabney de Avelar Brotero (1840-1900), este por sua vez sogro de um filho já então falecido do Dr. Francisco Xavier Aguiar Barros e Maria Angélica. Ela também celebrou o sobrenome do marido morto, abrindo a Alameda Barros, e o título de sua sogra, Leonarda de Aguiar, uma de suas tias-avós, atribuindo o nome de Baronesa de Itu a uma outra rua.

A enorme chácara das Palmeiras - que ainda em 1872 tinha casa grande, senzalas, armazéns, cocheiras, plantações de chá e mandioca e vastos capinzais - transformou-se nas ruas da 
Imaculada conceição, Baronesa de Itu, Martim Francisco, Barão de Tatui, Angélica, Alameda Barros e outras. Parte da Rua das Palmeiras, porém

resultou do retalhamento da chácara Mauá que pertenceu ao Dr Francisco de Aguiar Barros e ao alemão Frederico Glette. Essa chácara Mauá - que antes se chamara Campo Redondo e depois, em 1887, Charpe - tinha sua sede em um enorme prédio colonial, acaçapado, que mais tarde serviria de residência episcopal e de colégio.  Glette e seu patrício Nothmann pegaram essas terras da chácara Mauá e fizeram delas o bairro dos Campos Elíseos, entre 1882 e 1890, com a Alameda Barão de Piracicaba, o Largo Princesa \Isabel e as Ruas General Osório, dos Protestantes, do Triunfo, dos Andradas, dos Gusmões, Duque de Caxias, Helvétia, Glette, Nothmann e outras."








sábado, 13 de setembro de 2014

Dona Paulina de Souza Queiroz

atualizado 07.09.2019 por Tiffany

Dona Paulina de Souza Queiroz,  nascida em São Paulo aos 19 de Julho de 1859 e falecida em São Paulo aos 09 de Novembro de 1936 e sobrinha do Barao de Tatui, Francisco Xavier Paes de Barros, trisavô de Tiffany.

Quadro de Dona Paulina de Souza Queiroz
no site de "crèche baronesa Limeira"
em São Paulo



Foi a fundadora da "crêche baronesa Limeira" Dona Paulina casou em 15.07.1879 com o sr. Dr. Julio Benedicto Ottoni. Não tivem filhos. O casamento foi anulado por decreto papal. 

(O Dr. Julio Benedicto Ottoni, irmão de Ermelinda e Christiano Benedicto Ottoni junior, filhos do conselheiro Christiano Benedicto Ottoni (pai) homem público, bastante conhecido no Rio de Janeiro e Barbara Balbina de Araujo Maya)..

Dona Paulina foi filha dos barões de Limeira , Vicente de Souza Queiroz e de Francisca de Paula Sousa,
neta paterna do brigadeiro Luiz Antonio de Souza e de Genebra de Barros Leite,
neta materna do Conselheiro Francisco de Paula Sousa e Mello e Maria de Barros Leite, esta ultima irmâ caçula de Genebra.
(Genebra  e Maria de Barros Leite foram irmãs do 1° barao de Itu, do 1° barâo de Piracicaba, do cap. Chico de Sorocaba e mais 5 outros, todos filhas /os de Antonio de Barros Penteado e Maria Paula Machado, pentavós de Tiffany).


O barão de Limeira, Vicente de Souza Queiroz, nasceu em 6/3/1813 e faleceu em Baependi na Província de Minas Gerais a 6/9/1872. Era filho do brigadeiro Luiz Antonio de Souza, fidalgo com brasão de armas, e de Genebra de Barros Leite, este ultima filha do capitão Antonio de Barros Penteado e de Maria de Paula Souza.
O Barão de Limeira foi Vereador da Câmara Municipal da Cidade de São Paulo realizou importantes melhoramentos que muito contribuíram para o desenvolvimento desta capital. Foi nomeado em 1850, presidente da Província de São Paulo, cargo este que recusou. Durante a guerra do Paraguai equipou e armou os soldados que ofereceu ao governo.
O Barão de Limeira casou com sua prima : Francisca de Paula Souza e Mello, filha do Conselheiro e Senador Francisco de Paula Souza e Mello e de Maria de Barros Leite, este ultima irmã caçula de Genebra de Barros Leite.


O casal teve 15 filhos:
1º Genebra, 2º Francisca Miquelina, 3º Vicente, 4º Maria Olésia (*) c.c. Carlos Antonio de França Carvalho, 5º Luiz Vicente, (fundador do ESALQ em Piracicaba, clique para ler mais sobre ele) :  6º Ângela, 7º Francisco, 8º Paulo, 9º Alice, 10º Carolina, 11º Paulina, 12º Antonio Vicente, 13º Fernão, 14º Teobaldo, 15º José Vicente.

Os pais de Dona Paulina, os barões de Limeira, foram donos de grande extensão de terras conhecida como “Chácara do Barão de Limeira” entre o Largo do Riachuelo e a Av. Brigadeiro Luís Antônio.
O Barão da Limeira, por sua vez, erguera um palacete de taipa (1853), com algumas inflexões neoclássicas , na Rua da Casa Santa, hoje Riachuelo.
A sua esposa, a baronesa de Limeira, mae de Dona Paulina, depois viuva e  mandar abrir a futura Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em 1894, encomendou ao escritório de Ramos de Azevedo um outro palacete, na esquina da via recém-aberta com a Rua Riachuelo, acompanhado de duas casas de aluguel (ver foto embaixo) Das três construções então erguidas, só uma das casas de aluguel sobrevive hoje.

Dona Paulina era a fundadora da "crêche Baronesa de Limeira", nome em homenagem de sua mãe . A Sociedade Feminina de Puericultura em 1914, sob a direção de Paulina de Souza Queiroz, mantinha duas instituições de benemerência: a Gota de Leite e a Creche Baroneza de Limeira.)
Hoje existe a "fundaçao Dona Paulina de Souza Queiroz".
Foi traçado nas terras de Dona Paulina o "Viaduto Dona Paulina" em homenagem a ela, inaugurado em 1948.

No seu testamento posso ler que Dona Paulina viveu alguns anos em São Paulo com a sua prima de terceiro grau, Andrezina da Silva Barros.(Andrezina foi filha de Anna Leopoldina Lopes de Oliveira (da Silva Guimaraes) e de (clique) Raphael de Aguiar Barros irmão do Barão de Tatui  Francisco Xavier Paes de Barros, este ultimo trisavô de Tiffany).

No testamento se pode ver os bens por ela deixados e distribuídos para os parentes próximos e aos mais dos humildes serviçais de sua casa, além das instituições ás crianças desamparadas.

Dona Paulina morava na sua casa na Avenida Luiz Antonio Nr. 5 :
Estabeleceu em seu testamento:

“…Para patrimônio de uma fundação que instituo sob a denominação de Escola Maternal para Débeis, deixo a casa de minha residência, a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio número 5,nesta Capital, com frente para dita Avenida, confinando com os fundos dos prédios da Rua Riachuelo, da Rua Rodrigo Silva, da Rua da Assembléia, da Rua Asdrúbal do Nascimento, da mesma Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, tendo a chácara uma área de dois alqueires mais ou menos, em diversos planos acidentados, toda arborizada com árvores frutíferas, pequeníssimo cafezal e árvores de ornamentação e canteiros de flores com outras benfeitorias… "

diz no testamento tambem :

".... com a referida Fundação ficará o Exmo. Juiz de Menores obrigado, sob pena de caducar o legado, a exigir da direção da Instrução Pública a conservar intacto todo o terreno adjacente, sem a parcelar ou alienar, bem como toda arborização que deverá ser conservada, melhorada, replantadas as árvores quando preciso for, de modo a manter-se quanto possível o aspecto atual da chácara e esta disposição é irrevogável, podendo o prédio ser modificado, ampliado ou reconstruído, se preciso for, sem prejuízo do aspecto geral que existe…”… manter-se-á o maior carinho para com os pássaros que procurarem a chácara para sua moradia, não se admitindo que sejam molestados, até pelo contrário, facilitando-se a sua manutenção…”

 As condições descritas no testamento não serem devidamente observadas....


Historia atual Avenida Brigadeiro Luiz Antonio nr. 42 : 

Quadro de Dona Paulina de Souza Queiroz
no site de "crèche baronesa Limeira"
em São Paulo


Na foto a direita : , a casa de Dona Paulina de Souza Queiroz com ao lado casas de aluguel tambem de sua propriedade, em uma foto de Guilherme Gaensly ca. 1900. Foi na esquina da então Rua Riachuelo com Avenida Brigadeiro Luiz Antonio n.5). Era aí que a creche da baronesa foi para muitos anos.
Uma das casas de aluguel existe ainda hoje na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio nr. 42 e foi tombado pelo sue valor cultural. Foi sede da Centro de Estudos Jurídicos (CEJUR) até ser transferida em 2012, no Pátio do Colégio. Na foto de Gansely é a ultima das casas de aluguel.

nas fotografias a esqerda: A avenida com as casas de aluguel em um cartâo postal e atual a uncia ainda existente como descrito supra.


A) Memorias de familia do meu primo Octacilio Dias de Almeida:

A Andrezina da Silva Barros, (nota por Tiffany: irmã de Alice, avó do primo Octacilio Dias de Almeida, autor de este texto) foi dama de companhia da Sra. Paulina de Souza Queiros, que sempre estavam viajando para França e Suíça, pois Dona Paulina como já lhe contei, possuía casa em Paris e casa em Berna na Suiça.

A tia Zina (Adrezina da Silva Barros) após a morte da sua prima Paulina, herdou uma chácara em Taubaté chamada “Chácara da Baronesa” que na verdade seu verdadeiro nome era “Quinta da Fonte” denominação essa dada pela própria Dona Paulina, porém mais conhecida como a chácara da Baronesa conforme consta em testamento da mesma.

Tia Zina foi então morar em Taubaté, em sua chácara, pois a casa da prima Paulina, em São Paulo, foi fazer parte do patrimônio da instituição para meninas desamparadas criada pela prima Paulina, a “Creche Baronesa de Limeira”.

Ela foi morar lá em Taubaté e convidou para também lá morarem um casal, parentes de outro ramo familiar, que depois de alguns anos obrigaram a ela vender a chácara, comprar uma casa para eles e no fim, a obrigaram ir para outro lugar, quando vovó Alice, sua irmã, a recolheu em nossa casa.

Assim a tia Zina viveu um tempo na companhia de sua irmã Alice, sua sobrinha Maria de Lourdes Barros Dias de Almeida casada pela segunda vez com Octacilio de Almeida; seu sobrinho neto Octacilio Dias de Almeida (filho) e sua sobrinha neta Maria de Lourdes Dias de Almeida.
Tia Zina já estava com idade e a sua vista estava diminuindo devido á catarata, assim acabei lendo para ela, como papagaio os seus livros em francês, mas antes tia Zina me ensinou a pronúncia do francês  e começou depois a me ensinar o idioma francês.
Conversávamos muito e sempre a ajudava na sua locomoção pois sua vista continuava a piorar. Ela tinha sempre uma esperança, porque falava-se que nos Estados Unidos já estavam fazendo cirurgias de cataratas com ótimos resultados!

Numa dessas conversas ela me contou uma história muito interessante que aconteceu numa das vezes que foram para a Europa; ao passarem por Paris a caminho da Suíça, encontraram duas alunas brasileiras que estavam estudando em Paris, então a prima Paulina as convidou para irem para Suíça, pois as mesmas estavam de férias escolares.

Foram para Suíça e se hospedaram na casa da prima Paulina todo o tempo das férias.

Essas duas estudantes se tornaram artistas famosas, pois eram Bidú Sayão e Guiomar Novaes!
Bidú Sayão acabou indo morar nos Estados Unidos e Guiomar Novaes voltou para o Brasil, e numa ocasião a prima Paulina solicitou um concerto da Guiomar Novaes em prol da Creche Baronesa de Limeira, mas nunca foi atendida!

Estive em sua casa lá por volta de 1944 ou 45 e era um verdadeiro palacete, ela , claro já era falecida, mas a casa permaneceu  como creche por vários anos até que foi desapropriada para a construção de um grande edifício chamado Palácio Mauá que está até hoje em funcionamento e do viaduto Dona Paulina; o seu terreno que era um fundo de vale, que ia da Rua Riachuelo, no Largo de São Francisco, até o largo Osvaldo Cruz donde inicia a Avenida Paulista. na verdade, esse fundo de vale deu lugar á uma grande avenida  a Avenida 23 de Maio que sai desde o vale do Anhangabaú até o Parque do Ibirapuera

 (fonte e texto por meu primo, OCTACILIO DIAS DE ALMEIDA, bisneto de Rafael Aguiar de Barros e Leopoldina da Silva Guiamaraes)

Conforme o seu testamento Andreza da Silva Barros herdou tambem um outro palacete de Dona Paulina. Estava na então Rua Riachuelo Nr 23.





testamento Dona Paulina de Souza Queiroz falando da herança de Andrezina da Silva Barros








Testamento Dona Paulian de Souza Queiroz




....o testamento foi apresentado  em data de onze do corrente mez  de Novembro , pelo Dr. Vicente Carlos França Carvalho, que declarou que a testadora Dona Paulina de Souza Queiroz, falleceu nesta capital, onde era domiciliada, no dia nove do corrente mez de Novembro.




testamento Doa Paulina de Souza Queiros




..... Deixo a meus sobrinhos Vicente Carlos de França Carvalho e Maria Virgilia de França Carvalho – o prédio da rua da Assembléa (antiga rua Livre) numero dous. Deixo à minha sobrinha Maria Olesia de França Carvalho Azevedo Castro neta de minha irmã Maria Olesia de França Carvalho, já fallecida – as duas casas da rua João Passalacqua (antiga Monte d’Ouro) numero trinta e oito e numero cincoenta. Deixo a minha sobrinha Maria Eugenia de França Carvalho Azevedo Castro, neta de minha irmã Maria Olesia de França Carvalho, já fallecida – as duas casas da rua João Passalacqua (antiga Monte d’Ouro).


Fontes na familia por:
Octacilio Dias de Almeida (o que me enviou tambem transcrição do testamento de Dona Paulina)
 a.)


OBRIGADA PRIMO !